sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

'Não perco meu tempo sonhando em abolir as religiões', escreve Piza

Título original: A fé e o tom

por Daniel Piza

Perdi o pouco que tinha ou poderia ter de fé religiosa entre os 13 e 14 anos, depois de um coquetel de leituras que viria a conter Dostoiévski, Darwin, Nietzsche (O Anticristo) e Bertrand Russell (Por Que não Sou Cristão), os dois últimos na coleção Os Pensadores da editora Abril. Mas, na realidade, já desconfiava de tudo aquilo desde quando fui obrigado a fazer primeira comunhão, aos 10 anos, período em que de fato tentei acreditar e rezar e confessar. A chatice e caretice das aulas, a falta de vontade de obedecer aos padres, a sensação de que não fazia sentido pedir perdão por um pecado que a espécie humana teria gravado em sua alma, não apenas por eventualmente ter roubado o chocolate do meu irmão do armário da cozinha – tudo isso era difícil de engolir, como a hóstia que só provei naquela ocasião e nunca mais.

Passei a me declarar agnóstico, como que dizendo “não sei se Deus existe”, o que era a mais pura e dura verdade. Depois aprendi que o termo tinha sido cunhado por outro escritor-biólogo de grande estilo, Thomas Huxley, com intenção muito mais combativa: a de negar qualquer possibilidade de conhecermos fenômenos supernaturais ou místicos. Ao mesmo tempo, ele traçou uma distinção com os ateístas da época, que supunham poder provar a não-existência de Deus ou deuses. Em países como o Brasil, porém, quando alguém declara ser ateu ou agnóstico causa levantar de sobrancelhas ou olhares de esguelha, como se prestes a cometer algum gesto feio ou autodestrutivo. Nos EUA, principalmente em certas regiões, a reação é ainda pior.

De uns anos para cá, talvez por causa dos atentados de 11/9/2001, os ateus e agnósticos decidiram sair do armário. Surgiram movimentos como o dos brights (você leu aqui primeiro), que acham importante aglutinar pessoas que não acreditam em entidades superiores, espírito e vida pós-morte. O livro do mais célebre desses brights, Richard Dawkins, "Deus, um Delírio" (Companhia das Letras), acaba de chegar ao Brasil, onde no final do ano passado já tinha sido publicado o do quase tão célebre Daniel C. Dennett, "Quebrando o Encanto" (Globo). Recentemente li também God Is not Great, de Christopher Hitchens (Twelve), o polemista inglês. Todos têm bons argumentos, mas, devo dizer, nada acrescentam ao que eu já tinha lido e pensado naquele tempo.

O que fica sem destaque nesses livros é a observação de que até mesmo pessoas não-religiosas atribuem sentidos diversos à palavra Deus, como a qualquer palavra genérica e antiga, e de que isso é um direito delas. Para umas, é justamente a aceitação de que não podemos explicar tudo, de que somos pequenos diante dos mistérios e da passagem do tempo, etc. Minha palavra para isso é Natureza. Para outras, Deus é uma crença que ajudaria a fortalecer valores morais, em especial a humildade e a responsabilidade, numa era em que há tanto materialismo e egoísmo. Chamo a isso Ética. E outras defendem a noção como forma de consolo ou esperança, necessária para situações de desespero como a do pai de família bêbado e agressivo que encontra conforto na palavra de Jesus. Meu nome para isso é Ânimo – ou boa vontade, ou bom humor, ou qualquer coisa que designe disposição de continuar vivendo e superar obstáculos.

Mas, se quiserem chamar de Deus, estarei errado ao supor que defendam ou estejam sujeitas a defender um comportamento repressivo e hipócrita, como diz em especial Hitchens, que é mais um panfletário do que um pensador e nem sequer reconhece o papel do imaginário cristão na tradição cultural. Dennett se mostra mais inclinado a investigar por que o cérebro humano precisa de uma dose de ilusão sobre o futuro, mas acha que não existe convívio possível entre ciência e religião, como se a mesma pessoa não pudesse encarar a fé como “encanto” e defender evolução e genética. Dawkins, no prefácio à nova edição de seu best-seller, rebate a crítica – de que a presença da religião na humanidade desde priscas eras é inelutável – dizendo que a aceitaria se dita “num tom que chegasse pelo menos perto do da pena ou da preocupação”.

Aqui está, portanto. A religião me preocupa quando pretende explicar a dinâmica das coisas e estimula dogmatismo e conformismo; só não perco meu tempo sonhando em aboli-la. E, tal como Dawkins, acho que seu problema e o de Dennett e Hitchens é de tom. Há algo tolo em quem critica o fundamentalismo com o mesmo dedo em riste e a mesma pregação exaltada daqueles que acusa.

Reprodução do site do autor.

Explicações da ciência descartam a 'hipótese Deus', diz filósofo italiano.
dezembro de 2010

Mais sobre Hitchens.     Mais sobre Dawkins.     Ateísmo.

Retrospectiva 2010

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O blog voltará a ser atualizado na segunda semana de 2011.

Chinesa viciada em internet pede após divórcio divisão de bens virtuais

Uma chinesa viciada em internet – principalmente em jogos online – recorreu à Justiça de Pequim para que seu ex-marido reparta os bens virtuais, como créditos e avatares, que os dois obtiveram juntos.

O ex-marido também sofre de dependência digital. Eles se conheceram em 2008 em um jogo pela internet, se casaram meses depois e em 2010 se separaram porque nenhum deles cuidava da casa. Os dois ficavam conectados o tempo todo.

A mulher alegou ao Tribunal Popular de Shunyi que, por jogar com a senha do então seu marido, parte do dinheiro virtual dele foi ganho por ela.

O Tribunal arquivou o pedido com o argumento de que a lei só prevê bens que tenham “relação com o mundo real”.

Essa não é a primeira vez que a Justiça chinesa tem de ser manifestar sobre bens digitais.

A Associação de Internautas da Juventude Chinesa estima que o país tenha pelo menos 10 milhões de viciados em internet, um pouco menos do que a população da Grande São Paulo.

A China tem 400 centros de tratamento desse tipo de dependência. Em muitos casos, a terapia é feita com violência. Em 2009, um jovem morreu de tanto apanhar.

Com informação do Beijing Morning Post e do China Daily.

> Casal cuida bem de criança virtual e deixa a real morrer de fome.
março de 2010

> Redes sociais.

MP-SP e Justiça gastam dinheiro com suspeita de furto de galinheiro

Ministério Público do Estado de São Paulo mobilizou todo seu aparato e recursos e os da Justiça, como tempo e salário de funcionários, e luz, telefone, papelada,  entre outros gastos, em caso de suspeita de furto de galinheiro.

MP está de olho no galinheiro
Em março de 2004, o MP denunciou (acusação formal à Justiça) três homens suspeitos de furtar de um galinheiro três galinhas, um galo, duas patas e um casal de ganso. Em janeiro de 2005, acusou as mesmas pessoas de furto de algumas tilápias.

Os gastos (leia-se dinheiro do contribuinte) das duas instituições com a formulação e a tramitação das acusações dariam para a compra de centenas de aves e de quilos de peixe.

Os suspeitos foram condenados em primeira instância pelo furto dos peixes e recentemente inocentados por unanimidade por falta de prova pela 16ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Eles alegaram que pegaram as tilápias em um pesqueiro abandonado. No caso das aves, foram inocentados já em primeira instância.

Em meados de 2010, a acusação de furto de uma galinha no valor de R$ 10 chegou à terceira instância. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou a condenação de um ano de prisão a um homem que foi denunciado pelo vizinho. Só o STJ gastou com a tramitação desse processo cerca de R$ 3.800, o que daria para a compra de aproximadamente 377 galinhas.

Para evitar gastos e o atravancamento ainda maior da Justiça, brigas de vizinhos e crimes de bagatelas deveriam ser resolvidos por intermédio da conciliação entre os envolvidos. Não há informação se nesses casos houve tentativa de acordo.

O MP-SP propôs aumento do seu orçamento anual de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,7 bilhão. O Tribunal de Justiça teve R$ 5,1 bilhões em 2010 e a soma ficará em torno de R$ 5,6 milhões em 2011. O pedido do TJ ao governo foi de R$ 12,3 bilhões para começar a resolver o seu déficit.


Com informação do site Consultor Jurídico e do arquivo deste blog e arte da Folha .

