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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Vereadores de Manaus se dedicam mais à religião do que à cidade

por Geraldo Farias
para D24an

Bancada evangélica
age como se o  Estado
brasileiro fosse teocrático
Vereadores ignoram o Estado laico e usam a religião para criar projetos de leis na Câmara Municipal de Manaus (CMM). De fevereiro ao dia 15 deste mês, nove projetos ‘religiosos’ foram apresentados à CMM para serem transformados em leis. Pastora Luciana (PP) e Amauri Colares (PROS) são os que mais apresentaram propostas com esta temática. Ambos fazem parte da bancada evangélica.

A pouco mais de um mês na CMM, Pastora Luciana já apresentou três projetos. Ela assumiu como suplente, no fim de março, na vaga do Dr. Gomes, que se licenciou para exercer o mandato de deputado estadual.

O projeto de maior destaque foi o PL 125/15, que prevê a autorização para palestras, pregações e manifestações religiosas nos terminais de ônibus de Manaus com utilização de caixas de som. O uso de aparelhos sonoros para a pregação da palavra de Deus nos terminais foi questionada pelos colegas de plenário de Luciana, mas a pastora não recuou.

Outro projeto da vereadora é o nº 075/15. Ela propõe a instituição de um serviço de assistência religiosa, uma capelânia na Guarda Civil Metropolitana. Luciana justifica que o serviço será para assistência os integrantes da Guarda Metropolitana de Manaus e seus familiares, quando solicitada, em todos os momentos de suas vidas, sejam alegres ou tristes, visando o bem-estar espiritual da corporação.

No terceiro projeto de lei, o de nº 057/15, Pastora Luciana quer a instituição no calendário do município do Dia do Círculo de Oração. A proposta prevê que este dia seja comemorado sempre no primeiro domingo do mês de dezembro. Neste dia, as igrejas realizarão festividades recreativas, distribuição de bíblias, alimentos e roupas.

Em um verdadeiro estado de espírito político, Pastora Luciana não teme cometer heresia quando questionada porque apresentou projetos para instituir leis ‘religiosas’. Diz que está há pouco tempo na Câmara e ainda não conseguiu elaborar projetos para outras áreas.

“Eu tenho pouco tempo de Casa, ainda não consegui atender a todas as demandas da população, mas com certeza vou realizar minhas visitas nos bairros e comunidades e elaboraremos projetos para as áreas de necessidades de Manaus”, declarou a vereadora. Luciana não disse se pretende resolver as necessidades apenas com outras ideias de leis para evocar as bençãos do Senhor sobre os problemas da cidade.

Um outro projeto trata da Semana da Família Tradicional Cristã, do vereador Marcel Alexandre (PMDB). Já o vereador Felipe Souza quer criar o Dia do Missionário. Ednailson Rozenha (PSDB) também entrou no coro da oratória religiosa e quer tornar de utilidade pública a Organização Religiosa Missão Sal e Luz.

Outro campeão de projetos em nome do Pai é Amauri Colares. Um deles é de nº 276/14, que prevê a construção de um monumento à Bíblia. Também de autoria do parlamentar, o PL nº 107/15 institui o Dia da Mulher Cristã, a ser comemorado no dia 23 de junho. Segundo Colares, nesta data a União Feminina Missionária Batista do Brasil também comemora o Dia das Mulheres Batistas.

O vereador também elaborou o projeto de nº 104/15, criando o Dia do Capelão Evangélico a ser comemorado sempre no dia 21 de junho. O capelão evangélico, segundo o projeto de Amauri, “tem como missão atuar nos hospitais como voluntários que levam amor, conforto as famílias com atendimento espiritual”.

Amauri não se inspira diretamente no Senhor, mas nos colegas. Alega que outros parlamentares apresentam projetos sem serem religiosos. “Quem afirma que eu só apresento projetos religiosos esta mal informado. Tenho projetos que atendem à outras necessidades da população de Manaus”, disse.

O sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luis Antônio Nascimento, classifica de “vergonhoso” os vereadores se preocuparem com temas como um monumento à Bíblia ou a pregação religiosa em terminais de ônibus.

Para Nascimento, a preocupação maior deveria se com a educação, saúde e transporte. “É aí que você percebe a incapacidade intelectual para elaborar projetos políticos, é injustificável que os projetos sejam voltados para o seu próprio umbigo, que atendam as reivindicações de quem está próximo a eles”, disse Luís Antônio.





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