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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Primavera Árabe encoraja ateus a saírem do 'armário'

Ateus se assumem como tais em países onde
há forte preconceito contra descrentes 
Rafat Awad pregava fervorosamente o Islã em sua universidade, encorajando seus colegas a ler o Corão e a rezar. Mas o tempo todo, o jovem farmacêutico nascido na Palestina tinha dúvidas. Quanto mais tentava resolvê-las, mais elas cresciam. Finalmente, ele disse a seus pais, ambos muçulmanos devotos, que era ateu. Eles trouxeram clérigos para casa, para falar com o jovem, tentando em vão trazê-lo de volta para a fé. Acabaram desistindo. “Foi o efeito dominó: você derruba a primeira peça e o movimento continua. Eu pensei: ‘Isso já não faz sentido’. E me tornei uma nova pessoa”, disse Awad, de 23 anos, que cresceu e vive nos Emirados Árabes Unidos.

Alguém que se declare abertamente ateu é algo extremamente raro no mundo árabe, onde a maioria muçulmana é, como um todo, profundamente conservadora. É socialmente tolerável não ser ativamente religioso, decidir não rezar ou não cumprir outros atos de fé, ou ter atitudes seculares. Mas declarar-se abertamente ateu pode levar ao ostracismo por parte da família e de amigos, e se essa declaração for pública demais, pode provocar retaliações por parte dos islamitas linha-dura ou mesmo das autoridades.

Ainda assim, essa minúscula minoria tem dado pequenos passos para fora das sombras. Nas redes sociais da internet, grupos começaram a aparecer em meados da década passada. Agora, a Primavera Árabe que começou no início de 2011 deu a eles mais um impulso. A atmosfera inebriante da revolução, com suas ideias de mais liberdade de expressão e de questionamento de tabus impostos há muito tempo, encorajou a abertura.

Fuad [nome fictício], um engenheiro egípcio de 40 anos, criado como muçulmano, disse à Associated Press que já era ateu há muito tempo, mas mantinha isso como segredo. O levante de 2011 no Egito e seu clamor por mudanças radicais o encorajaram a procurar na internet por outros que fossem como eleo. “Antes da revolução, eu vivia uma vida de solidão total. Não sabia de ninguém que tivesse a mesma crença. Agora, nós temos mais coragem do que costumávamos ter.”

O caso dele ilustra os limites de até onde um ateu pode ir. Assim como quase todos os outros ateus entrevistados pela AP, ele falou sob a condição de não ter seu nome revelado, por temor de represálias, abusos ou problemas com sua família. Sua “saída do armário” acontece somente na internet. E mesmo a internet não é inteiramente segura. Na maioria dos países árabes, ser ateu não é exatamente ilegal, mas frequentemente há leis contra “insultar a religião”.

No ano passado, o egípcio Alber Saber, um ex-cristão que se identifica como ateu, foi preso depois de seus vizinhos reclamarem que ele havia postado um filme anti-Islã em sua pagina no Facebook. Embora Saber tenha negado as acusações, ele foi sentenciado a três anos de prisão por blasfêmia e desprezo pela religião. Solto sob fiança durante o julgamento de um recurso, ele mudou-se para a França.

Do mesmo modo, o ateu palestino Waleed al-Husseini foi preso em 2010 na cidade de Qalqilya, na Cisjordânia ocupada, sob a acusação de ter zombado do Islã na internet. Ele foi mantido preso sem acusações pendentes por vários meses; depois de sua soltura, também fugiu para a França.

Mesmo assim, o espaço na internet está florescendo. Há no Facebook cerca de 60 grupos de ateus de língua árabe. Exceto por cinco deles, todos foram criados depois da Primavera Árabe. Eles vão de “Ateus do Iêmen”, com apenas 25 seguidores, até “Ateus Sudaneses”, com 10.344 membros.

Há páginas que parecem desativadas, mas a maioria mantém alguma atividade. Há uma “Rede Árabe Ateia de Transmissão”, que produz clips ateístas no YouTube. E há grupos fechados, como um clube de encontros ateísta no Egito. Alguns atraem comentários negativos fortes. Um comentarista, que chamava a si mesmo de Sam, escreveu que “atacar o Islã tornou-se a passagem mais barata para a Europa”, numa referência aos que fugiram de seus países muçulmanos de origem. Escrevendo no site Elaph, Sam também se referiu aos ocidentais que se convertem ao Islã, dizendo: “Nós, muçulmanos, recebemos os melhores deles, e eles recebem lixo de nós.”

Com informação das agências.






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