Ladrão de galinha se livra de um ano de prisão
 maio de 2010

Rigores da Justiça contra pequenos delitos de pobres

Acusações de abuso de autoridade

Delegados tiram roupa de escrivã suspeita; caso foi encerrado.
fevereiro de 2011

‘Eu sou o presidente do STJ, e você está demitido, fora daqui!’
outubro de 2010

Desembargadora intimida PM em blitz: ‘Sabe quem eu sou?’ (vídeo)
abril de 2010

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Padre belga candidato ao Nobel confessa ter abusado de criança

Houtart disse que apenas
"tocou" em uma criança
O padre belga e ativista de esquerda François Houtart (foto), 85, confessou ter violentado há 40 anos uma criança de oito anos. Ele disse que apenas “tocou” nela em duas ocasiões. Mas uma prima do padre afirmou que houve estupro.

Em outubro, admiradores do padre inscreveram-no para receber o Prêmio Nobel pelo seu empenho contra a globalização. Nessa época, sob o codinome de “Canônico A”, ele já era um dos denunciados em um levantamento que a igreja belga foi forçada a fazer sobre pedofilia praticada por sacerdotes.

No relatório dessa comissão constam afirmações da prima de Houtart como esta: "A. entrou duas vezes no quarto do meu irmão para estuprá-lo”. O padre tinha se hospedado na casa de sua parente.
Neste ano, a Bélgica, a exemplo de outros países, foi chacoalhada por denúncias de pedofilia cometida por padres desde os anos 60. De acordo com relatório da comissão, foram denunciados 475 pessoas. Pelo menos 13 das vítimas se suicidaram. O Vaticano e a hierarquia da igreja na Bélgica tentaram abafar as denúncias.

Com informação do jornal belga Le Soir.
Cardeal belga tentou silenciar vítima de bispo pedófilo.
setembro de 2010

Padre Marcelo diz que ao tocar em pessoas 'vê coisas que vão acontecer’

Padre disse ter visões parecidas com as de um seriado de TV 
Em entrevista à revista de celebridades QUEM, o padre Marcelo Rossi (foto) disse que quando toca em pessoas vê o que vai acontecer com elas, como nas visões do The Dead Zone (Zona Morta). 

Trata-se de uma série de TV que fez sucesso nos Estados Unidos. O protagonista Johnny Smith, interpretado por Anthony Michael Hall (foto), sofre um acidente de carro e quando seis anos depois acorda de um coma adquire o poder de prever o futuro das pessoas ao tocá-las, porque uma zona morta do seu cérebro foi ativada. A diferença, em relação ao padre, é que Smith também sabe o que já ocorreu.

No Brasil, a série recebeu o nome de Vidente. Passou em canais a cabo e mais recentemente nas madrugadas do SBT.

Marcelo afirmou não se considerar um vidente, porque é “Deus que mostra”.

“Se é bom aquilo que estou vendo, falo. Se é ruim, fico quieto, peço misericórdia. Sempre me preocupo com mulheres grávidas."

Ele deu a entrevista a propósito do seu livro Ágape (R$ 13, 128 páginas, Editora Globo), com prefácio de Gabriel Chalita. Lançado este ano, o livro está há 18 semanas em primeiro lugar no ranking de autoajuda e esoterismo da Veja.

Vidente (o original)

video

Com informação da revista QUEM.

julho de 2009


Evangélicos retomam a crendice de que Xuxa fez pacto com o diabo

Sites e blogs, na maioria evangélicos, aproveitaram um gesto de Xuxa Meneguel (foto), 47, no show de Natal da TV Globo, dia 24, para reforçar a crendice de que ela tem um pacto com o diabo. Após cantar a música “Vem chegando o Natal”, ela fez "o sinal da cruz dos católicos", ressalta um dos blogs, e levantou os dedos mínimo e o indicador. Na linguagem dos sinais, o gesto significa “Eu te amo” -- a apresentadora tem muitos fãs entre os surdos.

Para Notícias Cristãs, contudo, a apresentadora “mais uma vez” é “alvo de suposições de sua relação com Deus e o Diabo”. O blog, que não cita as suas fontes, postou o vídeo “Xuxa debocha de Deus” com o trecho em que ela faz o gesto. O vídeo foi deletado por quem o colocou no Youtube.

O Gospel Mais noticiou – também sem citar fontes -- que “Xuxa causa polêmica após fazer sinal de “chifrinhos”. Ele reproduz um vídeo editado com a simulação de câmera lenta e uma música com o propósito de  incutir a mistificação. [Abaixo uma cópia das imagens.]

Os dois blogs são alimentados por colagens de notícias da imprensa, mas nesse caso produziram textos próprios. O Notícias Cristãs resgatou a interpretação do pastor Josué Yrion de que o nome Xuxa é composto por duas entidades do candomblé, o Exu e o Orixa. Para o religioso -- gaúcho como a Xuxa -- radicado na Califórnia (EUA), o sucesso da apresentadora se explica pelo tal pacto com o diabo.

Em agosto de 2008, a Folha Universal, da igreja do bispo Edir Macedo, apelou a essa interpretação do folclórico pastor para produzir um texto de 1.004 palavras com a foto da apresentadora e o título “Pacto com o Mal?”.

Xuxa entrou na Justiça contra a Folha Universal com pedido de indenização de R$ 3 milhões por danos morais, além da publicação de uma retratação.

Em novembro daquele ano, a juíza Flávia de Almeida Viveiros de Castro, da 6ª Vara Cível da Barra da Tijuca, Rio, proibiu o jornal de publicar fotos da apresentadora, o que tem sido cumprido. A igreja e Xuxa não se manifestam sobre o assunto. Até agora não houve retratação.

Vídeo com manipulação

video

Com informação do Youtube, de Notícias Cristãs e Gospel Mais, entre outros, e do arquivo deste blog.

Universal pagará R$ 150 mil a Xuxa por acusá-la de pacto com diabo.
8 de janeiro de 2011

> Mais sobre Xuxa.    > Fanatismo religioso.   > Coisas do diabo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Mulher escolhe homem em site francês como se fosse sapato

No site de encontros Landieshoesme – lançado recentemente na França – as mulheres escolhem homens como se fossem sapatos. A mulher que se cadastrar terá de informar o tipo de sapato de que gosta, como sacarpin, bota, sandália e tênis, e ficará  conectada aos homens que usam o tipo de calçado que escolheu.

Ela também terá de completar a frase “Para mim, sapatos são...”. Ou “Eu não gosto de pessoas que usem...”.

Os criadores do site associaram os homens aos sapatos porque, dizem, uma pesquisa revela que uma a cada quatro pessoas acha que o sapato reflete a personalidade de quem o usa.

É de se supor que essa pesquisa valha mais para as mulheres, porque os homens não são de reparar muito nos sapatos das mulheres e adereços com bolsa, embora sejam objetos de desejo feminino.

No Landieschoesme, são os sapatos, ou melhor, são os homens que pagam: a mensalidade varia de € 24 (R$ 53) a € 29 (R$ 64,5), além de € 4,9 (R$ 11) para os créditos iniciais. O site promete abranger outros países.

O movimento feminista sempre criticou – com razão – o fato de os homens (ou parte deles) considerarem as mulheres como um objeto sexual, uma coisa. Agora, as mulheres deram troco e tratam os homens do mesmo jeito, e o Landieschoesme é apenas um pequeno exemplo disso.

Ou seja, as mulheres, quanto ao comportamento, não conseguiram mudar os homens e estão cada vez mais parecidos com eles.

No mais, Hannah Arendt (1906-1975) escreveu que coisificar uma pessoa é a origem de todas as violências.

Com informação do Landieshoesme.

Game de moda vende filhos adotivos de Angelina Jolie como acessórios.
janeiro de 2010

> Internet começa a substituir os amigos no papel de cupido.
agosto de 2010

Casos de violência de mulher contra homem.    > Redes sociais.
>

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Igreja Católica se desliga de hospital que fez aborto para salvar mulher


A Igreja Católica se desligou do St. Joseph Hospital (foto), em Phoenix (EUA), porque fez em novembro de 2009 aborto em uma mulher grávida de onze semanas.

Os médicos informaram que, se não fosse feita a intervenção, a mulher de cerca de 20 anos morreria. Ela sofria de hipertensão, que se agravou com a gravidez. Os órgãos vitais como o coração e os pulmões já estavam à beira do colapso. Não havia nenhuma chance dela sobreviver se a gravidez avançasse. Com a morte dela, não se saberia se o bebê pudesse ser salvo.

O bispo Thomas Olmsted não aceitou os argumentos dos médicos. Para ele, o hospital, antes de fazer o aborto, deveria cuidar da doença da paciente. “Em vez disso, o St. Joseph decidiu que o bebê saudável deveria ser morto. Isso é contrário aos ensinamentos da igreja.”

Linda Hunt, diretora do hospital, disse que, quando uma gravidez ameaça a vida  de uma grávida, o procedimento médico é salvá-la e também o bebê. “Mas se isso não for possível, a prioridade é salvar quem pode ser salvo, e foi isso o que ocorreu nesse caso.”

