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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Ateu militante deixou seu corpo para Faculdade de Medicina

por Fernanda Pereira Neves
para Folha de S.Paulo

Em meio a objetos antigos, parentes de Alfredo Spínola (foto) encontraram uma foto poucos dias depois de sua morte. O advogado, ainda criança, estava em uma igreja, com roupa de festa, recebendo a hóstia pela primeira vez. A imagem os fez rir. Estava distante não apenas pelo tempo, mas de quem era Alfredo.

Alfredo Spínola
foi cofundador
da Atea
"Foi imposição da família a primeira comunhão. Na adolescência, ele começou a descrer", resume a prima Egina.

A religião era um tema que despertava opiniões fortes em Alfredo. Foi cofundador da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, questionava crucifixos em departamentos públicos e chegou a pedir sua própria excomunhão — o que foi atendido.

A amiga Vera o descreve como um militante. Não apenas de uma causa, mas de várias. Admirava Fidel Castro e defendia Lula, o que às vezes gerava discussões em sua casa.

Não impunha sua opinião, mas a defendia com paixão.

Até a gramática o fazia militar. Mandava contestações à esta Folha, pelo uso do trema, por padrões que não concordava, por erros encontrados.

Nascido e criado na capital paulista, Alfredo fez direito e jornalismo, tendo trabalhado a maior parte da vida com direito de família.

Era sério, mas sempre atencioso, gentil. O agregador em seu grupo de amigos. Era também próximo dos primos, com quem tinha longas conversas, encontros culinários, viagens -adorava viajar.

Morreu dia 17, aos 66 anos, em decorrência de uma pancreatite. Sem filhos, deixa a mãe, primos e muitos amigos.

Pediu para que não houvesse velório e doou seu corpo a uma faculdade de medicina.

O título do texto é de autoria deste site. A foto é de arquivo pessoal. Spínola estava com 64 anos.






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