terça-feira, 30 de novembro de 2010

Novembro de 2010

2010 | janeiro | fevereiro | março | abril | maio | junho | julho
agosto | setembro | outubro | novembro | dezembro | outros anos

STF adia julgamento sobre prisão do ex-médico Roger Abdelmassih.

> Disque-denúncia Padre Pedófilo da Alemanha recebe 664 ligações.

> Justiça confirma que estudante de biologia é obrigado a dissecar animal.

> Perito criminal faz piada de cadáver cujo irmão assistia à aula.

> Campanha ateísta pede a celebração da razão neste final de ano.

> Na agonia de diminuir as baixarias, estamos gerando meninos inseguros.

> Cabo da elite da PM sequestra jornalista em shopping e mata.

> Vítimas esperam que a volta de Abdelmassih à prisão ocorra logo.

> Adolescente de 15 anos foge porque mãe insistia que fosse à igreja.

> Ministério Público pede pena maior para o médico estuprador.

> Padre continua a defender que poção à base de urina cura câncer e Aids.

> Maníaco da Cruz tem sido 'exemplar' e logo pode ser solto.

> Pai espanca filha para que seguisse ‘as regras da igreja’, e ela morre.

> Vídeo denuncia a reincidência da violência contra a mulher.

> Igrejas obtêm autorização da Anatel para vender linhas de celular.

> Teste de DNA confirma que argentino teve dez filhos com sua filha.

> Médico acusado de estupros é condenado a 278 anos de prisão.

> Partido xenófobo suíço compara modelos nuas com idosas sujas.

> Professora morde aluno de 6 anos; ‘é surreal’, afirma mãe.

> Pastor do veto ao Facebook para evitar adultério fazia sexo a três.

> Justiça proíbe médico de operar pacientes com obesidade mórbida.

> Liberdade não é sinônimo de felicidade, é conflito, agonia, solidão.

> Duas adolescente fogem de casa e são encontradas decapitadas.

> Direito à vida de uma criança deve prevalecer sobre liberdade de culto.

> Youtube elegeu este vídeo como o melhor de 2010.

> Leigos desafiam o Vaticano e criam igrejas na Bélgica e Holanda.

> Papa admite pela primeira vez uso da camisinha 'em certos casos'.

> Vaticano mudará nome da ordem fundada por padre devasso.

> Anúncio de cigarro em ponto de venda é um acinte e tem de acabar.

> Curitiba põe cartum pornográfico em prova de alunos de seis anos.

> Vídeo eleitoral mostra voto dando orgasmo em espanhola socialista.

> Gêmea sobrevive a pacto de suicídio feito com a irmã.

> Netinho terá de indenizar Vesgo em R$ 30 mil por murro no rosto.

> Vídeo mostra que ataque de rapazes na Paulista foi sem motivo.

> Showmício de Valdemiro ameaça mandato de senador de Rondônia.

> Justiça de Minas condena mulher a oito anos de prisão por pedofilia.

> Presa a mãe acusada de dar maconha a filha de dois anos e filmar.

> Agência britânica restringe exibição de anúncio 'provocante' de Beyoncé.

> Testemunhas de Jeová vão a júri popular pela morte da filha.

> Loja britânica retira porquinho de brinquedo por pressão religiosa.

> Reverendo recebe apoio por ter ido à festa fantasiado de prostituta.

> Bombeiros de Tatuí abolem crucifixo; comando manda recolocá-lo.

> Erros médicos matam 15 mil idosos por mês nos Estados Unidos.

> Justiça do Chile acata pedido de gay para que igreja o exclua de registros.

> Médica branca e dançarinas negras trocam acusações de racismo.

> Candidata na Espanha cria game em que dispara contra imigrantes.

> Pressionada, Mackenzie tira de site manifesto contra a Lei da Homofobia.

> Fiéis católicos ingleses posam nus para ajudar igreja.

> Americana diz ter sido demitida por causa de seus seios grandes.

> Português xenófobo mata brasileiro que urinava em uma rua.

> Umbandistas matam evangélico em briga em morro místico no Sul.

> Campanha britânica pelo uso de camisinha é acusada de pornográfica.

> Tudo o que fazemos, quase todo o tempo, é para agradar as mulheres.

> Marido e mulher se separam porque descobriram ser irmãos gêmeos.

> Agências do Vietnã ‘vendem’ mulher por R$ 5,2 mil para chinês casar.

> Padre espanhol tinha fotos de pornô infantil em computadores da igreja.