O St. Joseph tem 697 leitos e equipe de 5.000 profissionais. Em 2010, atendeu mais de 4.000 pacientes. Ele é considerado um dos melhores dos Estados Unidos em neurocirurgia e no tratamento do Mal de Parkinson.

O hospital foi fundado há 115 anos por freiras. Como não recebe nenhuma ajuda financeira da igreja, o fato de deixar de ser uma instituição católica não mudou nada em seu funcionamento, exceto as cerimônias religiosas, que ali deixaram de ser realizadas.

Com informação do jornal britânico Guardian.


Evangélicos dão cursos de ‘cura’ de gays em países da América Latina


Entidades ligadas a igrejas evangélicas estão dando seminários e cursos de “restauração” de homossexuais masculinos e femininos em países da América Latina, como Argentina, Colômbia e México. 

Os cursos se destinam a pastores, líderes religiosos e psicólogos cristãos para que saibam como tratar de homossexuais. As pessoas que sofrem “desse problema” também são bem-vindas, esclarece o site de uma das entidades.

Na Argentina, por um curso de até três dias o participante paga preço na faixa de R$ 85 a R$ 250. Existem cursos básicos e avançados.

Neste país, dois grupos de evangélicos se destacam na realização dos cursos, o Ministério de Restauração Sexual da Igreja da Cidade e a Fundação Pró Integração e Saúde Sexual. Haverá no país em abril o oitavo encontro da Capacitação de Líderes da Área de Restauração Sexual.

No México, a Exodus Latinoamérica ministra cursos com tópicos como “Raízes do homossexualismo e lesbianismo”, “o processo de cura”, “como evangelizar a comunidade gay”, “desmascarando o lado sombrio da vida gay”, “como se prevenir da homossexualidade”, “combatendo as tentações sexuais” e "respostas bíblicas para a teologia gay”.

A Exodus Latinoamérica está ligada à Exodus Global Alliance, uma organização americana cristã dedicada à cura da homossexualidade "através do poder transformador de Jesus Cristo”, de acordo com o seu site.

Adriana Sanz, do Ministério de Restauração Sexual, disse que na Argentina os cursos têm sido bastante procurado por homossexuais de 18 a 30 anos. “A homossexualidade é desvio”, disse. “Se tivermos consciência da função sexual [do ponto de vista religioso], então podermos corrigir esse desvio.”

Esteban Paulón, presidente da Federação Argentina de Lésbica, Gays e Bissexuais, disse que os cursos são frequentados na maioria por jovens levados por seus pais.

Do site da Exodus
O governo da Argentina está investigando os  cursos para, se for o caso, enquadrar os responsáveis na lei de discriminação sexual. O país legalizou recentemente o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

No Brasil, a psicóloga e evangélica Rozângela Alves Justino foi advertida em 2009 pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia) para que parasse com o tratamento de “cura” de homossexuais, porque não se trata de uma doença.

Com informação da agência EFE e dos sites do  Ministério da Restauração das Águas Vivas, Exodus Latinoamérica e Exodus Global Alliance.

novembro de 2009

Secretaria de Justiça adverte Datena por discriminar travesti

A Secretaria de Justiça de São Paulo advertiu o apresentador José Luiz Datena (foto) por ter feito afirmações homofóbicas. O órgão tinha aberto um processo administrativo a pedido da Defensoria Pública, que acusou Datena de, no seu programa “Brasil Urgente”, na Band, se referir a um travesti com expressões como “travecão butinudo do caramba”.

Datena disse que não houve discriminação porque suas afirmações foram em defesa de um cinegrafista da emissora que, segundo ele, foi empurrado pelo travesti quando filmava uma briga de rua. “Não falei sobre a opção sexual da pessoa.”

A Defensoria Pública acha que a advertência é insuficiente para punir o apresentador e vai apresentar recurso à Secretaria de Justiça para que Datena seja condenado ao pagamento de uma multa de R$ 246 mil.

Datena também foi denunciado (acusação formal à Justiça) pelo procurador Jefferson Aparecido Dias, dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal em São Paulo, por manifestar preconceito contra os ateus. Por em seu programa atribuir aos ateus a responsabilidades pelas atrocidades da humanidade, o apresentador está respondendo a uma ação civil pública.

Com informação da Folha de S.Paulo.

Ninguém é mais desprezado pela sociedade do que o travesti.
artigo de Drauzio Varella, abril de 2009

por Vera Guimarães Martins em dezembro de 2010 

Diretor de prisão obriga detentos a assistir TV evangélica 24h por dia

Só o diretor, que é evangélico, pode mudar o canal
Desde 3 de outubro, Luís Fernando de Souza, diretor de uma prisão em Belo Horizonte (MG), obriga os detentos a assistir a emissora Rede Super, da Igreja Batista da Lagoinha. Ele é presbiteriano.

Os aparelhos de TVs LCD de 32 polegadas – doados pela igreja – instalados nas dez celas ficam ligados 24 horas por dia. Os detentos só podem abaixar o som ou alterar o brilho e o contraste das imagens. O controle de mudança do canal fica na sala do diretor. 

Souza disse que também exibe a programação das emissoras católicas Rede Vida e Canção Nova e da TV Justiça, mas um detento afirmou que isso ocorre só de vez em quando.

Para o juiz Márcio Fraga, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a iniciativa de Souza é “imprópria e absurda”, ainda que o objetivo dele tenha sido tranquilizar os detentos, porque ninguém em um estabelecimento público pode ser forçado a assistir uma programação de tv religiosa. “O Estado brasileiro é laico.”

A prisão chama-se Centro de Remanejamento do Sistema Prisional São Cristóvão. Ali, os detentos ficam poucas semanas, até que sejam enviados para as penitenciárias onde cumprirão pena.

A iniciativa tem o apoio das autoridades mineiras, que pretendem adotá-la em outras prisões do Estado. A experiência do Centro de Remanejamento está sendo considerada como um programa piloto.

Souza informou que os detentos estão agora mais contidos por causa do “amparo espiritual”. "Você chega na cela e está todo mundo quietinho, de olho na TV. Mudam a forma de conversar, falam "bom dia, senhor diretor, tudo bem?" É gratificante."

Ele também usa a rede de TVs para passar filmes com “mensagem boa”, geralmente religiosa, como “À espera de um milagre”, cuja história ocorre em uma prisão.

Afirmou que a escolha da Rede Super foi “natural” por não apresentar pornografia nem apologia ao crime. "Eles [os detentos] não estão preparados para escolher o que é bom porque não têm instrução. Vão querer ver programa com mulher nua e o do Gugu", disse. Além disso, "a religião é um fator de refreio social".

Os presos gostam de passar o dia vendo a tv evangélica, de acordo com o diretor. Mas não é bem assim.  “Eu queria ver o que acontece no mundo”, disse Marcelo Corrêa.

Com informação da Folha de S.Paulo.

Decisão provisória de juiz do Piauí mantém santos em órgãos públicos.
novembro de 2010

Professor é processado por família muçulmana por ter dito ‘presunto’

Uma família mulçumana está processando o professor José Fernández Reyes, de geografia, sob a acusação de xenofobismo por ter dito ‘presunto’ em uma aula com a presença de seu filho de 13 anos, E.S.O. Aconteceu em La Línea la Concepción, uma cidade espanhola de 63 mil habitantes da província de Cádiz.

Presunto de Trevélez
Pela lei islâmica, o porco, entre outros, é um animal impuro, inadequado, portanto, para o consumo. Os mulçumanos fundamentalistas se sentem ofendidos com qualquer associação, ou suposta, entre a religião e o animal.

Reyes negou que sua intenção foi de ofender E.S.O. Disse que citou o ‘presunto’ en passant, ao se referir ao clima do Himalaia, de montanha, como o da cidade espanhola de Trevélez, onde se produz esse derivado da carne suína porque a temperatura  contribui para a sua boa qualidade.

O Diario de Cádiz informou que o estudante, durante a aula, manifestou o seu desagrado, e o professor disse não se importar com a religião de seus alunos e com o que eles comem ou deixam de comer. “Se não está de acordo com o ensino deste colégio [Instituo Menéndez Tolosa], você tem a possibilidade de pedir transferência para outro.”

A família do garoto não gostou da resposta do professor e o processou.

Reyes recebeu o apoio da direção da escola, dos estudantes, das autoridades e até da Federação de Entidades Islâmicas, para quem a acusação é “um total absurdo”, porque o “Alcorão proíbe comer, mas não falar sobre o presunto, como no caso do vinho”.

