sábado, 31 de dezembro de 2011

Em sua última entrevista, Hitchens falou da relação Igreja-nazismo

A última entrevista de Hitchens (à direita) foi
para Dawkins, seu amigo havia 30 anos 

da New Statesman com tradução da Folha de S.Paulo

Em sua edição deste mês, a revista britânica "New Statesman" traz a última entrevista do jornalista, escritor e crítico literário inglês Christopher Hitchens, morto no último dia 15 em decorrência de um câncer no esôfago.

O entrevistador é o biólogo evolucionista Richard Dawkins, também inglês e intelectual afinado com as ideias ateístas de Hitchens. Os dois eram amigos havia 30 anos.

Conhecido por sua memória capaz de lembrar trechos de livros que teria lido há mais de 20 anos, mesmo após muitas doses de álcool, era um polemista incendiário.

Vivendo nos Estados Unidos desde 1981, atacava a religião, o racismo e a crença em verdades absolutas.

Sua grande admiração por autores como Vladimir Nabokov e George Orwell era diretamente proporcional a sua aversão por figuras como Bill Clinton, Henry Kissinger e Madre Teresa de Calcutá.

Além da erudição, foi um jornalista de campo. Viajou ao Iraque, Afeganistão e Coreia do Norte. Conhecia todos os países europeus e boa parte do norte da África.

De trajetória política orientada à esquerda, surpreendeu seguidores ao apoiar a invasão americana no Iraque após o atentado de 11 de Setembro.

Depois, em um artigo muito polêmico, se submeteu às técnicas de interrogatório do Exército americano antes de escrever que as classificava como "sessões de tortura".

Fundada em 1913, a "New Stateman" é uma revista de política e cultura. Hitchens se destacou nela como repórter e articulista nos anos 70.

Desde 2009, a publicação reserva algumas edições aos cuidados de editores convidados. Escolhido para dezembro, Dawkins usou como temas o humanismo e o ateísmo.

Na entrevista a seguir, Hictchens fala, entre outras coisas, de sua luta contra o absoluto que quer controlar a mente das pessoas e da ligação entre a Igreja Católica e o nazismo.

Richard Dawkins - Tem recordações da "New Statesman"?

Christopher Hitchens - Parece um mundo diferente, uma revista diferente e que aconteceu com uma pessoa diferente. Eu adoraria que eles me entrevistassem sobre isso algum dia, mas prefiro que você e eu foquemos sobre a questão principal da edição, que, obviamente, é nossa causa comum.

Venho lendo seus ensaios recentes. Sua erudição me espanta. Não consigo pensar em ninguém desde Aldous Huxley que tenha uma base de leitura tão completa e ampla.

Pode parecer que é ampla, mas isso talvez tenha se dado ao custo de ser um pouco superficial. Me tornei jornalista porque um jornalista não precisava se especializar.

Fui a um debate entre Umberto Eco e Susan Sontag, e falou-se sobre a palavra "polímata". Eco disse que era sua ambição ser polímata; Sontag o contestou, dizendo que a definição de polímata é alguém que se interessa por tudo e por nada mais.

Em minha formação, fui incentivado a ler como uma borboleta, pousando sobre um tema e tomando um golinho de néctar, mas sem mergulhar mais fundo.

Como estudioso de George Orwell, você deve ter uma visão particular da Coreia do Norte, de Josef Stálin e da União Soviética e se irritar com o refrão constante: "Stálin foi um ateu".

Não sabemos se foi. Hitler, com certeza, não foi. De qualquer modo, o ateísmo não supõe nenhuma espécie particular de posição política.

As pessoas que fizeram o trabalho sujo de Hitler foram quase todas religiosas.

Lamento dizer que a relação da SS com a Igreja Católica é algo que a igreja ainda precisa enfrentar.

Se você está escrevendo sobre a história dos anos 1930 e a ascensão do totalitarismo, pode, se quiser, tirar a palavra "fascista" em relação à Itália, Portugal, Espanha, Tchecoslováquia e Áustria e substituí-la por "partido católico de extrema direita".

Quase todos os regimes foram instalados com a ajuda do Vaticano. Isso não é negado. Em muitos casos os entendimentos com a Santa Sé persistiram após o fim da Segunda Guerra e se estenderam a regimes comparáveis na Argentina e outros países.

Mas houve sacerdotes que fizeram coisas boas.

Não muitos, ou saberíamos seus nomes. Do mesmo modo como os nazistas pensavam ser uma raça separada, queriam sua religião própria.

Eles desencavaram os deuses nórdicos, mitos e lendas extraordinários de todo tipo saídos das sagas antigas. Queriam controlar as igrejas. Estavam dispostos a fechar um acordo com elas.

A Igreja concordou em dissolver seu partido político, e Hitler ganhou o controle da educação alemã; foi um ótimo acordo. As comemorações do aniversário dele eram ordenadas desde o púlpito.

Não há dúvida, os nazistas queriam o controle -e estavam dispostos a entrar em choque com as igrejas para conseguir isso.

As pessoas juravam por Deus que jamais desrespeitariam o juramento feito ao Führer. Isso não é nem secular, o que dirá ateu.

Agradecia-se a Hitler nas orações antes das refeições.

Creio que sim.

Você mencionou a Coreia do Norte. Ela é um Estado teocrático, em todos os sentidos. É quase sobrenatural, na medida em que os nascimentos na família (governista) Kim são vistos como sendo misteriosos e acompanhados por acontecimentos fora do comum. É uma "necrocracia" ou uma "mausoleucracia", mas não seria possível dizer que seja um Estado secular, o que dirá um Estado ateu.

As tentativas de fundar religiões novas deveriam atrair nosso desdém, tanto quanto o atraem as alianças com as religiões velhas.

Tudo o que se afirma é que não é possível dizer Hitler tenha sido nitidamente cristão: "Talvez, se ele tivesse continuado, teria se descristianizado um pouco mais". Isso é tudo baboseira absoluta. É falho como história e é falho como propaganda política.

E é falho como lógica, porque não existe conexão entre ateísmo e atos hediondos; por outro lado, essa ligação pode facilmente ser traçada no caso da religião, como vemos com o islã moderno.

Na medida em que a adoração a Stálin e o "Kim Il-sungismo" são novas religiões, nós, como todos os ateus, as repudiamos absolutamente.

Acusam você de ser do contra, que é uma descrição que você mesmo já fez de si.

Na realidade, não fiz. Eu a rejeitei. Mas a penduraram em meu pescoço e não tenho como me livrar dela.

Sempre desconfiei da dimensão política esquerda-direita.

Para mim ela já se rompeu.

Mas é espantoso como o contínuo esquerda-direita ainda exerce influência. Se você sabe o que alguém pensa sobre a pena de morte ou o aborto, sabe o que ela pensa sobre tudo. Você é uma exceção à regra.

Tenho uma coerência, que é ser contra o totalitário -o de esquerda e o de direita. O totalitário é o inimigo: aquele que é absoluto, que quer o controle do que acontece na sua cabeça, não apenas sobre suas ações e os impostos que você paga. E as origens disso são teocráticas, obviamente.

O começo disso é a ideia de que existe um líder supremo, ou papa infalível, ou rabino-chefe capaz de receber e expressar o pensamento divino e então nos dizer o que fazer.

Há formas seculares disso, com gurus e ditadores; essencialmente, é a mesma coisa.

Alguns pensadores -acima de todos, Orwell - compreenderam que, infelizmente, os humanos possuem uma forte tendência inata a adorarem, a se tornarem abjetos.

Portanto não estamos apenas combatendo ditadores. Estamos criticando os outros humanos por tentarem usar atalhos, simplificar suas vidas, rendendo-se e dizendo: "Se você me oferecer a felicidade suprema, é claro que abrirei mão de parte de minha liberdade mental em troca disso". Afirmamos que essa é uma barganha falsa: você não receberá nada, tolo.

A parte de você que foi, ou é, da esquerda radical sempre é contra ditadores totalitários.

Sim. Fui trotskista; para nós, o movimento socialista só poderia ser reavivado se fosse purgado do stalinismo. Considerávamos o stalinismo uma teocracia.

Uma das minhas principais queixas quanto à religião é o modo como rotulam uma criança como "católica" ou "muçulmana". De tanto reclamar disso, estou até chato.

Nunca tenha medo de ser acusado de chato, ou de excessivamente rigoroso. Não há mal no excesso de rigor. O rigor é o mínimo que você deve empregar como arma. Se você continuar a insistir em algo, o pior que podem dizer é que você é tedioso.

Hoje mesmo recebi um texto de conselhos, de um site do governo britânico, intitulado "As Responsabilidades dos Pais" ou algo assim. Uma das responsabilidades era "determinar a religião do filho". Literalmente, determinar. Mas quando me queixo a esse respeito me dizem que ninguém rotula as crianças.

O governo, sim. A meu ver, isso vem de uma política imperial britânica, que, por sua vez, veio de impérios otomanos e anteriores: você classifica seus novos súditos segundo a fé deles.

Você pode ser um cidadão otomano, mas é um cidadão otomano judeu ou cristão armênio. E algumas dessas religiões dizem às crianças que as crianças de outras religiões vão para o inferno. Acho que não podemos proibir isso, nem podemos descrevê-lo como "discurso de ódio" - embora eu tenha minhas dúvidas-mas deveria causar alguma desaprovação.

Eu chamaria isso é abuso infantil mental.

Como libertário, não tenho como dizer que as pessoas não deveriam educar seus filhos segundo seus direitos, por exemplo. Mas a criança possui direitos, e a sociedade, também. Não permitimos a mutilação genital feminina, e acho que não deveríamos tolerar a masculina.

