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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Há 91 anos, 'julgamento do macaco' condenava a evolução

do Opinião & Notícias

O fundamentalismo protestante estava em alta nos Estados Unidos em 1925, mais do que hoje. Naquele ano, sete estados do país aprovaram uma lei chamada Butler Act que proibia o ensino da teoria da evolução, de Charles Darwin, nas escolas.

Scope desafiou a lei
que proibia o ensino
da teoria de Darwin
A proibição se deu porque as ideias de Darwin contrariavam a Bíblia e sua versão da criação do ser humano. Darwin afirmava que o ser humano é uma evolução de um primata ocorrida em milhões de anos. Ele expôs sua ideia no livro “A Origem das Espécies”, despertando a fúria de religiosos extremistas que acreditavam fervorosamente que o mundo foi criado por Deus em seis dias.

Em resposta, os religiosos organizaram uma campanha contra o ensino das ideias de Darwin nas escolas, especialmente a teoria que afirmava que o ser humano e o macaco derivavam da mesma criatura.

A campanha foi bem sucedida dando início à lei Butler Act,  que foi adotada por sete Estados americanos: Oklahoma, Florida, Mississippi, North Carolina, Kentucky, Arkansas, e Tennessee. Todos eles faziam parte do chamado Cinturão Bíblico americano, conjunto de Estados onde a religião tinha e ainda tem um grande peso na cultura local.

Nos Estados onde a lei foi aprovada, professores de biologia que insistiam em ensinar a teoria de Darwin eram levados a julgamento.

Ultrajado pela censura, um jovem professor de biologia da cidade de Dayton (Tennessee), John Scopes (foto), decidiu ignorar a lei e ensinar a teoria da evolução a seus alunos, como forma de protesto político. A violação resultou em sua prisão, no dia 5 de maio de 1925.

O julgamento de Scopes recebeu grande atenção da mídia e a União de Liberdades Civis Americana (ACLU, na sigla em inglês) declarou apoio ao professor. O caso ficou conhecido como The Monkey Trial (O Julgamento do Macaco, em tradução livre). Os Estados fora do Cinturão Bíblico acompanharam o julgamento, considerando irracional a lei criada pelos fundamentalistas protestantes.

Dois grandes nomes da advocacia foram destacados para representar cada um dos lados. O advogado e político William Jennings Bryan, que concorreu três vezes à presidência do país, representou a acusação, enquanto a renomada advogada de defesa Clarence Darrow foi encarregada da defesa de Scope.

O polêmico julgamento terminou em 21 de julho de 1925, com a vitória da acusação. Scope foi considerado culpado e multado em US$ 100.

Faz 90 anos que a intolerância colocou Darwin no banco de réu



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