O professor afirmou nunca ter feito “apologia do presunto ou da carne do porco”. Para ele, a família de E.S.O. está dando ao filho uma educação contaminada pelo fanatismo religioso e a intolerância.

Juan Cisneros, do Ministério Público, disse que a Justiça tem coisa mais séria com que se ocupar e ter gastos  e pediu que o caso seja arquivado.

Com informação do Diario de Cádiz.

> Loja britânica retira porquinho de brinquedo por pressão religiosa.
novembro de 2010

Casos de fanatismo islâmico.   > Outros casos.

'Nada mais brega do que acreditar que você tem virtudes'

Título original: Dez passos pra usar bota branca

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Conversando com uma jornalista de uma importante revista do mercado editorial recentemente, usei algumas vezes a palavra "brega" e ela me perguntou: "Pondé, o que você quer dizer com a palavra brega? Para mim, brega é usar bota branca".

Cumpro aqui a promessa que fiz a ela: vou dizer o que eu acho brega, e você vai ver como vivemos numa época brega.

Antes, um reparo: "brega" normalmente quer dizer coisa cafona, de mau gosto, como gente chorando em programa de TV para dona de casa, churrasco na laje como estilo de vida ou feijoada com pagode (sua presença será perdoada só se você estiver lá para pegar alguém, claro, aí, com Deus ou sem Deus, tudo é permitido).

Outro reparo: para os eruditos, sei bem que sou acusado de estetizar a ética (nisso tenho comigo um excelente cúmplice, Nietzsche). Explico: estetizar a ética é tornar o problema do bem e do mal mera questão de gosto, coisa de gente blasé.

Assumo o risco, quem ficar bravo pegue uma senha. Sei bem que o problema do bem e do mal não se reduz à questão de gosto, mas, num mundo como o nosso, defender-se desse mau gosto que é fazer marketing de comportamento é uma obrigação de qualquer pessoa de bom gosto.

Ser brega é:

1) Querer ser chique. Essa é terrível. Nada mais brega do que se preocupar com o que os ricos pensam de você. Confundir "ter dinheiro" com "ser chique" é coisa de gente pobre de espírito. "Ser chique" é como ter olho azul ou verde: se você não tem, azar o seu, se colocar lentes de contato com cor, será ridículo, como homem careca que usa peruca ou homem que pinta o cabelo.

2) Achar que seu filho não sofre dos males que os filhos dos outros sofrem. Crer que seus filhos não falam bobagens nas redes sociais. Achar que eles gostam mesmo de pepino e berinjela e que são mesmo pessoas preocupadas com o ambiente aos 12 anos de idade.

Some a essa breguice sua crença de que seu "filho consciente" é a prova viva de que você o educou bem e veja nisso uma prova de que você é mesmo legal. Gente assim coloca fatias de laranja italiana em jarras de água em festas e adora receber e fazer elogios no Facebook. Além, é claro, de criar vira-latinhas como prova de consciência social.

3) Achar avião chique. Tirar foto dentro do avião ou de você "com a Monalisa". Ir ao Louvre. Confundir "fazer turismo" com "conhecer o mundo". Uma diferença grande é: se quando voltar, você quiser muito contar para os outros onde foi que você fez turismo.

4) Acreditar em energias. Dizer que "você tem um deus dentro de você" e que ele "lhe entende". Deus deve ter bode de gente como você.

5) Querer que pensem que sua filha é sua irmã. Achar legal ela ser mais careta do que você. Pedir conselhos amorosos para ela.

6) "Respeitar" seu parceiro. No caso dos homens, dizer coisas como "Eu acho que as mulheres são vítimas sociais". Isso é papo de quem só pega mulher chata e feia ou nunca pegou mulher nenhuma.

7) Você até pode ser uma pessoa "fiel" e "honesta", mas, se você conseguir resistir à infidelidade e a "roubar no jogo" seja lá no que for e achar que resistiu não porque você teve medo ou porque a oportunidade não foi tão boa (o que você tem em casa é melhor, por exemplo, ou o risco de ser pego não vale a empreitada), você é mesmo brega.

Se você sabe que está mentindo, você é apenas hipócrita, se acredita mesmo na sua falsa virtude, é brega. Nada mais brega do que acreditar que você tem virtudes quando, na realidade, faltam oportunidades para você realizar seus vícios.

8) Ter sensibilidade de classe média: sonhar com ambientes de gente rica. Achar legal ser celebridade. Pegar trânsito para ir à praia em feriadões. Vestir-se para festa quando você vai a shopping centers.

9) Dizer que "você quer ser feliz" ou que não tem preconceitos. Acreditar numa vida saudável e na psicologia de recursos humanos aplicada à sua vida pessoal: confundir ter amigos com fazer networking, "agregar valor" a si mesmo, fazer marketing pessoal ou marketing do bem.

10) Acreditar em si, na natureza, no progresso da humanidade, na vida e na energia do Réveillon.

> 'Otimismo, principalmente hoje em dia, é um desvio de caráter.'
outubro de 2010

> Artigos de Luiz Felipe Pondé.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Valdemiro oferece R$ 180 mi anuais pelo horário da madrugada do SBT

O apóstolo Valdemiro Santiago (foto), 47, da IMPD (Igreja Mundial do Poder de Deus), ofereceu a Silvio Santos, 80, dono da SBT, R$ 180 milhões por ano pelo horário da madrugada da emissora. A proposta foi recusada.

Silvo Santos deve ter pensado duas vezes antes de se decidir pela recusa,  porque ele precisa de muito dinheiro para tapar o rombo causado por fraudes no valor de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano.

Os R$ 15 milhões que o empresário receberia por mês de Valdemiro daria para pagar a correção monetária do empréstimo que o banco obteve do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) – sem esse dinheiro, o banco quebraria, agravando a saúde financeira de todo o grupo.

RR Soares também quis comprar horário do SBT quando se tornaram públicas as fraudes no Panamericano. O valor da proposta do líder da Igreja Internacional da Graça de Deus teria sido inferior ao da de Valdemiro. Recentemente, Soares renovou o contrato de seu programa diário em horário nobre na Band.

Como a tentativa de recuperação do banco está no começo, e parece que em outras empresas do grupo também houve desfalque, é possível que Sílvio Santos não consiga resistir por muito tempo ao assédio dos líderes evangélicos que dependem da tv para coleta de dízimo.

Com informação da revista Época.

Depois do trízimo, Valdemiro agora pede R$ 60 milhões aos fiéis.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Jesus adolescente é personagem de sátira de escritor ateu

No século 1º, o romano Flato procura uma fonte milagrosa cuja água dê sabedoria a quem a beber. Ele percorre o mundo e experimenta a água de onde passa, mas o único efeito que obtém é a formação de gases intestinais. Na Palestina, ele é contratado por um garoto para desvendar um crime atribuído injustamente ao seu pai. Esse menino é bochechudo e tem orelhas de abano. Seu nome é Jesus, que se torna assistente nas investigações de Flato, de quem leva reprimendas e cascudos.

Esse é o resumo da sátira “A assombrosa viagem de Pompônio Flato” (Editora Planeta) escrita pelo espanhol Eduardo Mendonza (foto), 68. Ele é um ateu estudioso das religiões.

Mendonza começou a escrever o livro como um divertimento e deu conta de que poderia abordar a religião e a história por intermédio do humor. Ele classifica o livro como um ‘thriller esotérico’.

Pegou a adolescência de Jesus porque se trata de um período sobre o qual não há relatos na Bíblia. “Nem há a certeza se Jesus existiu mesmo. Como os evangelhos canônicos não falam da infância de Jesus, decidi jogar com esse vazio, como poderia ter inventado uma história sobre o Rei Artur ou o Super-homem.”

Ele afirma que o romance não é blasfemo, tanto que não houve reação da Igreja Católica. O que é de se lamentar, diz em tom de brincadeira, porque, se igreja tivesse criticado o livro, ele teria vendido mais. “E, na melhor das hipóteses, eu teria sido excomungado.”

O escritor não vê contradição em um ateu conhecedor das religiões. Disse que, como no caso da maioria das pessoas, recebeu uma educação contaminada pela crença e se tornou ateu aos poucos, à medida que ia tomando consciência da repressão religiosa ao sexo e de todo o tipo.

“Era cruel submeter os rapazes ao temor constante por um Deus implacável”, disse. “Mais tarde dei conta de que tudo não passa de um sistema absurdo inventado por homens malvados que queriam submissão das demais pessoas.”

Como ateu, diz, ele está em condições de observar as religiões com isenção e senso crítico, como no caso da avaliação que faz das escrituras sagradas dos cristãos.