Mas seria muito difícil afirmar que você não tem o direito de dizer a seu filho que ele tem sorte e que ingressou para a única fé verdadeira. Não vejo como deter isso. Acho apenas que o resto da sociedade deveria olhar para isso com um pouco de desaprovação, coisa que não acontece.

Há uma tendência entre liberais de achar que a religião deveria estar fora de discussão.

Ou até mesmo de achar que existe um racismo antirreligioso, algo que, a meu ver, é uma limitação terrível.

Você acha que os EUA correm o risco de virar uma teocracia?

Não. As pessoas em quem pensamos quando falamos disso - os evangélicos protestantes extremos, que querem realmente uma América comandada por Deus e acreditam que ela foi fundada segundo princípios fundamentalistas protestantes - talvez sejam a ameaça mais superestimada no país.

Que bom.

Eles já foram derrotados em toda parte. Por que isso?

Na década de 1920, tiveram uma sequência de vitórias. Proibiram a venda, manufatura, distribuição e consumo de álcool. Incluíram isso na Constituição. Mais ou menos conseguiram proibir a imigração vinda de países de maioria não branca, não protestante. Eles nunca se recuperaram dessas vitórias.

Nunca se recuperarão do fracasso da Lei Seca. Ou do julgamento Scopes [de 1925, envolvendo o ensino da teoria da evolução nas escolas]. Cada vez que tentaram introduzir o ensino do criacionismo, os conselhos de ensino, pais ou tribunais derrotaram as tentativas, e na maioria dos casos graças ao trabalho de pessoas como você, que mostraram que é bobagem.

Isso é muito animador.

O que me preocupa um pouco mais é a natureza reacionária e extrema do papado neste momento. Por outro lado, parece que o papa não consegue muita fidelidade junto à congregação americana, que desobedece à Igreja abertamente com relação aos anticoncepcionais, o divórcio, o casamento gay, em grau extraordinário e que eu não teria previsto.

Ela está até mesmo se mantendo firme com relação ao aborto, que, em minha opinião, é uma questão moral muito forte e não deveria ser decidida levianamente.

A única ameaça religiosa real nos EUA é a mesma que, lamento dizer, existe em muitos outros países: uma ameaça externa. É o jihadismo, parcialmente cultivado no próprio país; mas em parte o jihadismo americano é fraco e se desacredita sozinho.

Chega a preocupar você a ideia de que, se vencermos e destruirmos o cristianismo, por assim dizer, o vazio poderia ser preenchido pelo islã?

Não. É engraçado, mas não me preocupo com a possibilidade de vencermos. O único que podemos fazer é nos assegurarmos de que as pessoas saibam que existe uma alternativa muito mais maravilhosa, interessante e bela. Não, não acredito que a Europa se encheria de muçulmanos à medida que se esvaziasse de cristãos. O cristianismo derrotou a si mesmo na medida em que se tornou uma coisa cultural. Não há realmente cristãos crentes, como havia gerações atrás.

Na Europa isso é verdade, certamente. Mas e nos EUA?

Acho que há uma tendência que vem de longa data, no mundo desenvolvido e em grandes áreas fora dele, de as pessoas enxergarem as virtudes da separação entre igreja e Estado, porque já experimentaram a alternativa.

A cada vez que algo como uma jihad ou movimento de sharia tomou conta de qualquer país -é verdade que isso só foi possível em casos muito primitivos-, o país é uma ruína ainda em brasa, com produtividade zero.

Analisando a religiosidade nos países do mundo e nos diferentes Estados dos EUA, constata-se que a religiosidade tende a estar correlacionada à pobreza e a vários outros índices de carência social.

Sim, é também disso que ela se alimenta. Mas não quero ser condescendente em relação a isso. Conheço muitas pessoas altamente instruídas, muito prósperas e muito reflexivas que creem. Não é inédito que pessoas tenham a ilusão de serem Deus ou o Filho sagrado. É uma ilusão comum, mas, novamente, acho que não precisamos condescender.

Rick Perry [pré-candidato republicano à Presidência dos EUA] declarou certa vez: "Não apenas creio que Jesus seja meu salvador pessoal, como creio que os que não acreditam nele vão para o castigo eterno". Ele foi contestado em relação a essa última parte e respondeu: "Não tenho o direito de modificar a doutrina. Não posso dizer que ela vale para mim, e não para outros."

Frequentemente me perguntam por que os EUA, uma nação de base secular, é tão mais religiosa que países europeus ocidentais que têm uma religião oficial, como os da Escandinávia ou o Reino Unido.

[Alexis] de Tocqueville acertou na mosca. Se você quer uma igreja nos EUA, tem de erguê-la com o suor de sua fronte, e muitos já o fizeram. É por isso que são tão ligados a elas. Os judeus - mas não todos -, surpreendentemente, abandonaram sua religião pouco tempo depois de chegar do Leste Europeu.

Então a maioria dos judeus abandonou sua religião?

Nos Estados Unidos, cada vez mais. Quando as pessoas vieram para escapar da perseguição religiosa e não quiseram reproduzir a perseguição, essa era uma memória muito forte.

Os judeus se secularizaram muito rapidamente quando vieram. Os judeus americanos, como coletivo, devem constituir a força mais secular do planeta, hoje. Isto é, se considerarmos que formam um coletivo, o que não parece ser realmente o caso.

Embora não sejam religiosos, muitas vezes ainda observam o shabat e esse tipo de coisa.

Isso só pode ser algo cultural. Eu celebro o Pessach todo ano. Às vezes até faço um seder [jantar em comemoração à páscoa judaica], porque quero que minha filha saiba que vem de outra tradição, de modo muito distante.

Se ela encontrasse seu bisavô, isso explicaria, porque ele fala iídiche. É cultural, mas o seder do Pessach é também o fórum socrático. É dialético. É acompanhado por vinho. Tem todos os elementos de uma discussão muito boa. E há o destino manifesto.

As pessoas sentem que os EUA são um lugar de sorte. É um país que fica entre dois oceanos, repleto de minerais, de beleza, de riqueza. Para muitas pessoas, realmente parece providencial.

A terra prometida.

Tudo isso e mais o desejo de outro jardim do Éden. Alguns utópicos seculares vieram para cá com a mesma ideia. Thomas Paine e outros todos pensaram na América como o maravilhoso recomeço para a espécie.

Mas isso tudo foi secular.

Muito foi, mas é impossível fugir da liturgia: ela é poderosa demais. Você acaba dizendo coisas como "terra prometida", e isso pode ser usado para fins sinistros.

Mas, em muitos casos, é uma crença benigna. Trata-se só de dizer: "Devemos compartilhar nossa boa sorte". A razão pela qual a maioria de meus amigos não é crente não tem a ver especialmente com terem participado de discussões como as que você e eu temos tido, mas com o fato de que a religião obrigatória na escola os tornou indiferentes à religião.

Ficaram entediados.

Ficaram fartos. Eles pegavam da religião, de vez em quando, aquilo de que precisavam: se precisassem se casar, sabiam aonde ir. É claro que alguns deles são religiosos, outros gostam da música, mas, de modo geral, os britânicos são benignamente indiferentes à religião.

E o fato de haver uma igreja estabelecida aumenta esse efeito. As igrejas não deveriam ser isentas de impostos, como são. Não automaticamente, de todo modo.

Com certeza, não deveriam. Se a Igreja pede que seja dado tempo igual a especulações criacionistas ou pseudocriacionistas... Qualquer igreja que ensina isso em sua escola e recebe dinheiro federal da iniciativa religiosa deveria, por lei, também ensinar o darwinismo e conhecimentos alternativos, para que se ensine o debate. Acho que elas não querem isso.

A religião comparativa seria uma das melhores armas, desconfio.

Hoje a coisa ficou tão insípida em partes dos Estados Unidos que muitas crianças crescem sem qualquer conhecimento de qualquer religião de qualquer tipo. Isso porque seus pais não lhes transmitem esse conhecimento; eles deixam a cargo das escolas, e as escolas têm medo de mexer com isso. Eu gostaria que as crianças soubessem de que trata a religião, senão algum guru ou alguma seita pode fazer a cabeça delas.

Elas são vulneráveis. Eu também gostaria que elas conhecessem a Bíblia, por razões literárias.

Precisamente. Uma parte enorme da literatura inglesa seria de difícil compreensão se as pessoas não conhecessem a Bíblia.

Você teria algo a dizer sobre o Natal?

Sim. Não poderia deixar de haver um feriado no solstício do inverno. A religião dominante não poderia deixar de tomar conta dessa festa, e isso teria acontecido mesmo sem Charles Dickens e todos os outros.

A árvore de Natal vem do príncipe Albert [consorte da rainha Vitória da Inglaterra]; os pastores e os três reis magos são todos invenções.

Cirênio não era governador da Síria, tudo isso. Cada vez mais, o Natal vem se secularizando. E essa mania de desejar "boas festas" é algo de que também não gosto.

É horrível, não? "Boas festas"

Prefiro nossas frases sobre o cosmos.

Para Hitchens, Jesus supera o seu Pai em crueldade.
dezembro de 2011

Morre Christopher Hitchens, o escritor de 'Deus não é Grande'.
dezembro de 2011

Mais sobre Hitchens.      Mais sobre Dawkins.       Ateísmo.  


Ex-presidente Lula pede ajuda de um médium para a cura de seu câncer

Lula já  se submeteu a 
sessões de quimioterapia
Embora esteja se tratando no melhor e mais caro hospital do país, o Sírio-Libanês, em São Paulo, o ex-presidente Lula (foto), 66, tem contado com o auxílio de um médium em sua luta contra um câncer descoberto recentemente em sua laringe. A informação é de Lauro Jardim, da Veja, que não revelou o nome do médium.

João de Deus é o médium que cuida da cura do câncer de Lula.
janeiro de 2012

Lula já se submeteu a três sessões de quimioterapia. No dia 4 de janeiro, começam as aplicações de radioterapia que devem durar até 7 semanas.

