Marketing de filme evangélico usa apelo da 'salvação' para atrair fiéis

Cartaz do filme "Três Histórias, um destino"
Propaganda pede que fiel leve
dois não cristãos ao cinema
O marketing do filme evangélico "Três Histórias, Um Destino" tem conseguido um resultado surpreendente de bilheteira, porque, na avaliação de críticos, trata-se de uma produção ruim.

A explicação é que o marketing tem passado a ideia de que ir ao cinema, nesse caso, é uma missão evangelizadora, pedindo que cada fiel leve ao cinema pelo menos dois não cristãos [leia-se não evangélicos], de modo a divulgar “a mensagem de salvação”. Tem sido divulgado o apelo de que "1 + 2 = 150 mil vidas".

Em três dias, o filme rendeu R$ 530 mil, com sessões em apenas 52 salas. A média de expectadores por sala foi de 1.070, superior à do “007 – Operação Skyfall”, que é o filme campeão de bilheteria. Em sua primeira semana de exibição, "Três Histórias, Um Destino" deve cobrir os seus custos (R$ 2 milhões).

 O filme é o primeiro longa da Graça Filmes, do grupo de empresas do missionário R.R. Soares, chefe da Igreja da Graça de Deus. O enredo teve como base um livro do missionário.

"Três Histórias, Um Destino" foi rodado nos Estados Unidos com atores de lá, para facilitar a sua venda ao mercado americana. As cópias distribuídas aos cinemas brasileiros são dubladas. O crítico Rodrigo Salem, da Folha de S.Paulo, notou não haver no elenco um único ator negro.

R.R. Soares afirmou que os exibidores não queriam o filme por acreditar que seria um fracasso. “Agora, já começaram a telefonar pedindo para ter o longa."  Ygor Siqueira, diretor da Graça Filmes, disse não ser verdade a percepção de que “cristão não vai ao cinema”.

O filme apresenta três histórias de redenção, de um pastor ganancioso, de um casal vítima de uma tragédia e de um menino delinquente que nasceu em uma favela.

O crítico Salem escreveu a que a dublagem é grosseira e o filme é amador e “descaradamente catequizador”.