“A Bíblia propõe a conquista pela força, a vingança, o assassinato, a submissão da mulher, a superioridade de uma raça e de uma religião sobre as demais. É um conjunto de horrores. Mas não deixa de ser um relato muito divertido.”

Com informação da Folha e Jornal de Notícias, de Portugal.

Ateus suíços querem proibir a Bíblia às crianças por conter crueldades.
novembro de 2010

Consequências da Bíblia para o mal.    Ateísmo.     Mais sobre Jesus.

Britânica viciada em Twitter relata ao vivo parto em 104 mensagens

A britânica Rachel Ince (foto), 29, relatou o parto do seu primeiro filho desde a sua ida às pressas para o hospital até o momento em que teve alta. Foram 104 mensagens transmitidas pelo seu iPhone. Escreveu sobre contrações e dores.

Uma das primeiras mensagens foi às 11:28 do dia 3 deste mês, uma sexta: “Oh, Deus. O que fizemos? Venham contrações.” E continuou twittando. Às 2:17 de sábado, escreveu: “No carro... Lá vamos nós para o hospital”.

Fotógrafa e morada em Birstall, Rachel reconheceu ser uma “twitterdependente” e viciada em outros sites de rede sociais. Por isso, disse, resolveu registrar no microblog “o maior acontecimento de sua vida.”

Durante as twittadas ela se animou com o aumento no número de seguidores. À 1:46 de sexta, escreveu: “Gostaria de saber se o parto vai me conseguir mais de 6 mil seguidores. Já obtive 25 novas adesões”.

O seu filho nasceu às 7 horas de sábado. Um pouco antes, ela tinha escrito: "Vamos, bebê. Venha, menos dores e saia rápido, por favor".

Às 12:52 de segunda-feira, aos seus então 400 seguidores, @InceyWinceyMum escreveu que tinha recebido alta do hospital.

Com informação do Daily Mail.

> Jovem que teria se suicidado deixa sua despedida no Twitter.
agosto de 2009

 Redes sociais.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Faz um ano que Sean foi entregue ao pai; e a avó ainda não se conformou

Faz um ano que a Justiça brasileira entregou o garoto Sean, 10, ao seu pai, o americano David Goldman. Silvana Bianchi (foto), 60, a avó brasileira materna, tem aproveitado a oportunidade para lamentar a perda.  

Bruna, 34, a mãe de Sean, trouxe o garoto para o Brasil de férias em 2004 e disse ao marido que voltaria para os Estados Unidos, mas não voltou. Ela rompeu a união com Goldman, casou-se de novo e morreu de parto em agosto de 2008.

O pai teve de recorrer à Justiça e a políticos e mobilizar a opinião pública americana para que Silvana entregasse o seu filho. Em várias oportunidades, ele se queixou de que ela o impedia que visitasse Sean.

Agora, durante uma entrevista, entre lágrimas, Silvana exagerou: “Não sei se meu neto está vivo ou morto”.

Ela lembrou que a última vez que teve contato com Sean foi em 22 de junho, quando ele telefonou para dizer em inglês que estava bem. “Foi uma conversa sem espontaneidade. Ele parecia ter alguém do lado, tomando conta do que falava."

Silvana sempre quis Sean só para ela, colocando o pai de escanteio, como se a posse do neto fosse uma compensação para a morte de sua filha.

Ela chegou a dizer que a cultura brasileira valoriza a mãe na educação do filho, e ela, como avó, estava desempenhando o papel materno, sem levar em conta que Sean é filho de americano e nasceu nos Estados Unidos. A sua argumentação incluía a defesa de que o padrasto João Paulo Lins e Silva, 36, era mais pai do que o pai verdadeiro.

Sean foi vítima de alienação parental. A figura do seu pai era minimizada pela avó e a do padrasto superestimada.

Lins e Silva, advogado especializado em questões de família, foi usado por Silvana na guerra jurídica contra o pai de Sean. Aparentemente, o padrasto resolveu se restringir aos bastidores desde a a volta do garoto para os Estados Unidos.

Silvana, na entrevista de agora, apela até mesmo para a irmã de Sean para desenvolver a sua narrativa de vítima. Disse que Chiara tem sentido falta do irmão, que pergunta por ele, etc.

“Não consigo acreditar que [Sean] seja feliz lá, sem saber de nós, da irmã”, disse.

Nesta véspera de Natal, Sean deverá telefonar para a avó.

O site bringseanhome.org (‘Tragam Sean para casa’), criado na época da disputa pelo menino, enviou e-mail às pessoas cadastradas dizendo que a relação entre pai e filho “está bem melhor do que qualquer um de nós poderia imaginar ser possível".

Com informação da Folha.

> Família brasileira submete Sean a constrangimento na partida.
24 de dezembro de 2009

Caso da disputa por Sean Goldman.

Menino afirma se chamar Bianca em kit escolar contra homofobia

Um menino com aproximadamente 15 anos afirma em um vídeo que seu nome é José Ricardo, mas esclarece que gosta de ser chamado de Bianca. Ele está vestido de mulher – é um adolescente travesti.

Boletins, cartilhas e o vídeo ‘Encontrando Bianca’, entre outros, compõem o material contra a homofobia produzido pelo MEC em convênio com a ong Comunicação em Sexualidade que deverá ser distribuído a seis mil escolas públicas do país.

O material – chamado por alguns jornais de kit gay – tem sido questionado por diversos setores da sociedade, destacando-se líderes evangélicos. O próprio MEC, por intermédio do seu diretor André Lázaro, de Diversidade, comunicou que alguma coisa poderá ser vetada.

Do jeito que está, o material didático tem combustível de sobra para alimentar uma polêmica. Em um dos vídeos, um menino diz no banheiro da escola estar apaixonado por um colega. Na versão feminina, aparecem duas meninas namorando.

Lázaro informou que o namoro lésbico incluía um beijo na boca. “Nós ficamos três meses discutindo até aonde entrava a língua e acabamos cortando o beijo.”

A favor da distribuição do material há os casos de ataques a homossexuais que têm recheado nas últimas semanas o noticiário.

Contra, há vários argumentos, entre os quais o de que o tom do kit não é adequado, porque acaba incentivando o homossexualismo em crianças cuja personalidade se encontra em formação.

Vídeo da Bianca


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Só em 2010, cerca de 80 mil austríacos católicos deixaram de pagar dízimo

Em 2010, 80 mil austríacos deixaram de ajudar financeiramente a Igreja Católica por causa dos casos de pedofilia cometidos por sacerdotes e professores de escolas católicas do país.

Schoenborn que fuga é
igual à da época do nazismo
Dom Christoph Schoenborn (foto), arcebispo de Viena, disse que esse comportamento dos fiéis é parecido somente com o que houve na época nazista, quando o país foi anexado à Alemanha.

A Áustria é um dos países mais ricos do mundo. Tem renda per capita de de US$ 33 mil e 8,3 milhões de habitantes, de acordo com o censo de 2006.  A religião predominante é o catolicismo.

No começo deste ano, a Igreja Católica do Áustria, a exemplo da de outros países, foi sacudida por denúncias sobre casos de padre pedófilos ocorridos na maioria entre os anos 1960 a 1970.

Em 2009, 53 mil austríacos já tinham desistido de pagar o dízimo à igreja ou de contribuir com qualquer tipo de ajuda financeira. Em 2008, foram 40 mil e em 2007, 36 mil.

Schoenborn reconheceu que a fuga de fiéis tende a continuar.

Com informação do jornal Tiroler Tageszeitung.

Vaticano tentou impedir destituição de padre pedófilo irlandês.
dezembro de 2010

Padres pedófilos.

Mulher bonita e inteligente quer muito mais do que simples dinheiro

Título original: Ela voltou?

por Luiz Felipe Pondé para a Folha

Verão afinal. Muito calor. Fui a um desses eventos chatos, com os quais a classe média sonha. Tédio puro. Gente deslumbrada, buscando "eye contact". Quando entrar num lugar desses, não olhe pra ninguém. Olhe para infinito.

O problema é que esse olhar tem um efeito colateral nefasto: ninguém resiste a alguém que não olha para ninguém. Mais gente chata irá atrás de você mostrando seus monótonos talentos.

Vestido preto básico, leve e curto, sandálias altas. Vi de longe, mas reconheci Andréia. Teria voltado pra ficar? Pelo que me disseram naquela noite, sim. Mulher intrigante ela, sempre achei.

Aquele tipo de mulher que sabe que a distância entre vício e virtude é apenas o número de taças de vinho, por isso bebia pouco se queria ser capaz de dizer "não".

Sempre muito falada pelos outros, era vítima de dois tipos de ódio. Mulher bonita e inteligente, ela cometia dois pecados ao mesmo tempo.