No começo do tratamento, houve na internet uma discussão segundo a qual os cuidados médicos deveriam ser pelo SUS, que chegou a ser citado por Lula, quando presidente, como o melhor sistema público de atendimento médico do mundo.

O ator Reynaldo Gianecchini, 38, que sofre de um linfoma raro, também recorreu a um médium, além de tratamento no Sírio-Libanês.

No caso de Gianecchini, o médium é João Berbel, que diz incorporar o espírito do médico Ismael Alonso y Alonso. Ele mora em Franca (SP), onde dá atendimento no Instituto de Medicina do Além.

Malta interrompe reunião com Dilma para orar pela saúde de Lula.
novembro de 2011

‘Energia espiritual’ tem ajudado a recuperar Gianecchini, diz médium.
setembro de 2010

Ciência versus religião.    Milagrentos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

'Conhecimento é a única arma contra a ignorância. Deixem a fé para os avós'

por Otávio Barcellos a propósito de
Conhecimento científico é incompatível com fé e religião

Quando eu era jovem, acreditar em Deus já era démodé. Coisa exclusiva de famílias ortodoxas, que geralmente davam gordas contribuições à Igreja em troca de bençãos particulares.

Nós estudávamos em colégios católicos porque eram os melhores na época. Contudo, entre meus colegas poucos eram tão alienados a ponto de crer na incoerência absoluta das estórias bíblicas. E quase todos sabíamos que isso não não poderia vingar para sempre, tamanha a discrepância entre Ciência (que só avançava) e religião (que só retrocedia).

Hoje, aos 71 anos de idade, vejo com surpresa que há jovens aqui mais alienados do que na minha época. No meu tempo nós tínhamos que ler grossos e complexos livros para compreender o mundo, hoje vocês só precisam dar alguns cliques.

O conhecimento é a única arma contra a ignorância. Deixem a fé para seus avós.

Ciência vai ganhar da religião, afirma Stephen Hawking.
junho de 2010

Ciência versus religião.      Posts de leitor.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Conhecimento científico é incompatível com fé e religião

por Cognite Tute a propósito de
Leitora critica ateus que atribuem só aos ateus os avanços científicos

A Alene está bastante equivocada, misturando conceitos, termos e ideias. Uma pena, porque parte do caminho ela já fez, para compreender a questão, apenas não consegue dar um "último passo" no processo.

Primeiro, acreditar, com base em evidências, e acreditar, sem base em evidências (por fé, revelação, etc.) são coisas distintas.

Um cientista não "acredita" na lei da Gravidade, ou na Evolução, ele conclui, com base em dados disponíveis, que são reais. Se os dados mudarem, pode até mudar de conclusão, ou ajustá-la.

Já quem "acredita" que Maria foi para o céu de corpo e tudo tem "fé" nesse evento, e nada vai mudar isso, assim como a origem dessa crença não se confunde com o termo usado no exemplo anterior.

E a acusação da autora é apenas um "espantalho", uma falácia de espantalho. Ninguém alega que apenas "ateus" são responsáveis pelos avanços científicos, sabemos que muitos cientistas (mais no passado que hoje) foram religiosos e acreditavam em coisas (deuses, entre elas).

O que alegamos, e provamos com evidências, é que os avanços científicos foram sempre, sem exceção, responsabilidade, bem, da ciência.

Pode parecer uma tautologia, mas é algo que religiosos, como a autora, parecem não compreender bem.

Quando um cientista faz "ciência", mesmo um cientista religioso, fervoroso, ele tem de deixar sua fé, sua crença de lado, ou compromete o trabalho, que deixa de ser "científico".

O resultado da ciência, o conhecimento científico, prescinde da fé e da religião. Na verdade, é incompatível com ela em sua produção, pois é universal, e independe da crença de seu autor.

Por exemplo, Mendel, descobridor das leis da hereditariedade, era um monge cristão. Ainda que na época muitos fossem monges apenas para escapar da miséria e ter onde morar e comer, não é relevante para o avanço científico por ele produzido. Mesmo que ele fosse fervorosamente cristão, seu trabalho NADA tem a ver com suas crenças ou fé.

A evidência disso é que, se ele fosse de qualquer outra fé, ou mesmo se não tivesse fé alguma, mas repetisse os mesmos passos, e processos, de seu trabalho, o resultado seria exatamente o mesmo, as leis da Hereditariedade. Biologia, não religião. Se os mesmos passos fossem feitos por um hindu, seguidor de Bhrama, seria o mesmo. Se Mendel não houvesse descoberto as leis da Hereditariedade, outro o teria feito, sem nenhuma relação com a fé deste.

Outro bom exemplo, Newton, um dos maiores cientistas, era fervorosamente religioso. Mais que cristão, ele se preocupava com misticismo, e esoterismo, investigando processos alquímicos, espíritos, teologia, etc. Mas o que restou de seu trabalho, a única coisa que restou, foi o que não tem nenhuma ligação com suas crenças: cálculo, gravitação, etc. Nenhum dos textos ou trabalhos produzidos por Newton, a partir de suas, muitas, crenças, como sobre alquimia, sobreviveu ao tempo. São todos sem a menor relevância.

Quando um cientista, ou um teólogo, ou quem quer que seja, faz "ciência", ele o faz deixando de lado as crenças, qualquer crença. E NADA até hoje, em termos de ciência, foi produzido a partir de crenças de quem quer que seja, quaisquer que sejam. Nada.

Mesmo quando um religioso se "inspira" em algo de sua fé, precisa, depois disso, determinar as evidências que sustentem essa inspiração, como qualquer cientista não religioso: pelo método científico de validação e rigor. Sem isso, será apenas uma alegação sem base.

Um exemplo para entender (custam a entender, algumas pessoas.:-), um cientista, fervoroso cristão, decide estudar uma nova droga, digamos, contra o câncer. Ele prepara o estudo dentro das normas, separando 50 pessoas de perfil parecido, com o mesmo tipo e padrão de câncer. Estes não tomarão droga alguma. Outro grupo de 50 pessoas idêntico vai receber a nova droga. Outro grupo ainda de 50 pessoas com o mesmo perfil e doença, vai receber placebo, sem saber que é placebo. E nenhum dos médicos que aplicam drogas e placebo saberá quem aplica o quê.

Este é o perfil, simplificado, de um estudo "científico" para novas drogas.

Os resultados são: no grupo de controle, sem tratamento, 3 pessoas se curaram (regressão expontânea). No grupo com placebo, 5 pessoas se curaram. No grupo que recebeu a nova droga, 46 se curaram. Que conclusões podemos tirar disso?

Depende. Se deixarmos a crença do pesquisador de lado, podemos concluir que a nova droga tem efeito real, concreto, sobre a doença. Mas se levarmos a crença dele como "parte" da pesquisa, não. Pois é parte da crença dele, como cristão fervoroso, que deus pode curar, por motivos misteriosos, que não podemos compreender, qualquer pessoa que ele deseje, da forma como deseje, e portanto as curas do grupo que recebeu a nova droga pode ser causado apenas pela vontade de deus.

Não podemos concluir nada, nem podemos, com confiabilidade, prescrever a nova droga para pacientes com esse câncer, pois pode ser apenas a interferência de deus, por motivos desconhecidos que nossa mente não compreende (mas sempre justos e bons.:-), curando pessoas dentro do grupo. E ele pode não fazer isso quando a nova droga for vendida no mercado (de novo, por motivos que não compreendemos).

Mesmo o fervoroso cientista cristão precisa deixar sua fé e suas crenças FORA da pesquisa e da ciência, ou não poderá concluir nada, nunca. Como Laplace ao responder a Napoleão, quando este questionou a ausência de deus em seu livro sobre mecânica celeste: Sire, eu não precisei dessa hipótese.:-)

Enfim, o texto da autora é esclarecedor para entendermos muitas das confusões e enganos que quem crê tem a respeito de quem não crê, e erros de compreensão sobre o que é ciência, conhecimento científico, razão, e como isso tudo difere de fé, crença religiosa e superstições.


'Conhecimento é a única arma contra a ignorância. Deixem a fé para os avós'
por Otávio Barcellos em dezembro de 2011


Explicações da ciência descartam a 'hipótese Deus', diz filósofo italiano.
dezembro de 2010

Ciência versus religião.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ateísmo como conquista da razão é risível, escreve Pondé

Título original: Saudades de Deus

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Tem coisa mais monótona do que discutir sobre a existência ou não de Deus? Ninguém crê em Deus "por razões lógicas". Isso é papo furado. Ninguém "decide" ter fé.

Tentar provar que Deus existe porque ele seria "uma necessidade da razão" me parece um engodo.

Primeiro porque a razão é risível em suas necessidades, como diria o cético Michel de Montaigne (século 16). A pergunta pela origem de tudo que existe (como numa espécie de aristotelismo aguado) não prova nada. Temos inúmeras necessidades que não são autoevidentes -por exemplo, que o bem deva vencer ao final das coisas.

Muitas vezes o mal vence e pronto. Quase sempre. Por outro lado, é interessante se pensar de onde veio a matéria que explodiu um dia e o lugar onde ela explodiu.

Mas isso nada prova acerca do Deus ocidental. O princípio pode ser uma mecânica estúpida.

Aliás, o chamado argument from evil (argumento a partir do mal) do ateísmo é famoso. Autores grandes como Dostoiévski e Kafka, entre outros, já o frequentaram de forma brilhante.

O argumento basicamente é o seguinte: se Deus é bom, por que o mundo é mau? Alguns já chegaram a supor que Deus seria mesmo mau, como o próprio Kafka.

Duas questões são importantes apontar nesse debate, uma com relação aos crentes, outra aos ateus.

