segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Rede social leva Sheherazade a pedir para sair da Jovem Pan

Jornalista se
 defende do ódio
 com mais ódio
Em março, uma petista publicou no Twitter uma foto com a seguinte legenda: “Cuidado com essa imagem que vou mostrar agora, é para estômagos fortes”. A foto era da jornalista Rachel Sheherazade (foto) com seus dois filhos e marido em uma manifestação contra o governo.

Com a publicação da foto, que se espalhou pela rede social, a jornalista se deu conta de que não mais pode participar com a família de um evento público sem que sofra hostilidade. Na época, ela prometeu que ia processar a petista.

Se resolvesse processar todos que a criticam na internet com contundência, inclusive com xingamentos e comentários preconceituosos, e não só de petistas, Sheherazade não faria outra coisa. Na rede social, a percepção é de que ela é mais odiada do que benquista.

É de se pressupor, por isso, que a pressão da rede social pesou bastante em sua decisão abrupta de pedir demissão de comentarista do Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, ainda que ela diga que saiu para cuidar dos filhos.

A jornalista continua como apresentadora do SBT Brasil, embora alguns de seus colegas de lá gostassem que saísse de fininho e não voltasse mais. Como se sabe, a direção do telejornal proibiu-a de fazer comentários, além de careta após a locução de notícia, para não manifestar julgamento de juizo.

Sheherazade tem sido a musa do conservadorismo primário, com um ranço neopentecostal. Ela é contra o casamento gay, a plenitude do Estado laico, etc.

Até aí, tudo bem. É direito dela e de qualquer um opinar sobre tudo, mesmo sem propriedade, por mais estupidez que contenha.

A questão é que, ao ser linchada na rede social, ela experimenta o seu próprio veneno.

Ficou famoso o seu comentário em que disse ser “compreensível” a surra que um grupo de justiceiros tinha dado em um jovem negro suspeito de ter cometido um delito. Jovem que foi amarrado a um poste, com na época da escravidão.

Em seus comentários, na Jovem Pan, ela usava adjetivos como “fascistoides”, “imbecis” e “idiotas” para qualificar, por exemplo, militantes intransigentes da esquerda.

Ou seja, ela vinha combatendo um discurso de ódio com... outro discurso de ódio.

Distante a quilômetros do Reinaldo Azevedo — um comentarista autoproclamado de direita e também virulento, mas sempre com os pés do jornalismo —, Sheherazade é incapaz de rechear sua retórica de impropérios com uma boa argumentação.

Faltam-lhe preparo intelectual, cultura, além de bom senso e equilíbrio. Como não leu alguns livros básicos, ela se baseia na Bíblia, pelo menos essa é a impressão que fica.

É mais uma profissional do bate-boca do que uma comentarista séria, a quem se ouve mesmo estão às vezes em total desacordo, que é o caso do Azevedo.

Os comentários de Sheherazade são primários, toscos e incultos. Em um deles, por exemplo, ela deu a entender que a civilização começou com o cristianismo.

Ela é um Bolsonaro de saia, e não uma versão feminina de um Reinaldo Azevedo, o qual, aliás, eclipsou-a na Pan.

Azevedo escreveu em seu blog alguns comentários favoráveis ao deputado Eduardo Cunha, que está atolado até o pescoço de acusação de corrupção, como se sabe, mas ele sempre deixou uma brecha para recuar, o que tem acontecido.

Sheherazade não possui tal sofisticação argumentativa. Ela é binária. É preto ou branco. Para ela não existem os incontáveis tons de cinza.

Em um de seus últimos comentários na Jovem Pan, ela fez uma defesa de Eduardo Cunha dizendo que o deputado não “passa de um investigado” e que, mesmo assim, “se tornou o “boi de piranha”

“Enquanto [Cunha] é devotado pelos inimigos, o rebanho de corruptos atravessa o rio, imune, ileso, impune”, escreveu.

Posteriormente, sobre a liberação pelo Ministério Público da Suíça de documentos relativos às contas irregulares de Cunha naquele país, a jornalista nada falou.

A esta altura, só Sheherazade e o deputado Pastor Marco Feliciano são condescendentes para com Cunha. Até Silas Malafaia abandonou o barco há algum tempo.

É curioso: a evangélica Sheherazade não demonstrou nenhuma compaixão cristã, por assim dizer, ao adolescente negro que foi surrado por justiceiros por ser suspeito de cometer delitos. Mas a Cunha, outro suspeito, só que de corrupção envolvendo milhões de dólares, ela atribuiu o benefício da dúvida, enquanto não houver condenação.

A rigor, Sheherazade não é jornalista, mas militante, tanto quanto os da esquerda intransigente, só que no extremo oposto.

Nada contra, faz parte do jogo democrático, só que ela se deveria se assumir com tal.

Rigor com o "marginalzinho" e 
benevolência com o "marginalzão"



Com foto de divulgação.





'SBT Brasil' veta opiniões de Sheherazade; Malafaia protesta

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