Série do Netflix distorce fatos para engrandecer Francisco


A série da Netflix sobre a vida do atual papa distorce fatos para engrandecer Francisco, informa o jornal argentino Página 12.

Filme mostra
Bergoglio como
opositor da ditadura
Em quatro episódios, a série se esforça para apresentar o cardeal Jorge Bergoglio, o então futuro papa, como um herói da resistência à ditadura militar argentina (1976 – 1983), o que não é verdade.

Um exemplo: a série mostra soldados do Exército invadindo a escola católica de San Miguel onde Bergoglio teria dado asilo a seminaristas e religiosos perseguidos pela ditadura.

Nunca houve essa invasão. Os seminaristas citados no filme permaneceram na San Miguel sem serem incomodados.

A série se concentra na juventude de Bergoglio, detendo-se pouco sobre a vida do argentino no Vaticano, como papa.

Horacio Verbitsky, que assina o texto do Página 12, constatou que as distorções envolvem até mesmo personagens secundários.

Um episódio mostra Esther Balestrino Careaga, chefe do jovem Bergoglio em um laboratório, como um comunista ateu, mas na verdade o criador da associação as Mães da Praça de Maio foi de um partido de centro-esquerda.

A série recorreu à malandragem da inversão cronológica para “dourar” o envolvimento de Bergoglio no sequestro pela ditadura dos padres Orlando Yorio e Francisco Jalics.

Jornalistas argentinos acusam Bergoglio de ter facilitado o sequestro ao sinalizar ao regime militar que os dois padres não tinham proteção da Igreja Católica. Não há nem insinuação disso na série.

Assim, a série pode ser classificada como mais um produto da eficiente campanha de marketing de Francisco.