Primeiro os crentes. Uma falácia comum por parte dos crentes é supor que seria impossível você ser uma pessoa razoavelmente moral sem alguma forma de religião. A história prova que ateus e crentes dividem o mesmo lote de miséria moral. Pouco importa ser ou não crente.

Pessoalmente, acho que o acaso decide: o temperamento (o acaso de você ter nascido "assim ou assado") é quase sempre o juiz do comportamento humano e não "valores" religiosos ou éticos seculares (não religiosos).

Portanto, a tentativa de afirmar que, se você é ateu você necessariamente não é "bom", é pura falácia. Tampouco penso que uma religião faça falta para todas as pessoas. Muita gente vive sem crise sem acreditar em coisa nenhuma "do outro mundo". Isso não significa que ela seja sempre feliz (tampouco os religiosos o são), a (in)felicidade depende de inúmeros fatores.

E mais: "crer ou não crer" não é algo que você escolhe, "acontece". Grandes teólogos como Santo Agostinho, Lutero e Calvino diziam que a "fé é uma graça" (simplificando a coisa), alguns receberam o dom e outros não (portanto, ela "acontece", como eu dizia acima, não é você quem escolhe ter ou não). Acho essa ideia bem mais elegante do que esse papo furado acerca das necessidades racionais, sociais, morais ou psíquicas da crença.

Quanto aos ateus, acho risível a ideia de que o ateísmo seja uma "conquista" da razão ou de alguma forma de rigor moral ou "coragem cosmológica".

Nada disso, como já disse antes, e repito, até golfinhos conseguem ser ateus em sua maravilhosa vida aquática. Fiquei ateu quando tinha oito anos.

O ateísmo me parece, entre todas as hipóteses sobre o universo, a mais fácil, simples, rápida e quase fast food theory (teoria fast food).

Não precisamos nos esforçar muito para perceber que podemos talvez um dia descobrir a causa "natural" do universo, ou acabarmos como espécie antes de descobrir qualquer coisa. E who cares se sumirmos um dia?

E mais: é quase evidente que somos uma raça abandonada na face da Terra e a indiferença dos elementos naturais para conosco (sejam eles externos ou internos ao nosso corpo) salta aos olhos.

E mais: a possibilidade de estarmos sozinhos é sempre mais fácil do que acompanhados por um ser maravilhoso, dono do universo e que sabe cada fio do cabelo que você tem na cabeça.

Não há nenhuma evidencia definitiva de que Deus ou que qualquer outra entidade divina exista. O ônus da prova é de quem crê. Além do fato de que os japoneses, caras bem inteligentes, não creem em Jesus na maioria das vezes.

Acho Deus uma hipótese acerca da origem das coisas mais elegante do que a dos golfinhos. Mas, por outro lado, a ideia de que um dia o pó tomou consciência de si mesmo e constatou sua dolorosa solidão cósmica é bela como uma ópera.

Hitchens defendia o combate à nefasta influência de Deus na sociedade.
por Luiz Felipe Pondé em dezembro de 2011

Explicações da ciência descartam a 'hipótese Deus', diz filósofo italiano.
dezembro de 2010

Ateísmo.     Artigos de Pondé.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Poucos tiranos escaparam da ácida eloquência de Hitchens

por Mac Margolis para o Estadão

Hitchens comprou briga com
companheiros da esquerda
Para Christopher Hitchens (foto), o combativo jornalista britânico que morreu de câncer no início do mês, a América Latina não era exatamente sua especialidade. O maior polemista da língua inglesa do nosso tempo estava mais do que distraído travando batalhas com os maiores ícones e lendas globais, de Madre Teresa aos profetas do "islamofacismo". Poucos foram os tiranos, pícaros e farsantes de gabarito internacional que escapavam de sua ácida eloquência.

É uma pena, pois nos raros intervalos em que voltava o foco para o sul desse hemisfério, trouxe luzes extraordinárias e tiradas das mais originais. Mas, pela astúcia e pelo brilho retórico, a erudição e o puro espírito de porco com que o autor de "Deus não é grande" e "Hitch 22" tratava o mundo, vale a pena relembrar alguns lampejos latinos.

De longe, seu tratado mais extenso sobre a América Latina veio pela investigação da vida de Henry Kissinger. O autor intelectual da desventura americana no Camboja já estava em plena reabilitação perante a opinião pública quando Hitchens chamou-o de criminoso de guerra. Destacada na folha corrida consta seu papel de eminência parda no golpe de 11 de setembro de 1973 contra Salvador Allende, no Chile, um crime em que "tramou e planejou pessoalmente o assassinato de uma autoridade constitucional em uma nação democrática com que os EUA não estavam em guerra".

Mas foi outro 11 de setembro, o de 2001, que o mudou de vez. Fornido no caldeirão do socialismo cavalheiro da Grã-Bretanha, Hitchens tinha o viés agudo de esquerdista.

Odiava o falcão americano Kissinger, escrevia para jornais trotskistas e, assim como seu amigo Salman Rushdie, se comoveu pela causa sandinista durante a guerra civil da Nicarágua. Essa foi uma das poucas barcas furadas em que Hitchens embarcou. Aprumou-se aos poucos na década de 90, quando apoiou a intervenção da Otan na Bósnia e espinafrou a esquerda americana pela sua defesa de Bill Clinton, que chamou de "mentiroso, capanga e estuprador". A ruptura definitiva com a esquerda veio no 11 de Setembro. Ele preparava uma palestra sobre os crimes de Kissinger quando os aviões da Al-Qaeda bateram contra as Torres Gêmeas. Hitchens comprou briga com os companheiros da esquerda. Acusou-os de cegueira moral ao não condenar o "islamofacismo" da hora e defendeu a invasão americana do Iraque.

Seria a segunda "furada" de Hitchens. Nesse momento, baixou nele o santo de George Orwell, outro socialista que deu uma guinada para a direita ao assistir à barbárie de Stalin. Mas Hitchens nunca se comoveu pelo canto facial dos ultraconservadores americanos que dominavam as ondas de rádio. E jamais hesitou em denunciar a tortura dos prisioneiros da guerra do Iraque.

Muitos intelectuais escandalizaram-se com a sua conversão. Mas é dessa época que Hitchens também mirou com seu olhar preciso e mortal as disfunções das latitudes sul-americanas, a exemplo da Venezuela de Hugo Chávez. Hitchens, em visita a Caracas, relata como Chávez denunciou como montagem a filmagem da chegada dos astronautas americanos à Lua - imagens em que a bandeira dos EUA aparece ondeando. "O império ianque chegou à Lua? Há vento na Lua?"

Foi a deixa perfeita para Hitchens: "Enquanto Chávez sorria com seu trunfo de lógica, um desconforto tomou conta da conversa", escreveu. "Mesmo sua garimpagem macabra no caixão de Simón Bolívar foi inicialmente justificada pela teoria de que uma autópsia comprovaria que ele teria sido envenenado - provavelmente por malévolos colombianos. Isto daria licença póstuma para que a Venezuela continuasse a abrigar a gangue narcocriminosa das Farc, um empreendimento além das fronteiras que pouco ajuda a promover a fraternidade regional."

E foi só. Talvez houvesse fanáticos e tiranos demais pelo mundo para Hitchens se desviar pelos descaminhos da democracia latino-americana. Mas não custa imaginar o que o polemista titular do jornalismo internacional faria com líderes que amordaçam economistas para acabar com a inflação (Cristina Kirchner), reeditam leis para converter inimigos políticos em bandidos (Evo Morales) ou exumam um cadáver secular para legitimar uma revolução sem rumo. Christopher Hitchens deixa saudades.

Mac Margolis correspondente da revista 'Newsweek' no Brasil e edita o site www.brazilfocus.com.

Hitchens praticava a insubmissão a qualquer poder autoritário.
dezembro de 2011

Mais sobre Hitchens.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Os 10 posts mais lidos em dezembro de 2011

10º - Casal que orou por filho em vez levá-lo ao médico pega seis anos de prisão.

9º - Petição repudia Jô por ter mostrado uso da Bíblia para fumar maconha.

8º - Sottomaior responde a Gandra: fundamentalismo ateu é ficção ilógica.

7º - Malafaia deu prova de intolerância, diz jornalista chamada de 'vagabunda'.

6º - Malafaia chama ateia que criticou evangélicos de 'vagabunda'.

5º - Para provar não ser gay, padre pede à diocese que meça o seu ânus.

4º - Rio gasta R$ 2,9 milhões no festival de músicas evangélicas da Globo.

3º - Presidente do STJ nega que tenha proibido enfeites de Natal.

2º - Vídeo flagra monsenhor em intimidade com ex-coroinha.

1º - Milagreiro Valdemiro procurou um hospital para curar seu joelho.


Posts mais lidos em novembro de 2011.

Posts mais lidos em outubro de 2011.

Pesquisas questionam a suposta generosidade cristã dos brasileiros

Se a generosidade é um dos atributos dos cristãos, por que os brasileiros não se destacam nesse quesito? Duas recentes pesquisas levam essa questão à reflexão.

Pesquisa da americana Pew Research Center confirmou ser o Brasil o segundo maior país cristão do mundo, com 90% de sua população.

Outra pesquisa, feita pela britânica CAF (Charities Aid Fondation), colocou os brasileiros em 85º lugar em um ranking de generosidade. O índice de generosidade dos brasileiros em 2011 foi de 29%, contra os 30% de 2010, na 76ª posição. Houve, portanto, uma queda de nove posições.

Do total de entrevistados, 48% afirmaram que ajudaram um estranho, 26% informaram ter doado dinheiro a instituições de caridade e 14% disseram que participaram de um trabalho voluntário.

Em termos de generosidade, o Brasil está no mesmo nível da África do Sul, Bangladesh, Camarões, Itália, Mali, Marrocos, Moçambique e República Democrática do Congo.