Para os homens comuns, sua inteligência era uma ofensa; para as mulheres comuns, sua beleza era um descalabro provando a injustiça cósmica: poucas têm muito e muitas têm pouco.

Passional por natureza, Andréia, aprendera a dura lição que é controlar seu desejo e seu sexo.

Carregando aquele não sei o quê de talvez promíscuo que desequilibra os homens inseguros (porque falsamente éticos), nossa heroína passara, nos últimos tempos, a falar pouco e a ter gestos curtos, como se a garantia de virtude numa mulher fosse função apenas do silêncio e do pouco movimento das pernas e dos cabelos.

Lera algum filósofo neoestóico e chegara à conclusão de que a virtude da alma é apenas resultado de certos movimentos repetidos do corpo.

Inteligente, ela era uma dessas mulheres que sabia a bobagem que é dizer que tudo que as mulheres querem num homem é dinheiro.

Quando uma mulher é inteligente, ao contrário do que pensam os idiotas, ela quer muito mais do que simples dinheiro porque dinheiro é barato.

Voltando depois de uns anos na Europa, ela havia feito, segundo dizem, um mestrado sobre o cinema de Lars Von Trier.

Publicitária de formação, decidiu, no seu retorno ao Brasil, trabalhar numa produtora de cinema, uma dessas grandes, aparentemente alemã, cuja sede era em Berlin.

Chegando para seu primeiro dia de trabalho, eis que Andréia teve que tolerar seu primeiro assédio moral de uma série que seria obrigada a tolerar nos próximos meses, segundo me disseram naquele evento chato no qual a reencontrei.

Topou logo de cara com um dos diretores da produtora que tentou seduzi-la para um documentário que supostamente ele faria sobre populações carentes na periferia de São Paulo ("Que tédio!", ela pensou, "que assunto monótono!").

Ele devia ser uma dessas almas pequenas, uma dessas pequenas autoridades amantes de seu minúsculo poder.

Sabendo que Andréia deveria trabalhar não sei ao certo com quem, que ele odiava, mas a quem ela adorava de paixão, nosso cineasta medíocre, diante da recusa dela, passou à agressão de seu colega famoso.

Ela fingiu ouvir com atenção, mas pensava em outra coisa enquanto ele destilava sua inveja.

Maldição eterna das mulheres bonitas, elas costumeiramente têm que aturar, além da inveja das feias, a inveja dos homens fracos, porque não as tem.

Pensando bem, pelo que me disseram desse sujeito, sua postura era um tanto a de um cidadão atarefado e sem muita imaginação.

Vale a pena lembrar que nosso diretor de documentários "sociais" era alguém que um dia sonhara ser um grande cineasta, mas que, ao final (por absoluta falta de talento e uma certa preguiça intelectual típica da maioria das pessoas do mundo da cultura), acabara por se ocupar com a rotina de papéis e carimbos na produtora. Seu dia a dia era envenenado por aquele tipo de inveja típica das almas incapazes.

Não falei com ela. Vi que estava um tanto aborrecida. O tal cineasta medíocre a seguia com os olhos. A beleza pode ser mesmo um azar.

Por isso, provavelmente, ela de repente sumiu, "voando" numa BMW preta. Perdi-me nos delírios do quanto ela ficaria molhada de suor, numa noite quente como aquela.

setembro de 2010

Explicações da ciência descartam a 'hipótese Deus', diz filósofo italiano

por Márcia Junges para IHU Online

D’Arcais: "Pluralidades não devem
ser postas sem necessidade"
Deus é uma hipótese desnecessária, pois o surgimento do cosmos e da vida são demonstráveis através de proposições explicadas pela ciência, afirma em entrevista por e-mail o filósofo italiano Paolo Flores D’Arcais (foto). 

Para dar sustentação ao seu argumento, vale-se da “Navalha de Ockham”, conceito criado pelo filósofo medieval cristão, o inglês Guilherme de Ockham, para assinalar que pluralidades não devem ser postas sem necessidade. “O relativismo dos valores é uma consequência lógica do ateísmo”, completa. 

Em seu ponto de vista, “a inteira história humana é, de fato, diacrônica e sincronicamente um gigantesco afresco de valores relativos, incompatíveis uns com os outros”. Dessa forma, o relativismo de valores é um fato, o que não implica, necessariamente, o niilismo, “que consiste em considerar todos os valores como equivalentes”. Para D’Arcais, não há sentido na pergunta “no cenário ocidental de relativismo dos valores, qual é o espaço para a solidariedade e a tolerância?”. 

Outro tema debatido pelo italiano é a “revanche Deus”: “Quando diminui a esperança terrena na luta política e social, é natural que retorne o seu sub-rogado celeste. O fenômeno da ‘revanche de Deus’ diminuirá tão logo tornem maciças as lutas pela democracia radical, com perspectivas críveis de sucesso ao menos parcial”. O terreno comum entre cristãos e ateus “não depende da fé, mas das escolhas ético-políticas de cada um, seja ele ateu ou crente”, define.

D’Arcais é diretor da revista MicroMega, colaborador dos jornais El País, Frankfurter Allgemeine Zeitung e Gazeta Wyborcza. Professor e pesquisador na Faculdade de Filosofia La Sapienza, da Universidade de Roma, escreveu sua tese de doutorado sobre Adam Smith e Karl Marx. Considerado um dos mais importantes críticos de esquerda da Itália, escreveu vário livros.

A entrevista.

Há algum nexo causal entre ateísmo e relativismo de valores?

O ateísmo é a simples constatação que: 1) a história inteira do cosmos, do Big Bang até hoje, o nascimento da vida sobre o planeta Terra e a evolução da vida da lombriga até o homo sapiens, são perfeitamente explicados pela ciência, sem necessidade de recorrer à “hipótese Deus” (e segundo a “navalha de Ockham”, é sempre filosoficamente inaceitável levantar a hipótese de uma causa oculta quando já temos explicações suficientes). E que: 2) o cérebro do homo sapiens é somente uma evolução e modificação do cérebro de um macaco, e todas as partes de um cérebro se desfazem com a decomposição que segue a morte, como também aqueles segmentos extraordinários do neocórtex do pós-símio sapiens que reassumimos sob o nome de “consciência”. Pelo que, após a morte, não pode existir nenhuma vida pessoal, não pode existir algum “do lado de lá”.

O relativismo dos valores é uma consequência lógica do ateísmo. Mas, continuaria inevitável também sem o ateísmo. A inteira história humana é, de fato, diacrônica e sincronicamente um gigantesco afresco de valores relativos, incompatíveis uns com os outros, visto que, como já recordava Pascal (de fato nada ateu e mesmo catolicíssimo), “... (lei) universal não existe nenhuma. O furto, o incesto, o assassinato dos filhos e dos pais, tudo encontrou seu próprio lugar entre as ações virtuosas”. O relativismo dos valores é um fato, inelutável. Há muitos ateus (ou agnósticos) que procuram remover este fato com inexauríveis e falimentares tentativas de redescobrir uma inencontrável “moral natural”. São as várias formas de “cognitivismo ético” que, no entanto, não resistem à reflexão crítica.

Ninguém ainda conseguiu, de fato, demonstrar (no mesmo sentido da geometria, ou pelo menos da física e da biologia) que uma asserção moral seja verdadeira recorrendo somente a dados empíricos acertados e à lógica. Para fundar uma asserção moral é, ao invés, sempre inevitável recorrer a uma asserção moral precedente, num regresso ao infinito. O valor primeiro (ou último) que funda toda a cadeia é, portanto, indemonstrável. Para alguém será a dignidade igual entre todos os seres humanos, para outro o direito do mais forte a tornar escravo o mais débil. Entre estas duas morais (e muitas outras possíveis) a questão não é de verdade e falsidade, mas de luta (frequentemente mortal).

No cenário ocidental de relativismo de valores, qual é o espaço para a solidariedade e a tolerância?

A partir do que expliquei acima, o relativismo dos valores é, portanto, um fato. Mas não implica realmente o niilismo que consiste em considerar todos os valores como equivalentes. Quando se reconhece – o que é inevitável na ótica de um pensamento crítico – que o “cognitivismo ético” e toda pretensão de “moral natural” são ilusões metafísicas, disso não segue, de fato, a equivalência dos valores, mas o dever de escolher explicitamente os próprios valores, na consciência que o valor primeiro (ou último) constitui precisamente uma escolha, uma decisão, que não é fundável no plano da verdade. A moral do nazista não é “falsa”, é abjeta porque eu escolhi como fundamento ético da minha existência a igual dignidade entre todos os homens. Mas, sem esta escolha não estou em condições nem de refutar a opção nazista do ponto de vista argumentativo, nem de combatê-la do ponto de vista prático.

