terça-feira, 13 de outubro de 2015

Seita cristã da Nicarágua proíbe crianças de irem à escola

do Yahoo! Notícias

Fanáticos cristãos
não levam seus
filhos ao médico
Uma religião polêmica praticada na América Central está deixando o governo de Nicarágua sem saber o que fazer. No vilarejo de El Viejo, próximo à cidade de Chinandega, não é permitido que as crianças estudem ou possam ir ao médico, e esse tipo de atitude pode causar graves problemas na comunidade.

Os quase 650 integrantes da religião “O corpo místico de Cristo” aguardam o “arrebatamento” – evento narrado na Bíblia no qual, depois do apocalipse, as pessoas subiriam ao céu para se encontrar com Deus. A história desse povo foi contada no jornal nicaraguense El Nuevo Diario.

“Há ali mais de 600 pessoas, muitos adolescentes e crianças em estado vulnerável e todas amontoadas”, disse a jornalista Carol Munguía, responsável pela reportagem, em entrevista ao site da BBC.

Na vila, os 11 pastores moram nas casas em melhores condições, feitas de cimento. Em seus aposentos, os líderes possuem computadores e até acesso à internet. “Os outros, amontoados, vivem em cabanas feitas com folha de palmeira, plástico e madeira. Eles dormem em redes, a cerca de um metro e meio de distância”, disse.

Além das condições de moradia, a custódia e saúde das crianças é motivo de preocupação para o governo de Nicarágua. Muitos dos pequenos sofrem com doenças infecciosas comuns em jovens, como a catapora, mas os adultos não permitem que médicos os examinem. O presidente Daniel Ortega chegou a enviar Brigadas Médicas ao local, mas a medida foi em vão.

“Existe o perigo de que haja um surto epidemiológico. Mas eles insistem que têm um único salvador: Jesus”, disse Munguía.

Coordenadora do Conselho de Comunicação e Cidadania e primeira-dama da Nicarágua, Rosario Murillo frisou que as crianças têm direito a educação, saúde e uma família. “Não conseguimos convecê-los da necessidade de que essas crianças sejam atendidas”, afirmou. “Essa lei tem de ser respeitada.”

As pessoas que moram em El Viejo – oriundas também de países próximos como El Salvador, Honduras e Guatemala – venderam todos os seus bens, que agora são administrados pelos pastores.


El Viejo tem mais de 80 mil habitantes





Quem quiser morrer pela 'cura' da fé que morra, não crianças

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