Os norte-americanos são o povo mais generoso do mundo e também o mais cristão, com mais de 90% do total das pessoas. Nesse caso, vale, portanto, a tese de que a cristandade e a generosidade andam juntas.

Mas uma pesquisa feita no Reino Unido entre abril de 2010 a março de 2011 mostrou que cristãos não são mais desprendidos em relação aos não crentes, pelo menos quanto aos trabalhos voluntários. Do total de pessoas consultadas, 56% das sem religião participaram como voluntárias ao menos uma vez em atividades sociais – percentual apenas um pouco abaixo do apurado entre os cristãos (58%).

No caso dos brasileiros, talvez a pesquisa de generosidade da CAF deva ser colocada em dúvida porque somos tidos como um povo naturalmente solidário, independentemente das religiões, se isso não for mais um mito.

Quanto aos cristãos mais devotos, talvez a sua generosidade esteja beneficiando não quem precisa de ajuda, mas pastores cada vez mais milionários.

Nível de generosidade dos brasileiros está em 85º lugar, diz estudo.
dezembro de 2011

Não religioso britânico se dedica ao voluntariado igual ao religioso.
outubro de 2011

Estatística das religiões no Brasil.

Nível de generosidade dos brasileiros está em 85º lugar, diz estudo

da BBC Brasil

O Brasil caiu nove posições e aparece em 85º lugar - empatado com a Argentina - em um ranking que classifica os países pelo nível de generosidade de seus cidadãos.

O índice, elaborado pela entidade Charities Aid Foundation (CAF), com sede no Reino Unido, é elaborado por meio de uma pesquisa que faz três questões: se a pessoa, no último mês, doou dinheiro a uma instituição de caridade, se ela realizou trabalho voluntário ou se ajudou algum estranho ou alguém que ela não sabia se precisava de ajuda.

A média simples do percentual das respostas positivas a essas três perguntas resulta no índice de cada país.

Assim, em 2011, o Brasil apresentou um índice de generosidade de 29%, com 48% dos entrevistados afirmando que ajudaram um estranho, 26% dizendo que doaram dinheiro a instituições de caridade e apenas 14% relatando participação em trabalho voluntário. Em 2010, o país apresentou um índice de 30%, ficando na 76ª posição.

Em termos de voluntariado, o Brasil caiu um ponto percentual em relação a 2010, ficando em 101º lugar, empatado com África do Sul, Bangladesh, Camarões, Itália, Mali, Marrocos, Moçambique e República Democrática do Congo.

Pesquisas questionam a suposta generosidade cristã dos brasileiros
dezembro de 2011

O ranking é liderado pelos Estados Unidos, país que estava em quinto lugar em 2010. Em segundo lugar, aparece a Irlanda, que subiu uma posição em relação ao ano passado, seguida por Austrália (3º) e Nova Zelândia (4º), que, na pesquisa anterior, estavam empatados em primeiro lugar. O Reino Unido subiu três posições e é quinto.

As últimas posições do ranking são ocupadas por Croácia, Albânia, Grécia, Burundi e Madagascar, que tem o pior resultado geral.

A CAF calculou os índices com base em uma pesquisa realizada pelo instituto Gallup, que entrevistou mais de 150 mil pessoas em 153 países.

A entidade afirma que foi verificado um aumento na ajuda a estranhos e no tempo dedicado a trabalhos voluntários. Por sua vez, as doações em dinheiro tiveram queda.De acordo com a CAF, o estudo de 2011 indica um aumento na generosidade dos cidadãos dos países pesquisados, com um aumento do índice global de 31,6% em 2010 para 32,4% neste ano.

Segundo a pesquisa, o maior aumento de generosidade em 2011 foi verificado na Ásia, com quatro das cinco regiões do continente apresentando melhora no índice.

Não religioso britânico se dedica ao voluntariado igual ao religioso.
outubro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal substitui o sentimento de fraternidade pela comilança indigesta

Título original
Por que não festejo e me faz mal o natal

por Mário Maestri 

Não festejo e me faz mal o natal por diversas razões, algumas fracas, outras mais fortes, algumas pessoais, outras sociais. Primeiro, sou ateu praticante e, sobretudo, adulto. Portanto, não participo da solução fácil e infantil de responsabilizar entidade superior, o tal de "pai eterno", pelos desastres espirituais e materiais de cuja produção e, sobretudo, necessária reparação, nós mesmos, humanos, somos totalmente responsáveis.

Sobretudo como historiador, não vejo como celebrar o natalício de personagem sobre o qual quase não temos informação positiva e não sabemos nada sobre a data, local e condições de nascimento. Personagem que, confesso, não me é simpático, mesmo na narrativa mítico-religiosa, pois amarelou na hora de liderar seu povo, mandando-o pagar o exigido pelo invasor romano: "Dai a deus o que é de deus, dai a César, o que é de César"!

O natal me faz mal por constituir promoção mercadológica escandalosa que invade crescentemente o mundo exigindo que, sob a pena da imediata sanção moral e afetiva, a população, seja qual for o credo, caso o tenha, presenteie familiares, amigos, superiores e subalternos, para o gáudio do comércio e a tristeza de suas finanças, numa redução miserável do valor do sentimento ao custo do presente.

Não festejo e me desgosta o natal por ser momento de ritual mecânico de hipócrita fraternidade que, em vez de fortalecer a solidariedade agonizante em cada um de nós, reforça a pretensão da redenção e do poder do indivíduo, maldição mitológica do liberalismo, simbolizada na excelência do aniversariante, exclusivo e único demiurgo dos bens e dos males sociais e espirituais da humanidade.

Desgosta-me o caráter anti-social e exclusivista de celebração egoísta que reúne apenas os membros da família restrita, mesmo os que não se frequentaram e se suportaram durante o ano vencido, e não o farão, no ano vindouro. Festa que acolhe somente os estrangeiros incorporados por vínculos matrimoniais ao grupo familiar excelente, expulsos da cerimônia apenas ousam romper aqueles liames.

Horroriza-me o sentimento de falsa e melosa fraternidade geral, com que a grande mídia nos intoxica com impudicícia crescente, ano após ano, quando a celebração aproxima-se, no contexto da contraditória santificação social do egoísmo e do individualismo. Tudo muito parecido aos armistícios natalinos das grandes guerras que reforçavam, e ainda reforçam o consenso sobre a bondade dos valores que justificavam o massacre de cada dia, interrompendo-o por uma noite apenas.

Não festejo o natal porque, desde criança, como creio que também para muitíssimos dos leitores, a festa, não sei muito bem por que, constituía um momento de tensão e angústia, talvez por prometer sentimentos de paz e fraternidade há muito perdidos, substituindo-os pela comilança indigesta e a abertura sôfrega de presentes, ciumentamente cotejados com os cantos dos olhos aos dos outros presenteados.

Por tudo isso, celebro, sim, o Primeiro do Ano, festa plebeia, aberta a todos, sem deus, sem pátria, sem patrão e, sobretudo, sem discursos melosos, celebrada na praça e na rua, no virar da noite, ao pipocar dos fogos lançados contra os céus. Celebro o Primeiro do Ano, tradição pagã, sem religião e cor, quando os extrovertidos abraçam os mais próximos e os introvertidos levantam tímidos a taça aos estranhos, despedindo-se com esperança de um ano mais ou menos pesado, mais ou menos frutífero, mais ou menos sofrido, mas objetivamente vivido, na certeza renovada de que, enquanto houver vida e luta, haverá esperança.

Este texto foi publicado originalmente no La Insignia, um site espanhol. Mário Maestri  é historiador marxista brasileiro.

Outdoor de ateus americanos mostra Jesus com Netuno e Papai Noel.
novembro de 2011

Para Hitchens, Jesus supera o seu Pai em crueldade

O Novo Testamento, o do Deus pai de Jesus, costuma ser citado por cristãos conscienciosos como uma espécie de upgrade, com menos bugs, do Velho Testamento, onde está o Deus mesquinho, cruel e insano. Para Christopher Hitchens (foto abaixo), contudo, o Novo Testamento é mais terrível que o Velho.

No Velho Testamento, argumenta Hitchens, há o mandado divino para o extermino de povos, o que hoje é chamado de limpeza étnica. A morte, nesse caso, é o castigo derradeiro de Deus a povos como os midianistas e amalecitas. No Novo Testamento, contudo, o castigo aos ímpios não se finda com a morte e prossegue no inferno por toda a eternidade.

Para Hitchens, essa ideia, a mais cruel de todas já feitas, nasceu com Jesus.

"Ele [Jesus] disse pela primeira vez: “Se você não concorda com o que ofereço, saia daqui e vá para o fogo eterno", disse Hitchens em novembro de 2007 em uma entrevista a Elizateh Carvalho para o programa Milênio, da Globo News. Foi quanto o britânico radicado nos Estados Unidos esteve no Brasil para o lançamento do seu livro “Deus não é grande – como a religião envenena tudo” (Ediouro, 304 págs.). 

Nesta entrevista, há um pouco da perspicácia e contundência da critica às religiões do ateu mais brilhante e polêmico da contemporaneidade que morreu aos 62 anos no dia 15 deste mês vítima de um câncer no esôfago. 

Christopher Hitchens esteve no Brasil em 2007
Íntegra da entrevista.

Christopher, vamos acompanhar um pouco a cronologia do seu livro e voltar a Dartwood na Inglaterra, onde você era um menino de 9 anos e tinha aulas de religião com a sra. Jean Watts. Ela parece ter sido a primeira pessoa a ajudá-lo sem querer a duvidar da existência de Deus. Acho que todos passam por uma experiência parecida como essa em algum momento da vida. Mas a verdade é que, independentemente do quão seja dogmática e irracional a religião, bilhões de pessoas ainda preferem abraçar a fé. Como você explica essa necessidade incontrolável por Deus?

