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Religião, ateísmo, ciência, etc.

domingo, 7 de agosto de 2016

Shermer fala de sua luta por um mundo com menos OVNIs e Deus

Historiador combate a crença
 com a racionalidade de Darwin

por Rodrigo Rezende
para Superinteressante

O historiador da ciência Michael Shermer (foto abaixo) já teve uma religião. Mas resolveu mudar de lado. Hoje, ele dedica a vida a uma missão: combater ideias que julga irracionais. Na entrevista abaixo, ele conta como é a sua luta diária por um mundo mais racional — e com menos OVNIs, fadas e horóscopos.

'Fé age como poderoso
 vício, como jogar na
 roleta no cassino'
De onde vem essa tendência humana em crer cegamente?

Acho que há razões biológicas para isso. Provavelmente todos herdamos uma tendência genética a acreditar. Imagine que você está na mesmo habitat natural de nossos antepassados: uma savana africana. Ouve um ruído estranho e pensa: será que é um tigre? Não há tempo suficiente para julgar se está certo ou errado. Na dúvida, você acredita. Mas já inventamos algo para nos ajudar no julgamento e lutar contra essa tendência natural. Algo chamado ciência.

Que tipo de situação você enfrenta quando questiona a crença das pessoas?

Recentemente um leitor me mostrou uma foto de um OVNI. Olhei para ele e disse: "Cara, isso é uma pipa". Mas ele continuou a insistir: "Não, eu estava lá. Não era um pipa". Entrei no Google e, entre milhares de fotos de pipas, mostrei uma exatamente igual àquela. Ele respondeu: "Não, não. Você acha que os alienígenas criariam naves espaciais iguais a pipas? Você está louco?". É esse tipo de situação que encontro. Às vezes, até me diverte.

A mesma ciência que você usa para desmascarar OVNIs pode ser usada com Deus?

As pessoas supõem que Deus está aqui entre nós. Então é razoável perguntar: "Ok, qual a evidência disso?". Há quem diga "Bem, ele ajuda pessoas, cura câncer etc". Nada disso. Quem mede a melhora na saúde de quem ora para se curar, percebe que ela é estatisticamente igual à dos outros doentes. Só que estudos como esses costumam ter pouco efeito. Experimente, por exemplo, perguntar por que as pessoas creem. Muita gente responderá "Porque acredito em acreditar". É a fé agindo como um vício, exercendo um efeito cerebral tão poderoso quanto jogar na roleta do cassino. Há religiões tão perigosas para a mente quanto o jogo e as drogas ilegais. Elas estão cheias de ideias ruins que ficam plantadas no cérebro. E não é nada fácil tirá-las de lá.

Essas ideias religiosas não têm função no mundo de hoje?

A principal preocupação das pessoas é que, em um mundo sem religião, não existiria mais moral e ética. Bobagem. A tendência natural das pessoas é agir moralmente. Quanto mais integrado o mundo estiver, mais moral ele será. Já a religião não contribui para isso.

Ateus e agnósticos ainda sofrem preconceito?

Tenho uma amiga que escreve esquetes de humor sobre isso. Em uma delas, um gay quer sair do armário e tem medo da reação dos pais. Então diz: "Pai, eu sou ateu". Três segundos depois, ele diz: "Brincadeira! Eu sou apenas gay". A verdade é que muita gente ainda vê os ateus como uma ameaça. Acho que é porque temos argumentos e aí a nossa voz fica mais poderosa que o discurso da fé.
Esta entrevista foi concedida por Michael Shermer em 2013.

Quem crê em divindades gosta de ser enganado, diz Shermer



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