quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Devotos de Fátima criticam verba para ‘Cristo Superstar’

Para os religiosos fundamentalistas, representar
Jesus com o peito nu e calça jeans é blasfêmia 
A Associação Devotos de Fátima quer que o Ministério da Cultura cancele o financiamento de R$ 5,7 milhões concedido pela Lei Rouanet à peça musical “Jesus Cristo Superstar”, que estreia em março em São Paulo.

Com o apoio de outros grupos católicos, como a Associação Sagrado Coração de Jesus, os devotos de Fátima estão promovendo na internet uma petição contra o financiamento à peca. As adesões neste momento superam a 26 mil.

"Não é lícito ao Estado laico violentar barbaramente a fé de milhões de pessoas, promovendo, com o dinheiro dos contribuintes, o evento blasfemo”, diz a petição.

Acrescenta que o ministério não “teria coragem de promover 1% de algo que criticasse Maomé (ou mesmo Fidel Castro!...)

Embora o cancelamento da concessão da verba inviabilizasse o espetáculo, Marcos Luiz Garcia, 60, coordenador de campanha da Associação Devotos de Fátima, disse que a petição não é um pedido de censura.

"É um direito que temos de pedir que nosso dinheiro não seja utilizado para atacar nossos valores e nossa fé", disse ele à Folha.

Fábia Johansen, 27, integrante da Devotos de Fátima, afirmou que a peça ofende Jesus porque apresenta a história do filho de Deus do ponto de vista de Judas, além de ter coreografias com mulheres seminuas.

Outra ofensa, segundo ela, é mostrar o ator Igor Rikli (que interpreta Jesus) de peito nu e “usando calça jeans”.

O musical com letras de Tim Rice e música de Andrew Lloyd Webber estreou há 43 anos nos Estados Unidos. Na época, houve reação dos religiosos, mas não se esperava que, após tanto tempo, o mesmo pudesse ocorrer no Brasil.

O católico Jorge Takla, diretor da versão brasileira da peça, ficou surpreso com a atitude dos devotos de Fátima, porque, disse, “’Jesus Cristo Superstar’ trata do tema com delicadeza e extremo respeito à Bíblia”.

Nota do Ministério da Cultura, cuja titular é Marta Suplicy, disse que a captação de recursos pelo musical é legítima porque se enquadra como “espetáculo teatral”.

O fundamentalismo dos devotos de Fátima não tem o apoio sequer da Arquidiocese de São Paulo.

O padre Tarcísio Marques Mesquita, porta-voz da entidade, afirmou que a peça não desrespeita a figura de Jesus.

"O musical faz uma atualização da imagem de Cristo, mas é uma ficção que deve ser lida como tal", disse.

"Obras como esta, que trazem questionamentos sobre a fé, nos ajudam a amadurecer. Os religiosos também têm seus questionamentos. A única coisa é que achei aquelas cantorias meio chatas, para falar a verdade."

Com informação da Folha de S.Paulo.






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