Eu só posso dizer que Ele é muito real, muito necessário para milhões de pessoas. Também temos de admitir que, para muitos de nós, talvez 10%, 15%, essa necessidade não existe. Mas a senhora Watts não disse nada que eu já não soubesse. Não foi como uma revelação no caminho para Damasco. “Eu acreditava em algo, mas agora não acredito mais.” Ou: “Eu acreditava naquilo e agora acredito nisso.” Foi apenas a maneira como descobri que não podia acreditar no sobrenatural. Eu não acreditava e não podia acreditar. É algo diferente de um momento de convicção ou de um momento de descoberta. Mas ainda assim se tornou óbvio para mim, como disse Pascal, “do jeito que fui feito, não posso acreditar”.

Como disse, você escreveu esse livro a vida toda.

É muita gentileza você notar isso com tanta ênfase.

Esse longo caminho que o levou a sua inquestionável objeção à fé religiosa foi fácil ou doloroso?

Acho que foi menos doloroso do que a experiência de muitos dos meus amigos cristãos, muçulmanos e judeus após investiram tantos anos da vida em uma fé que sempre se mostrou inútil. Para mim, é um compromisso intelectual, que é tentar fazer as pessoas entenderem que a melhor vida é a que estuda a razão, ironia, literatura, ciência, humor. E que há outras coisas que fazem a vida a não valer a pena. Nós não devemos nada à ditadura do sobrenatural.

Será que isso tem algo a ver com nossa fragilidade, com a nossa “essência de vidro”? É uma bela definição do roteirista francês Jean-Claude Carrière, que escreveu sobre a nossa “essência de vidro”.

Para mim, não há dúvidas. Somos uma espécie parcialmente racional que tem muito medo da morte, do desconhecido, do escuro. Mas também é muito presunçosa, diferentemente do que outros animais. Acreditamos que o universo foi criado para nós. E isso nos convenceu de que nada foi por acaso. Nós temos de ser o centro, o objeto de tudo. Claro! Entre o nosso medo e o nosso egoísmo, é muito fácil vender a religião para nós. É claro que somos o centro de tudo, com o sol girando em torno de nossa terra! Nada seria mais provável. É tudo para mim, para moi. E é muito difícil perceber que tudo isso é besteira.

Seu livro ilustra muito bem como a religião foi prejudicial ao longo dos séculos e quantas atrocidades foram cometidas e ainda são cometidas em nome de Deus.

Não em nome de Deus, mas por causa da crença em Deus.

Mas ao mesmo tempo há razões por detrás delas [religiões]. E essas razões são a luta constante pela dominação, pela expansão, além do medo constante daquilo que é diferente. Medo e desprezo pelo que é diferente. Você acredita que, sem a religião, essas lutas acabariam?

Não. Vou dar um exemplo. O cristianismo copiou o judaísmo. E o islamismo copiou o cristianismo e o judaísmo. São plágios, mas o monoteísmo é original. É a suposta aliança entre Deus e o povo judaico. Segundo os judeus, Deus os mandou rezar toda manhã, e os homens têm de dizer: “Graças a Deus que não sou mulher”. E as mulheres dizem: “Graças a Deus, eu sou o que sou”. E ambos devem agradecer por não serem gentios ou escravos. Mas isso não foi criado por Deus, mas pelos homens. Pelos "homens", para ser exato, do sexo masculino. Assim eles mantinham as mulheres em seus lugares. Assim é fácil. Só um idiota não vê isso. Deus não decidiu isso. Os homens usaram a religião para controlar as mulheres. No entanto, o impulso por controlar as mulheres existiria mesmo que não acreditassem em Deus. Só que seria mais difícil convencer as meninas de que elas eram propriedade dos homens se não dissessem que esse era o desejo de Deus. Dizendo que era o desejo dos homens, elas não ficariam surpresas. Dizendo que era a vontade de Deus, elas poderiam aceitar, como a exemplo da existência de escravos. Deus quer que haja escravos. É diferente de os homens quererem possuir outras pessoas. Então, com o uso da religião, com a invenção da divindade, você pode disfarçar o que obviamente seria uma ditadura débil e hipócrita criada pelo homem. Então livrar-se da ideia do sobrenatural é um passo – apenas um, mas o mais importante –, talvez o primeiro passo, talvez o maior passo no caminho para a emancipação.

Até ler o seu livro, eu não sabia quantas criaturas divinas tinham nascido de virgens como a Maria. Você diz Buda, Krishma, Perseu, Hórus, Mercúrio...

Deus civilizados. Eu não conheço nenhum deus na mitologia -- escrevi um parágrafo sobre isso -- que não tenha nascido de uma virgem. Seria impossível o cristianismo vender a sua religião se não tivesse dado continuidade a essa tradição egípcia, asteca, persa, mongol. Até Buda nasceu de um corte no corpo de sua mãe. Tudo, menos pelo canal vaginal. Uma via impura. Deus, por alguma razão, prefere usá-la como uma mão única.

Isso seria o medo eterno do sexo ou a necessidade de criar, para Deus, uma origem diferente do sistema biológica humano?

Com certeza é o medo que a religião tem do sexo. Mas também é a repulsa masculina pelo que o homem mais deseja. Os homens precisam das mulheres e não gosta do fato de que precisam delas. Eles precisam muito delas e odeiam ter de precisar. Eles repugnam essa necessidade. E a religião transformou isso em um sistema e o torna sagrado. Minha primeira mulher era ortodoxa grega. Era cristã oriental. Quando ela menstrua não podia ir à igreja. Não podia receber o sacramento da missa. Acho que isso também valia para as católicas e com certeza para as judias. E a repulsa pelos fluídos menstruais femininos é muito comum no islamismo e em outros cultos. Isso vem da antropologia humana, não vem do céu, dos planetas, não vem do sol ou da lua. Vem de formas muito primitivas da antropologia humana. Isso é a primeira coisa é que preciso saber.

Falemos das três religiões monoteístas. Você mergulhou na leitura das Escrituras, em uma mesma história contada de três maneiras diferentes. Mas não ficou claro para mim como vê os três homens mais conhecidos da humanidade: Moisés, Maomé e Jesus. Fale sobre eles.

Moisés é uma figura mítica que foi inventada muitos séculos após a sua suposta morte. O Torá, a Bíblia judaica, tem aproximadamente quatro autores. O Pentateuco, os primeiros cinco livros do Velho Testamento,

Moisés inventado?

Os estudiosos da Bíblia sugerem pelo menos quatro autores que se contradizem e às vezes se sintetizam. Ninguém, além dos judeus fanáticos, acredita que Moisés foi o autor do Torá ou que Deus a ditou para ele, o que, nesse caso, ele seria autor de segunda mão. Maomé, que também teria escrito o livro de Deus – ditado pelo arcanjo Gabriel – não é um figura tão mítica, tão lendária. Provavelmente ele tenha existido. É bem possível que tenha existido. Ele está nesse limite, entre a existência e a lenda. Jesus de Nazaré está ainda mais nesse limite, como Guilherme Tell, Robin Hood e o Rei Artur. Com certeza, muito do que foi escrito sobre Jesus foi feito, como no caso de Moisés e Maomé, séculos após a sua morte por pessoas que evidentemente não o conheceram, pessoas muito tendenciosas. Mas o esforço que fizeram para tornar isso realidade sugere que houve alguma participação de um personagem histórico. Em todo caso, há o desenho de criar uma história que fortalece uma crença.

Como você descreveria Jesus na época em que viveu?

Na melhor das hipóteses, os seus partidários que escreveram sobre ele não concordam sobre o seu nascimento, sua vida, sua morte e sua suposta ressurreição. Os quatro evangelhos se contradizem sobre isso. Mas suponhamos que eles tenham tentado fazer o melhor possível, havendo concordância em relação à morte horrorosa. Ou não horrorosa. Para mim, a pergunta mais importante é: é legítimo que os cristãos digam “alguém morreu pelos seus pecados” sendo que essa pessoa na verdade não morreu? Imagine uma questão moralmente mais importante: se alguém se joga em cima de uma bomba que explodiria em uma sala de aula e absorve o impacto, morrendo para salvar as outras pessoas, podemos respeitar isso. E se for diferente, E se essa pessoa puder se levantar dois dias depois e disser: “Eu estou ileso”. Isso diminui a admiração que temos pelo sacrifício. O cristianismo tem todas essas questões morais que não foram resolvidas.

Voltando às escrituras, você disse que o Velho Testamento foi um pesadelo, mas o Novo Testamento foi mais cruel.. O que é tem de tão terrível?

O velho Testamento é um pesadelo porque tem o mandado divino oficial da limpeza étnica, como chamamos hoje, a destruição de outros povos. Na verdade, é uma limpeza étnica genocida que destrói até a última criança, dos midianistas, dos amalecitas e outros. Essas raças deveriam desaparecer. Suas terras deveriam ser tomadas. E se houvesse sobreviventes, de preferência moças, elas deveriam ser escravizadas e por aí em diante. Era um mandado divino para tudo isto: escravidão, genocídio, assassinatos de crianças, etc. E roubo, conquista, desapropriações. Imperialismo do pior tipo. Depois que os midianistas, amalecistas e moabitas foram destruídos, pronto, eles não sofreriam mais por não serem judeus ou por não terem uma aliança com Deus. Mas aí eles já estavam mortos e pronto, não havia inferno. Mas, pelo Novo Testamento, eles seriam torturados após a morte, para sempre. Essa ideia tão cruel nasceu com Jesus, que disse pela primeira vez: “Se você não concorda com o que ofereço, saia daqui e vá para o fogo eterno”. Acho essa é a ideia mais cruel já proposta na História, hoje muito pregada pelos assassinos suicidas do Islã. É o ensinamento centro de sua doutrina perversa.

