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sábado, 20 de dezembro de 2014

Spielberg estuda filmar rapto de criança a mando do papa Pio IX

Pio IX se negou
 a devolver Edgardo 
a sua família
Steven Spielberg está avaliando a possibilidade de produzir e/ou dirigir a história do sequestro ocorrido na noite de 23 de junho de 1858 de um menino de 6 anos pela polícia do Vaticano a mando do papa Pio IX, em Bologna, então uma unidade dos chamados Estados Papais. A comunidade judaica em Bologna tinha cerca de 200 pessoas. O roteirista Tony Kushner já está cuidando da história.

Na época do sequestro, houve uma comoção internacional, principalmente porque o papa se recusou a devolver o menino, adotando-o como seu filho. Em 1862, Moritz Daniel Oppenheim pintou um quadro sobre o rapto [ver abaixo]. Há livros, peças e uma opera sobre o caso.

O menino sequestrado foi Edgardo Mortara Levi, filho de um casal judeu. Salomon Mortara, um comerciante também chamado por Momolo, e Marianna Padovani tinham no total 8 filhos.

O Vaticano tinha sido informado de que o menino fora batizado secretamente em 1852 pela sua babá quando estava muito doente, o que o teria salvado — um milagre, pela perspectiva católica.

O Inquisitor de Bologna tirou Edgardo de sua família porque, de acordo com ensinamentos de então da Igreja, nenhuma criança cristã poderia ser criada por pais judeus.

O menino foi enviado a um mosteiro onde ex-judeus eram doutrinados para serem bons católicos. Seus pais tentaram resgatá-lo por doze anos, o que não conseguiram nem mesmo com o apoio de pessoas poderosas, como Napoleão III, da França, o imperador Franz Joseph, da Áustria, e a família Rothschild. O já influente New York Times pediu a devolução do menino.

Em 1859, ao receber uma delegação de judeus proeminentes, Pio IX disse não se importar com o que o mundo pensava das decisões da Igreja Católica.

Em 1871, ele chamou os judeus que faziam campanha pela libertação de Edgardo de “cães” e que havia “muitos deles naquele momento em Roma, uivando nas ruas, incomodando em todos os lugares”.

O Vaticano concordou em devolver o menino a sua família somente se ela aceitasse a conversão de Edgardo ao catolicismo. Momolo e Marianna recusaram a oferta.

Edgardo (à direita),
adulto, visita seus pais
O Vaticano libertou Edgardo quando ele completou 18 anos. O rapaz ficou um só mês na casa de seus pais porque, vítima de lavagem cerebral, decidiu voltar ao Vaticano, tornando-se seminarista. Ele já tinha rejeitado o nome de origem hebraica “Levi”.

Houve na época alegações — nunca esclarecidas — de que o papa tinha abusado do menino, o que hoje parece ser possível por causa da disseminação da pedofilia dentro da Igreja.

Após ser ordenado em 1873, Edgardo dedicou seu sacerdócio a tentar converter judeus. Ele chegou a fazer algumas visitas as à família [foto ao lado], mas sempre acompanhado de pessoas designadas pelo Vaticano.

No final de sua vida, Edgardo contou sua história. Foi um defensor da beatificação de Pio IX, o que ocorreu em 2.000 sob o protesto da comunidade judaico internacional.

O jesuíta Giacomo Martina (1924-2012) escreveu uma biografia de Pio IX criticando-o pela firmeza de sua decisão no caso de Edgardo, o que custou ao papa perda de popularidade. Martina disse que o papa entendia haver uma máquina de guerra montada por “infiéis” para denegrir a Igreja.

Edgardo morreu em uma abadia perto de Liège, na Bélgica, em 1948. Se vivesse um pouco mais, certamente ele estaria na mira dos nazistas, que ocuparam a Bélgica.

Para os nazistas, judeu que se converte ao catolicismo continua judeu.

Moritz pintou o sequestro de Edgardo
Com informação do livro The Kidnapping of Edgardo Mortara, de David I. Kertzer.





Papas praticavam pedofilia desde o Renascimento, diz livro

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