domingo, 7 de setembro de 2014

Guarani retira índio cabloco de camisa por sugestão de pastores

Evangélicos convenceram time que
índio é o culpado pelas derrotas 
O Guarani Futebol Clube, de Campinas (SP), retirou da camisa do uniforme do time a figura estilizada de um índio cabloco, a pedido de jogadores evangélicos. O técnico Evaristo Piza informou que o pedido foi apresentado à diretoria do Guarani por sugestão de dois pastores, amigos dele, durante uma vista ao clube.

O time se encontra em má fase, como sucessivas derrotas na Série C do Campeonato Brasileiro.

“Cablocos” são espíritos de índios (não evangelizados) que ajudam pessoas a vencerem suas dificuldades. Eles participam de sessões de umbanda para cumprir missão de desenvolver caridade e amor ao próximo. “Cablocos” não precisam ser necessariamente espíritos indígenas.

O Guarani foi fundado em 1911 por imigrantes italianos, que escolheram o nome  do clube em homenagem à obra prima do compositor Carlos Gomes.

A figura do índio foi adotada pelo clube como mascote no início dos anos 50, e por isso é chamado de “bugre”. O índio cabloco foi estampado no uniforme por decisão de Álvaro Negro, presidente do clube e espírita praticante.

Se hoje para evangélicos o índio cabloco é a causa das derrotas do time, em 1978 torcedores atribuíram à “força” da entidade a obtenção do título brasileiro e em 1997 ao não rebaixamento do Guarany de série.

O jogador católico Fumagalli disse que não se incomodava com o índio cabloco. “[Mas] o pessoal de outras religiões ficou meio desconfiado com o índio, e resolvemos falar com diretoria para tirá-lo da camisa”.

Ele reconheceu que o uniforme com a figura do índio não pode ser usado como desculpas para as derrotas do time.

Em nome de representantes e defensores de credos de matriz africana, Pai Joãozinho Galerani divulgou nota denunciando jogadores e diretoria do Guarany da prática de preconceito religioso.

“Trazemos nosso repúdio a esta atitude imatura, impensada, preconceituosa, destituída de qualquer compreensão e – principalmente – respeito pela fé do próximo”, diz a nota.

“Vocês jogadores e dirigentes deste clube não desejam trazer um símbolo tão bonito em seu peito ou aliado à imagem do Guarani. Mas a verdade é que não merecem fazer uso desta imagem. Afinal, a atitude de vocês não está aos pés da atitude de um Caboclo Brasileiro.”

Com informação das agências.





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