Por outro lado, sua leitura do Corão o fizeram dizer que o Islamismo é ao mesmo tempo é mais interessante e a menos interessante das religiões monoteístas. Falemos do que é o mais interessante no islamismo.

O islã alega ser a culminância. Talvez devemos dizer a “consumação” da “revelações” de Abraão, Moisés, Jesus. Ele não as nega, apenas diz que agora Deus as completará com suas últimas palavras, depois das quais não se precisar questionar mais nada. Sem mais perguntas porque todas já foram respondidas. Só precisamos reconhecer as boas novas e nos ajoelhar diante delas. É uma doutrina muito perigosa, é claro, porque sugere literalmente que a época do questionamento humano chegou ao fim. Que já temos as informações de que precisamos. E nada pode ser pior do que isso. A mensagem do Corão ainda traz, no fundo, uma ameaça indireta: “Se você não concorda, há algo muito errado em você e você precisa entrar na linha”. E as medidas a serem tomadas devem ser muito severas.

Mas isso também é válido para outras religiões monoteístas?

Sim, é verdade. O sr. Ratzinger, Herr Ratzinger, o bávaro que se diz “bispo de Roma”, e cujos partidários, mas não eu, o chamam de “papa”, disse recentemente que a Igreja Católica Romana é a fé verdadeira. É claro que ele não poderia dizer outra coisa. Os ensinamentos da igreja estão aí, e ele quis reafirmá-los porque houve um enfraquecimento da doutrina cristã. Mas isso é dito desde antes do profeta Maomé. Acho que a diferença é que os clérigos muçulmanos dizem: “Nos conhecemos a Bíblia [cristã], mas a nossa vem depois, é a última, é a definitiva”. É mais parecido com o que os cristãos falam sobre os judeus. Ou dizem que eles [judeus] fizeram tudo errado, que mataram Cristo, que são hereges; ou os veem com bons olhos e dizem que agiram bem, que inventaram o monoteísmo e que só precisam entender que o Messias já veio, que precisam mais esperá-lo. Para mim, como ateu, todas as religiões são falsas. Elas são falsas do mesmo modo: preferem a fé à razão.

Há um capítulo muito interessante no seu livro, o mais generoso, eu diria, no qual você faz a pergunta: “As religiões fazem as pessoas se comportarem melhor?” E surpreendentemente você diz sim quando fala de Martin Luther King.

Não, eu digo que não. Lamento.

Eu entendi que você...

O que eu disse é que a luta pelos direitos civis dos afro-americanos, dos negros americanos, estava pronta muito antes de o dr. King nascer e foi criada por ateus, leigos e negros.

Você reconhece o papel importante que ele teve?

Retoricamente, a justificativa para o racismo e a escravidão era cristã, especialmente a cristã. É muito inteligente, retoricamente, poder usar a linguagem do cristianismo dialeticamente, mas não ajuda a provar que o racismo e a escravidão são moralmente condenáveis. Nos termos do Velho e do Novo Testamentos, eram um caso encerrado. É apenas uma grande vitória da propaganda: uma vitória retórica porque a religião nunca fez ninguém se comportar melhor. Mas certamente não poderemos dizer que religião não fez as pessoas agirem pior ou não poderíamos usar a justificativa cristã para a escravidão por mais de 200 anos e a justificativa judaica antes disso. Todas as justificativas para a escravidão são religiosas.

Você pertence a um pequeno e seleto grupo de evolucionista que propõe um Iluminismo renovado, centrado no homem. Pessoas como Richard Dawkins e Daniel Dennett, que se chamam de brights, iluminados.

Vou definir assim: eu não posso dizer que tenho uma luz interna. Se você disser que vê isso em mim, eu fico honrado. Mas eu não posso dizer que você deve me ver assim porque seria arrogante de minha parte. O centro do sistema é o ser humano ou a humanidade. Passamos muito tempo tentando mostrar às pessoas que foi a igreja que nos quis convencer de que o universo todo girava ao nosso redor. Por isso não gostavam do Galileu. Queriam que acreditássemos que o Sol girava em torno da Terra, que o universo todo estava centrado em nosso globo. Nós dizemos às pessoas ao contrário. Nós não estamos nem na periferia distante do universo conhecido. É hora de entendermos como nosso papel nisso tudo é pequeno. Só quando tivermos um senso de proporção é que provavelmente poderemos ver isso de forma racional.

Mas a “luz interior” também é uma definição de Deus. E há outras. Por exemplo, eu peguei do filósofo de esquerda Toni Negri, que não é exatamente um homem religioso. Ele diz que a única definição possível para Deus é o excesso, a superabundância, a alegria.

Nós não usamos a razão o suficiente. Nós negligenciamos nossas faculdades, do raciocínio, questionamento e ceticismo. Nós não a usamos de mais, nos a usamos de menos. Será um grande dia quando isso existir em abundância.

De todo o modo, podemos acreditar que a humanidade está evoluindo em direção a esse esclarecimento?
Não acho que a humanidade esteja evoluindo.

Nem um pouco?

Não. Acho que no momento estamos regredindo. As forças da teocracia crescem muito rápido. E de modo mais confiante. E com mais violência e mais adeptos que as forças da razão. O período do esclarecimento humano pode parecer uma fração de segundo muito breve, muito pequena na evolução humana, entre o ano de 1680 e hoje. E talvez esteja para sofrer uma eclipse.

Muito obrigada sr. Christopher. Foi muito bom conversar com você.

Em sua última entrevista, Hitchens falou da relação Igreja-nazismo.
dezembro de 2011

Morre Christopher Hitchens, o escritor de 'Deus não é Grande'.
dezembro de 2011

Mais sobre Hitchens.       Ateísmo.       Sobre a Bíblia.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

República Tcheca tem 15 mil pessoas que afirmam ser devotas de Jedi

Obi-Wan Kenobi foi interpretado por
Alec Guiness  na trilogia original
Em censo realizado recentemente na República Tcheca (ou Checa), mais de 15.000 pessoas se declararam Cavaleiros de Jedi, uma fé que se originou de filmes de ficção científica.

Na série Star Wars (Guerra nas Estrelas), os Cavaleiros Jedi são os guardiões da paz da República Galáctica interplanetária. Eles têm o poder da “mente melhorada”, o que permite que usem “A Força” para influenciar pessoas e objetos.

Na Tcheca, as pessoas teriam se declarado Cavaleiros de Jedi por razões combinadas entre si, na maioria dos casos, como protesto contra as religiões, descrédito em relação às crenças e admiração pela série de seis filmes escritos por George Lucas.

De 1918 a 1992, com exceção do período da Segunda Guerra Mundial, a Republica Tcheca e a Eslováquia, na Europa Central, compuseram a federação chamada de Tchecoslováquia. Em 2004, os dois países entraram na UE (União Europeia).

A Tcheca tem mais de 10 milhões de habitantes. Desse total, mais de 5 milhões não preencheram o campo do formulário do censo sobre religião. 1.083.899 disseram ser católicos romanos e 707.649 informaram  não acreditar em Deus. Em Praga, a capital do país, 3.977 pessoas se declaram Cavaleiros Jedi – 0,31% da população da cidade.

Stanislav Drapal, do escritório de estatísticas do país, informou ter incluído Jedi no censo porque não lhe cabe decidir se ela é ou não religião real.

O Brasil também tem Cavaleiros de Jadi, mas não há estimativa de sua quantidade.

Com informações das agências.

Itapeva (SP) faz proselitismo religioso com a cartilha 'Deus na Escola'

Uma cartilha que será distribuída no próximo ano letivo às escolas públicas do ensino fundamental de Itapeva (SP) faz proselitismo explícito do cristianismo, o que é possível verificar já em sua capa [ao lado], desrespeitando, assim, a laicidade do Estado brasileiro determinada pela Constituição.

Os defensores de que o Brasil seja de fato um país laico acusam o ensino religioso, do jeito que vem sendo ministrado, de ser uma forma camuflada de catecismo, beneficiando a Igreja Católica, a religião ainda hegemônica.

Itapeva é um exemplo de que nem sempre o proselitismo religioso nas escolas é feito com sutileza. Nesse caso, privilegiam-se também as denominações evangélicas, deixando as demais religiões de fora.

A cidade tem cerca de 93 mil habitantes e fica a 289 km de São Paulo.

A impressão de 3.000 exemplares da cartilha "Deus na Escola" foi financiada pelo empresário José Reinaldo Martins Fontes Júnior. Ao assumir esses custos, Juninho da Bauma, como ele é conhecido, investe em sua pretensão de se tornar prefeito nas próximas eleições.

A cartilha faz parte da lei “Projeto Deus na Escola” sancionada este ano pelo prefeito Luiz Cavani (PT). A lei é de autoria da vereadora Áurea Aparecida Rosa (PTB).

A justificativa de Áurea ao propor a lei foi de que "Deus na Escola" incutirá nas crianças valores como o do respeito pela vida, convivência fraterna, democracia e integridade.

Ela acredita que o ensino religioso vai ajudar a combater o uso de drogas. “[Porque] quem fala em Deus teme algo e quem teme tem respeito por si e pelo semelhante.”

A Câmara Municipal aprovou o projeto de lei do “Deus na Escola” com facilidade, conforme era de se supor desde o começo. Em seu plenário de votação há uma enorme cruz.

"Deus na Escola" foi aprovado neste plenário dos vereadores
Com informação e fotos da prefeitura de Itapeva.

Ensino religioso é armadilha para a catequização, diz antropóloga.
maio de 2011

Na escola, o respeito aos outros não pode ser amparado em divindade.
por Roseli Fischmann em março de 2011

Religião no Estado laico.

