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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Executivo do setor naval militar assume o Banco do Vaticano

por Giacomo Galeazzi
do blog Oltretevere

Ernst von Freyberg
Missionários protestaram contra
a nomeação de Freyberg
"Pesar e desconforto pela nomeação do novo presidente do IOR": é o que está expressado em uma nota dos diretores das revistas missionárias. [IOR é a sigla do Instituto para as Obras de Religião, também conhecido como Banco do Vaticano.]

 "Ficamos surpresos e lamentamos a decisão de confiar a nova presidência do IOR ao advogado Ernst von Freyberg (foto), presidente da Voss Schiffswerft und Maschinenfabrik, sociedade de Hamburgo ativa na construção naval civil e militar", explicou o padre Efrem Tresoldi (diretor da revista Nigrizia), o padre Mario Menin (diretor da revista Missione Oggi) e o padre Alex Zanotelli (diretor da revista Mosaico di Pace), as três revistas promotoras da Campanha de Pressão aos "Bancos Armados", que, desde 2000, desenvolve um atento monitoramento das operações de financiamento e de apoio ao comércio de armamentos por parte das instituições de crédito.

"A escolha de nomear à cúpula do Instituto para as Obras de Religião o presidente de uma empresa produtora também de navios militares – escrevem os missionários na nota – nos parece estar distante do que foi afirmado por Bento 16 na sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz (1º de janeiro de 2006), em que evidenciava com pesar os dados de um aumento preocupante das despesas militares e do sempre próspero comércio de armas, enquanto estagna no pântano de uma quase geral indiferença geral o processo político e jurídico posto em ação pela Comunidade Internacional para reforçar o caminho do desarmamento".

Segundo os três religiosos (Menin é padre xaveriano, Tresoldi e Zanotelli são combonianos), "a nomeação, depois de diversos meses, do novo presidente do IOR, em um momento como este, em que o Papa Bento 16 anunciou publicamente a sua renúncia ao ministério papal, parece-nos uma pesada hipoteca para o seu sucessor: a confirmação, neste momento delicado, do encargo dos outros quatro membros do Conselho de Superintendência do IOR também nos parece inoportuna para favorecer aquela renovação do Instituto para as Obras de Religião tão desejada por amplos setores do mundo católico, e não só".

"Sentimos hoje mais do que nunca atual, no seu cinquentenário, a encíclica Pacem in Terris, do dia 11 de abril de 1963, em que o Papa João 23 afirmava que justiça, sabedoria e humanidade exigem que seja freada a corrida armamentista", confidenciam os três diretores, esperando que "a Santa Sé decida interromper todos os laços com o Deutsche Bank Italia, o instituto bancário que, até o recente bloqueio da Banca d'Italia, geria o sistema de caixas eletrônicos dentro do Vaticano. 

O Deutsche Bank, de fato, é a instituição de crédito que mais do que qualquer outro ofereceu serviços às indústrias militares para exportações de armamentos, embolsando conspícuas compensações de intermediação: só nos últimos cinco anos, essas operações ascenderam a mais de 3 bilhões de euros, que tornam o Deutsche Bank o banco mais armado da Itália".

Segundo os missionários, de fato, "deve-se notar que, diferentemente de todos os bancos italianos e de grande parte dos bancos estrangeiros que operam no setor militar, o Deutsche Bank nunca definiu uma diretriz rigorosa e transparente sobre os serviços financeiros que ele oferece às indústrias militares e à exportação de armas".





Com tradução de  Moisés Sbardelotto para IHU Online.

Banco católico alemão investe em ações de empresa de armas
agosto de 2009

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