Ora, o Ocidente moderno nasce, com o Iluminismo, precisamente a partir desta escolha. O valor de fundo que permite o produzir-se da modernidade ocidental é a autonomia do ser humano (a partir da sinergia historicamente imprevisível e de todo contingente de ciência + heresia). Autós-nomos, dar-se, de si mesmo, a própria lei. O que implica que tal autonomia considere todos e cada um, pois, caso contrário, seria uma nova forma de heteronomia, de submissão da maioria a alguns privilegiados autocratas. Por isso, não tem nenhum sentido perguntar-se: “no cenário ocidental de relativismo dos valores, qual é o espaço para a solidariedade e a tolerância?”, a partir do momento em que o “cenário ocidental” nasce precisamente escolhendo tolerância e solidariedade como inevitáveis articulações do princípio de autós-nomos. Inevitáveis ambas – a tolerância e a solidariedade – sob o perfil lógico, também se historicamente serão conquistadas através de um processo histórico feito de lutas e sofrimentos ao longo de um par de séculos, da revolução americana até o wellfare dos anos 1960; e o princípio de tolerância se tornará então, desde o início, um pôr em jogo da modernidade, sendo que a solidariedade deverá esperar a irrupção no palco do movimento operário. 

Por essa razão, de vez em quando se reduz no Ocidente a solidariedade e a tolerância e são os próprios valores do Ocidente que acabam sendo traídos. Deste ponto de vista, podemos dizer que a história da modernidade é a história de um conflito de resultados alternativos entre os valores do autós-nomos (para todos e para cada um) e as resistências do privilégio e do obscurantismo, que aceitam a modernidade somente sob a vertente das vantagens tecnológicas garantidas pelo progresso científico. Mas, ao mesmo tempo, obstaculizam a modernidade e a combatem enquanto possibilidade de conduzir desencanto, laicismo e democracia às suas lógicas consequências libertário-igualitárias. Deste ponto de vista, a modernidade é também a história da luta entre a democracia levada a sério e o establishment que a quer redimensionar como instrumento de conservação. Mas, neste conflito, que em anos mais recentes está assinalando preocupantes vitórias para os impulsos mais reacionários, a Igreja Católica hierárquica tem andado com as oligarquias e contra a “tolerância e solidariedade” (e também é impróprio continuar repetindo que, do ponto de vista histórico e ideológico, o conceito de autonomia é “tributário” à igualdade cristã, pois são duas coisas muitíssimo diversas).

A partir do diagnóstico nietzschiano do niilismo e da morte de Deus, abriu-se espaço para uma compreensão do homem que descambou em relativismo de valores. Por outro lado, há um retorno a Deus como salvação para os totalitarismos e a nadificação ou nulificação dos sujeitos. Que impasses e avanços surgem desse panorama do ponto de vista existencial e de autonomia do ser humano?

A “revanche de Deus” não nasce como tentativa de salvação contra os totalitarismos e a aniquilação dos sujeitos. Esta é a tese de Wojtyla e Ratzinger, falsa no plano histórico e insustentável nos planos lógico e filosófico (Wojtyla e Ratzinger fazem remontar os totalitarismos ao iluminismo e à pretensão do autós-nomos!). O Deus da Igreja Católica até encontrou, com os totalitarismos fascistas, formas mais que confortáveis de convivência, e Mussolini foi até mesmo gratificado por Achille Ratti, mais conhecido como Papa Pio XI , com o título de “homem da Providência”. A onda atual de “revanche de Deus” (etiqueta que cobre fenômenos entre si muito diversos e não assimiláveis, desde os fundamentalismos – seja o islâmico ou o dos telepregadores protestantes, ou ainda o das católicas “Comunhão e libertação ” ou dos “Legionários de Cristo ” – aos sincretismos de religiosidade “new age” ou às seitas que na China renovam as religiões tradicionais) nasce, ao invés, como sub-rogação das esperanças de realização radical da democracia que caracteriza os dias da vitória contra o nazifascismo e, sucessivamente, os movimentos de luta anticolonialista no terceiro mundo, esperança que dos anos 1970 em diante se reduziu progressivamente.

Estas esperanças, que encontram uma última labareda em 1968, vêm sendo frustradas pelo triunfo do liberalismo selvagem de Reagan e Tatcher , pelo progressivo empobrecer-se das democracias ocidentais em “partido-cracias”, e pela metamorfose dos vitoriosos movimentos terceiro-mundistas em oligarquias de governo sempre mais corrompidas e sanguinárias. E a derrota do totalitarismo soviético em 1989 confirma este clima de esperanças frustradas: somente alguns países do Leste conseguem – fatigosamente, contraditoriamente, parcialmente – homologar-se às democracias ocidentais (já em crise com respeito aos valores fundantes de “tolerância e solidariedade”, como temos visto), enquanto a Rússia de Putin se torna modelo de “democracia negada” e a China consegue juntar totalitarismo político e desfrute econômico selvagem.

A democracia ocidental se baseia no conceito de autonomia e também é tributária ao cristianismo em função da premissa de igualdade. Como analisa o projeto político da modernidade? Ele está esgotado? Por quê?


Quando diminui a esperança terrena na luta política e social, é natural que retorne o seu sub-rogado celeste. O fenômeno da “revanche de Deus” diminuirá tão logo tornem maciças as lutas pela democracia radical, com perspectivas críveis de sucesso ao menos parcial. O projeto político da modernidade não se exauriu por isso, mas é mais que incompleto e, portanto, a ser retomado, porque a realização de “tolerância e solidariedade” se chama precisamente democracia radical.

Como podemos falar em moralidade, direitos humanos e verdade numa época tão relativista como a nossa?


Os direitos humanos são parte integrante desta luta que deve retornar. Mas para ser “humanos”, devem valer realmente para todos. A declaração de Independência americana, escrita por Thomas Jefferson , fala justamente de “direito à obtenção da felicidade”. Uma felicidade tornada impossível tanto pela falta de liberdade quanto pela desmedida das desigualdades econômicas e sociais. Em 1968 os estudantes de Varsóvia se rebelaram justamente contra o regime comunista, gritando “não há pão sem liberdade”, mas vale obviamente também o recíproco: “não há liberdade sem pão”. É necessário, no entanto, ter claro que os direitos humanos, que devem ser de “pão e liberdade” para todos e para cada um, não são de fato humanos no sentido de serem inscritos espontaneamente no coração do homo sapiens. A prevaricação, a prepotência, a violência, a “lei” do mais forte parecem mesmo ser com frequência a tendência mais natural. Os direitos humanos são, na realidade, direitos civis, escolhidos através de lutas democráticas dos séculos mais recentes. Estes direitos civis são filhos do relativismo porque jamais teriam podido nascer sem o princípio do autós-nomos, incompatível, como é óbvio, com qualquer “soberania de Deus”.

Que valores são comuns entre cristãos e ateus?

Dadas estas premissas que acabo de expor, existe um terreno comum de ação ente ateus e crentes? Certamente, depende do tipo de ateus e do tipo de crentes. Não existe, de fato, uma moral ateia. Existem tantas e um ateu pode ser uma flor de reacionário. E também não existe uma moral dos crentes, mas tantas quantas as interpretações das religiões. Consequentemente, o terreno comum não depende da fé, mas das escolhas ético-políticas de cada um, seja ele ateu ou crente. Por exemplo, entre ateus democráticos que combatem por “justiça e liberdade” e crentes que levem a sério o Evangelho quando se lança contra os ricos (praticamente em cada página) e quando solicita que “teu dizer sim seja sim e teu dizer não seja não, porque o restante vem do demônio”, há plena consonância.

Com tradução de Benno Dischinger

Será que o desenvolvimento científico criou um vazio espiritual?
por Marcelo Gleiser em julho de 2011

Ciência versus religião.       Ateísmo.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Noivo mata noiva e padrinho e se suicida na festa do casamento

Às duas horas da madrugada de domingo (19), o noivo, o supervisor de vendas Rogério Damascena (foto), 29, disse aos cerca de 200 convidados da festa do seu casamento: “Vocês vão ter uma surpresa”.

Ele saiu – teria ido à caminhonete do seu pai –, voltou com uma pistola calibre 380 escondida na roupa, beijou a noiva, a advogada Renata Alexandre Silva (foto), 25, e a matou e também o seu amigo e padrinho do casal Marcelo Guimarães, 40. O último tiro que deu foi na própria cabeça.

Aconteceu em um condomínio de classe média de Camaragibe, cidade do Grande Recife, Pernambuco. Ali, antes da festa, houve uma cerimônia espírita. O casamento no civil tinha sido realizado na sexta (17).