Cardeal do Vaticano lamenta não ter convidado Hitchens para um diálogo

por Giacomo Galeazzi, do Vatican Insider

E Christopher Hitchens ficou de fora do Átrio dos Gentios. Faltou o convite do Vaticano para um intelectual anticonformista e um espírito livre. No post Consigli a un giovane ribelle do seu blog Parola & Parole, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, conta: "Eu não consegui convidar Hitchens para entrar no Átrio. Teria me agradado a ideia de dialogar com fora de polêmicas e atitudes preconcebidas, isto é, comomethórios, assim como definia o sábio Filão de Alexandria".

E, acrescenta, "é precisamente essa a ideia do Átrio dos Gentios: um espaço aberto à luz, em que se encontram e se desencontram o absurdo e o mistério, a pura racionalidade e o 'Tu Desconhecido'. Espero que a morte tenha sido para ele 'uma porta que se escancara e irrompe o futuro', retomando o aforismo de Graham Greene que ele tanto gostava de citar. Seria, para ele, como entrar em uma nova infância".

Ravasi faz cita outro grande laico: "Para Mitterrand que perguntava: 'Em cinco minutos, diga-me a substância da sua experiência de filósofo', Jean Guitton respondia: 'É a escolha entre duas soluções: o absurdo e o mistério'". E, especifica o cardeal, "Christopher Hitchens tinha escolhido a primeira solução, denunciando a religião como 'a principal fonte do ódio neste mundo'. Insistia Mitterrand: 'Mas qual é a diferença? O mistério também parece absurdo'. E Guitton: 'Não, o absurdo é um muro impenetrável contra o qual nos batemos em um suicídio. O mistério é uma escada: sobe-se de degrau em degrau rumo à luz, esperando'", para depois concluir: "Como homem de fé, a minha esperança é de ver o jovem rebelde voltar-se à luz e subir de degrau em degrau até o oceano de amor em que todo o ódio do mundo imerge".

Porém, com apenas dois meses de vida pela frente, o polemista britânico Christopher Hitchens desferiu um último e duro ataque contra o Vaticano, acusando-o de cumplicidade com os regimes totalitários dos anos 1930 na Europa. Hitchens, ateu militante até a sua morte na semana passada por causa de um tumor no esôfago, defendeu, na última entrevista com Richard Dawkins na New Statesman, que todo governo fascista da Europa daquela época era, na realidade, um "partido católico de extrema direita".

Para Hitchens, autor de Deus não é Grande, "quase todos esses regimes chegaram ao poder com a ajuda do Vaticano e com a compreensão da Santa Sé". O polemista defendeu as suas posições como uma batalha contra todo totalitarismo, seja de direita, seja esquerda: "O totalitarismo para mim é o inimigo: aquele que quer ter o controle sobre o que você pensa, não só sobre as suas ações e os seus impostos. E a origem disso é teocrática".

Com tradução de  Moisés Sbardelotto para IHU Online.

Morre Christopher Hitchens, o escritor de 'Deus não é Grande'.
dezembro de 2011

Filosofo ateu recusa convite do papa para encontro inter-religioso.
outubro de 2011

Mais sobre Hitchens.     Átrio dos Gentios.      Ateísmo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Na Espanha, padre se nega a batizar criança com padrinho gay

O padre Manuel Garcia, da cidade espanhola de Huelma, se negou no sábado a batizar uma criança de seis meses de idade porque FDJO, o escolhido para ser o padrinho, é casado com outro homem.

Garcia alegou que o padrinho não se enquadra nas “normas da igreja”. FDJO discordou porque é batizado e crismado – requistos para batizar uma criança.

FDJO disse que, além disso, sempre foi um católico praticante, de assistir às missas aos domingos e participar das atividades assistenciais da Cáritas, além de ter sido catequista.

“Não roubo, não mato, respeito os dez mandamentos”, disse. “Eu não entendo por que a igreja está me crucificando.”

A família da criança ficou decepcionada com a atitude do padre. “Por que o padre se importa com a condição sexual deste homem?”, indignou-se a avó Antônia Carmona. “Nós somos muitos afeiçoados a ele.”

A Diocese da Província de Jaén confirmou que para ser padrinho é preciso também ter uma vida de acordo com “a fé católica”, conforme está no Direito Canônico.

FDJO pretende recorrer à Justiça contra Garcia sob a acusação de discriminação. O padre não quis falar com a imprensa.

Com informação do El Mundo, entre outros sites.

Pesquisa mostra que homofóbicos sentem excitação com homossexuais.
novembro de 2011

Homofobia.

Cidades onde Dia do Evangélico é feriado já são pelo menos 3

Prefeita Dina também aprovou
o programa "Deus na Escola"
Pelo menos três cidades – e não duas como aqui foi noticiado – têm o Dia do Evangélico como feriado.

Além do Distrito Federal e Algodão de Jandaíra, no sertão da Paraíba, Farol (PR) decidiu que todas as atividades da cidade devem parar uma vez por ano, no dia 11 de maio, em homenagem aos evangélicos. Farol tem 4.000 habitantes e fica a noroeste do Paraná.

Pelo fato de o Estado brasileiro ser laico, conforme determina a Constituição, nenhuma cidade, a rigor, poderia transformar em feriado uma data especifica de uma religião.

Como no Brasil já existem dois feriados católicos nacionais  - 12 de outubro (Nossa Senhora da Aparecida) e 2 de novembro (Finados) --, além do Natal, que abrange todos os cristãos, a comunidade evangélica dessas três cidades (se não houver outras) não se sente nem pouco constrangida em impor à população um feriado que só lhe diz respeito.

Em Farol, o feriado do Dia Municipal do Evangélico foi sancionado no ano passado pela prefeita Dina Cardoso (foto), do PMDB. O projeto de lei – uma iniciativa do vereador Agnaldinho do Cachorro Quente (PV) – foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal.

O texto da lei é flagrantemente inconstitucional porque determina que a prefeitura, em parceria com as igrejas evangélicas, promova eventos para comemorar a data religiosa.

O vereador Agnaldinho, na fase de discussão do projeto de lei, argumentou que já existe uma lei municipal dedicada aos católicos – é 13 de junho, Dia de Santo Antonio, o padroeiro da cidade.

Em junho deste ano, a comunidade evangélica de Farol deu mais um exemplo de seu poder de influência na administra pública com o lançamento do programa “Deus na Escola”, com a implantação do ensino religioso na rede pública escolar.

Na oportunidade, Dina discursou: “Em Farol, Deus está na escola, no amor, na família, na fé e na vida”.

Com informação do site da prefeitura de Farol, entre outros.

Dia do Evangélico passa a ser feriado em cidade da Paraíba.
dezembro de 2011

Religião no Estado laico.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Dia do Evangélico passa a ser feriado em cidade da Paraíba

Alves tem sido questionado
pelo Tribunal de Contas
O prefeito peemedebista Isac Rodrigues Alves (foto), de Algodão de Jandaíra, do sertão da Paraíba, sancionou lei aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal que transforma o Dia do Evangélico em feriado.

A cidade tem um pouco mais de 2.000 habitantes. É a segunda do país a ter como feriado essa data que é comemorada no dia 30 de novembro. A primeira é o Distrito Federal, onde o feriado existe desde 1995.

Em 2010, o então presidente Lula sancionou a lei 12.328 oficializando a data como o Dia Nacional do Evangélico, sem considerá-la, contudo, como feriado ou ponto facultativo.

A proposta de criação de mais um feriado em Algodão de Jandaíra é de autoria do vereador Arlindo Salvador (PT). Ele teve a ideia após uma viagem que fez a Brasília.

Emancipada em 1994, a cidade é pobre, a ponto de a prefeitura não ter sede própria. O TCU (Tribunal de Contas do Estado) tem intimado Alves a explicar as contas municipais.

Na contabilidade de 2008, faltou a comprovação dos gastos de R$ 588.450 de transporte de água à população. Em outubro de 2009, o TCU determinou a Alves a devolução de R$ 87.301,55 aos cofres públicos de despesas não comprovadas de aluguel de veículos com recursos do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), um órgão federal.

Com informação do Portal Correio, entre outros sites.

Nos EUA, grupo católico faz campanha milionária para atrair fiéis

Um grupo de católicos está investindo US$ 4 milhões (R$ 6,8 milhões) em uma campanha para atrair os devotos que se afastaram da igreja e também para tentar sensibilizar os não religiosos, incluindo agnósticos e ateus. O grupo criou uma entidade que se chama Catholics Come Home (Católicos Voltem para Casa). 

A campanha, que se baseia em testemunhos, ressalta a importância da Igreja Católica na promoção de obras de caridade e de assistência social e lembra que se trata de uma religião de 2.000 anos.

Os anúncios da campanha serão transmitidos em inglês e em espanhol pelo menos 400 vezes no total neste final de ano na CBS, NBC e CNN. A expectativa é de que atinjam 240 milhões de espectadores em mais de 10.000 cidades.

Pesquisa de 2009 da Igreja Católica americana apurou que naquele ano o número de católicos era de 68 milhões ou 22% da população. De acordo com estimativas independentes recentes, cerca de 2 milhões de fiéis se afastaram da igreja desde a explosão do escândalo dos padres pedófilos no país.

O site da Catholics Come Home informa que apenas 33% dos católicos vão à missa semanalmente. “Isso significa que cerca de 42,7 milhões de católicos americanos não são religiosos praticantes.”

A entidade também está preocupada com o crescimento da parcela da população constituída por não religiosos ou seculares. Informa, com um ponto de exclamação, que essa parcela aumentou 110% de 1990 a 2000. “Agora ela representa 13,2% da população.”

Welcome home



Com informação do site da Catholics Come Home, entre outros.

Liga Católica tenta conversão com a campanha ‘Adote um Ateu’.
dezembro de 2011

‘Diga a sua família que você não crê em deuses’, afirma outdoor os EUA.
dezembro de 2011

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