Campanha da Atea pede que voto seja da razão, e não da fé

Associação está preocupada com
a deterioração do Estado laico
A Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) fará campanha para que o eleitor não se deixe influenciar pelas pregações de religiosos no dia das eleições. “Não vote com fé. Use a razão”, diz mensagem que a associação vai divulgar em outdoors em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis. A informação é do Estado de S.Paulo.

A menos de 30 dias das eleições, os principais candidatos — Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) — defendem a laicidade, mas na prática têm se dedicado em agradar líderes religiosos (principalmente evangélicos) com promessas de medidas que afetam a separação entre Estado e religião.

Esse apoio dos candidatos não é de graça, disse Daniel Sottomaior, presidente da Atea. “Eles [os líderes religiosos] estão apoiando candidatos na expectativa de haver um retorno, com doações ou financiamento de eventos religiosos”, além da adesão do futuro governo à pauta conservadora de pastores, como o veto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Sottomaior afirmou que os candidatos estão “beijando a mão dos cardeais”, como era previsível, mas, segundo ele, Marina tem se destacado por causa de suas declarações dúbias. “É difícil saber qual é a linha dela.”

Os outdoors da Atea não farão campanha contra nenhum candidato, focalizando-se na defesa do Estado laico, que “está se deteriorando”, disse Sottomaior.

A campanha vai evidenciar a contradição de um país que se diz laico ter prédios públicos que ostentam símbolos religiosos. Um dos outdoors diz: “Sua religião não é nossa lei.”

Em 2011, a Atea fez campanha ressaltando que “religião não define caráter”.

É uma associação sem fins lucrativos. Com cerca de 13 mil filiados, tem se pautado principalmente em combater o preconceito contra descrentes e defender a laicidade de Estado estabelecida pela Constituição de 1988.

Com informação do Estado de S.Paulo.





Por que Estado laico interessa mais aos cristãos que aos ateus
março de 2012