Renata e Guimarães foram baleados na cabeça e tórax e morreram no salão de festa. Damascena foi levado para o hospital e teve morte cerebral na manhã de domingo. Tiago Guerra, irmão da noiva, também foi atingido -- não se sabe se intencionalmente -- e já teve alta do hospital.

Casado e pai de dois filhos, Guimarães era gerente financeiro na mesma empresa de Damascena - uma revendedora de motos. De acordo com amigos dele, não tinha proximidade com a noiva.

Até agora a polícia não encontrou a pistola.

O delegado João Brito (foto), encarregado do caso, não quer falar por enquanto sobre o que levou Damascena a cometer tanta violência. “É preciso respeitar a dor das famílias”, disse. Estão todos abalados.

A partir amanhã ele vai começar a ouvir parentes dos noivos, amigos e testemunhas. Ontem, ele só conversou informalmente com o pai do noivo.

Pelas circunstâncias, a suspeita mais óbvia é de que a causa da violência tenha sido passional. Lúcia Helena Coelho, irmã da noiva, negou essa possibilidade. “Minha irmã amava e queria ser amada. Estava feliz. A família dele a adorava. Ninguém até agora entendeu nada.”

Para Brito, uma coisa é certa: os crimes foram premeditados. Quando Damascena anunciou que haveria uma surpresa, ele já tinha planejado tudo, acredita o delegado.

"Todos foram surpreendidos. Não houve nenhuma conversa no local do crime que demonstrasse atrito entre o casal. Foi a única situação que vi em toda literatura policial em que as pessoas saem de um casamento e, imediatamente, vão para um velório. É um caso macabro."

ARMA - atualização em 23 de dezembro de 2010

João Bosco Damascena, 59, pai de Rogério, entregou a arma dos homicídios à policia. Ele admitiu que tinha pego arma antes de levar o filho para o hospital. A pistola calibre 380 não tem registro. A polícia apreendeu o notebook do jovem para apurar a causa dos crimes. Até agora -- e já foram ouvidas cerca de pessoas --, os indícios apontam que o rapaz tinha um ciúmes doentio da noiva. Não há nenhum testemunho de que Renata a Guimarães tivessem um envolvimento amoroso.

Com informação das agências e TV Globo e foto do casal do Orkut.


'Fundamentalismo religioso sempre esteve na ofensiva contra os ateus'

Título original: Sagrado e Profano

por Boris Fausto para o Estadão

Ao longo dos últimos dois séculos, o processo de dessacralização do mundo avançou no Ocidente até declinar, em anos mais recentes. Trocando em miúdos, a religião está na ordem do dia. Esse quadro se explica por vários fatores, entre eles a carência material que afeta muitas pessoas, assim como a fragilidade da condição humana, independentemente do nível social.

A ressacralização ocorre também no Brasil, onde o tema da separação entre a Igreja e o Estado, entre o público e o privado, ganhou relevância, sem nunca ter deixado de existir. No plano político, em novembro de 1985 Fernando Henrique Cardoso sofreu um sério abalo em sua candidatura a prefeito de São Paulo quando o apresentador de TV Boris Casoy armou-lhe uma arapuca, perguntando se ele acreditava ou não em Deus. Na recente campanha presidencial, obcecados pela conquista de votos, os dois principais candidatos fizeram uma exuberante demonstração de sua suposta religiosidade e condenaram a prática do aborto, numa atitude francamente regressiva.

Fora do campo eleitoral, as diferentes denominações religiosas, com destaque para os "evangélicos de mercado", não se limitam a louvar o Senhor, mas atacam o demônio - tentação onipresente - e os que não acreditam em Deus. Isso sem falar de personagens que na televisão alcançam boa audiência, como é o caso de José Luiz Datena. Volta e meia, ele desfere furiosos ataques às pessoas que "não têm Deus no coração", associando o ateísmo a crimes horrendos praticados em São Paulo, a ponto de provocar a intervenção do Ministério Público Federal.

Do outro lado da moeda, o anticlericalismo - que não se confunde necessariamente com o ateísmo - ganhou força nos últimos anos do século 19 e nos primeiros anos do século 20 graças à afirmação do cientificismo laico republicano e do surgimento do anarquismo.

Mas o desequilíbrio entre os ataques aos "inimigos de Deus", de um lado, e a sustentação do ateísmo, de outro, salta aos olhos. O fundamentalismo religioso de várias espécies sempre esteve na ofensiva contra os descrentes. Por sua vez, passados os tempos do anarquismo os ateus recolheram-se quase sempre ao silêncio, pois suas concepções eram e são tidas como vergonhosas aos olhos da maioria.

O censo realizado no ano 2000, ainda que defasado, revela um dado curioso. O porcentual da população residente que se declara "sem religião" subiu de 4,7% em 1991 para 7,4% em 2010. Um aumento só comparável ao dos evangélicos, que foram de 9% para 15,4%.

Convém lembrar que o item "sem religião" não é sinônimo de ateísmo, pois nele estão incluídas, presumivelmente, além dos ateus convictos, as pessoas que não acreditam em nenhuma religião, mas nem por isso deixam de acreditar em Deus, assim como os agnósticos.

Vou me restringir ao grupo dos agnósticos, no qual me incluo. Se é de senso comum que ateu ou ateia é alguém que não acredita em Deus, a maioria das pessoas ignora o sentido da expressão "agnóstico". Simplificando, os agnósticos se aproximam dos ateus, mas não se identificam com eles por fazerem restrições ao império exclusivo da ciência e deixar uma fresta de dúvida sobre questões metafísicas que o ateísmo rejeita. Dou um exemplo pessoal. Tenho total repulsa pelos fundamentalistas religiosos de todo tipo, mas não me identifico com o ateísmo militante, mesmo quando sustentado por figuras brilhantes como Richard Dawkins, o autor Deus - Um Delírio (Companhia das Letras, 2006).

É significativo constatar que, em meio aos ataques dirigidos aos "sem Deus", surgiu também no Brasil uma contraofensiva organizada, mas à moda brasileira. Quero me referir à Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), que reúne em frente única duas concepções aproximadas, porém distintas. Há poucos dias, em Porto Alegre, a entidade tentou colocar nos ônibus de uma empresa cartazes ousados em defesa do ateísmo, mas a empresa acabou recuando no último momento, segundo notícias da imprensa.

Destaco, que a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos expressa uma iniciativa de divulgar o ateísmo e o agnosticismo, saltando assim da esfera individual e privada para a esfera pública. Entre os vários objetivos da entidade, me chamou a atenção o de "combater o preconceito e a desinformação a respeito do ateísmo e do agnosticismo", isso não só porque o combate a qualquer preconceito deve ser louvado, como também porque a desinformação sobre ateus e agnósticos é muito grande. Para ficar em um exemplo de casa, vi muita gente se embasbacar diante da resposta de minha mulher a uma pergunta sobre sua religião: "Eu sou agnóstica, de formação católica". Desconfio que haja muita gente assim, mas encerrada no armário, entre os que optam no censo por uma denominação religiosa, até porque crer ou descrer totalmente é muito difícil.

Boris Fausto é historiador, professor aposentado do departamento de Ciência Política da USP.

Caminhão religioso persegue ônibus ateu em cidade americana.
dezembro de 2010

Presidente do Sudão defende policiais que deram chibatadas em mulher

O presidente Omar Hassan AL-Bashir (foto), do Sudão, defendeu hoje os policiais que deram 53 chibatadas em uma mulher, conforme mostra um vídeo postado no Youtube.

“Se ela foi chicoteada de acordo com a Sharia, não haverá investigação. Por que há pessoas envergonhadas [com o castigo]? Essa é a Sharia [lei islâmica].”

Não se sabe ao certo por que a mulher foi castigada. As agências internacionais de notícias divulgaram que ela teria cometido o crime de usar  calça.

Quando o caso repercutiu na imprensa mundial, o Ministério da Justiça disse que ia apurar se houve excesso na aplicação da Sharia.

A maioria da população do Sudão é muçulmana e os cristãos resistem à lei islâmica. A divergência religiosa foi uma das causas da guerra civil que durou décadas e acabou em 2005 com um acordo de paz.

Em três semanas, a região do sul do país vai realizar um plebiscito previsto no acordo para decidir se declara independente.

Hassan AL-Bashir afirmou que, se o sul se separar, ele aplicará no Sudão do Norte uma Constituição que seguirá à risca a Sharia, porque ninguém poderá argumentar que há no país “diversidade de cultura e afiliação étnica”.

video

Com informação das agências.

> Mulher do Sudão leva 53 chibatadas por usar calça.
dezembro de 2010

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