> Jesus Cristo volta e faz aparição no iPhone por 1 dolar.

> Supermercado do Reino Unido procura igrejas para instalar lojas.

> Decisão provisória de juiz do Piauí mantém santos em órgãos públicos.

> 'Mayara errou, mas não é justo que seja demonizada como racista'

> Gerente Luiz Carlos da Bojo Brasil chama funcionária de 'vaca'.

> Estudante de enfermagem agride professora por causa de nota baixa.

> Anúncio do Pintos Shopping com Gianecchini vira piada na internet.

> Juíza manda Google tirar do Street View foto do engenheiro vomitando.

> Nossa Senhora supera a Mulher Melancia nos downloads de celular.

> Decote de professora atrapalha rendimento escolar, dizem mães.

> Chineses lançam projeto de tumba com conexão bluetooth.

> EUA também vão colocar imagens chocantes nos maços de cigarro.

> É melhor que um relacionamento se acabe com um SMS brutal.

> Hospital de São Paulo opera boca em vez de fimose de menino.

> Pastor americano diz que quem não paga o dízimo rouba de Deus.

> Justiça multa o comentarista Godoi por chamar na Band juiz de ‘fezes’

> Justiça espanhola manda escola tirar crucifixo das salas de aula.

> CNJ afasta juiz para quem a mulher é a causa das desgraças humanas.

> TJ suspende sentença a Sirotsky para que estuprada seja ouvida.

> Suicídio de uma pessoa causa transtornos em outras cinco.

> 50% dos paulistas e cariocas não se casariam com obesos, diz pesquisa.

> Imagens fortes tentam convencer pessoa bêbada a não dirigir.

> Microcomputador apoiado no colo danifica o esperma, alerta urologista.

> Jogadora adota nome de homem, mas continua no time feminino.

> Renner põe na lista negra consumidora que nada comprou.

> Jovem joga torta no rosto do arcebispo de Bruxelas durante missa.

> Parecer contra Monteiro Lobato instala no Brasil um tribunal literário.

> Por que os agentes do Conselho de Educação não reescrevem tudo?

> Cartunista Laerte anuncia que agora não é homem nem mulher.

> Pai da estudante acusada de racismo diz que vai cortar a mesada dela.

> Ong lista 1.037 usuários do Twitter para ser processados por racismo.

> Vaticano adverte grupo que diz saber nomes de anjos e demônios.

> Menina de 13 anos tenta suicídio por causa de maus-tratos dos pais.

> Portugueses do Porto espancam casal que se acariciava na rua.

> Médica indenizará funcionário que o chamou de 'nêgo e morto de fome'.

> Acusada de matar pais estaria antes do crime pedindo 30% de empresas.

> Brasileiros são presos em Israel sob a suspeita de tráfico.

> Jesus perde para os gatos entre os mais pesquisados na internet.

> Morador de favela do Rio filma tiroteio de ‘uma guerra civil’.

> Bíblia não condena aborto nem a poligamia, afirma estudioso.

> Suspeito confessa em vídeo ter matado a menina Camila.

> Juizado determina que galo não incomode vizinho das 22h às 6h.

> Juiz condena pastor por abuso de uma criança 'serva de Deus'.

> Universitária paulista escreve no Twitter: ‘Mate um nordestino’.

> Ateus suíços querem proibir a Bíblia às crianças por conter crueldades.

'Querem democracia? Deixem a mídia em paz e aguentem o tranco.'

2010 | janeiro | fevereiro | março | abril | maio | junho | julho

STF adia julgamento sobre prisão do ex-médico Roger Abdelmassih

Barbosa pediu tempo e Gracie já votou pela cassação da liminar
O STF (Supremo Tribunal Federal) adiou nesta terça-feira (30) o julgamento do mérito do habeas corpus concedido no dia 23 de dezembro de 2009 ao médico Roger Abdelmassih, então acusado de molestar dezenas de pacientes e agora condenado a 278 anos de prisão. 

O adiamento ocorreu porque o ministro Joaquim Barbosa (foto) fez um pedido de vista do processo para analisá-lo melhor e anunciar a sua decisão. Antes, durante a sessão, a ministra Ellen Gracie (foto), a primeira a votar, já tinha se manifestado pelo indeferimento da liminar ou pelo arquivamento. Os dois casos, na prática, implica a derrubada do habeas corpus.

Não se sabe se o julgamento será retomado até o dia 17 de dezembro, quando começa o recesso do judiciário.  Se o STF decidir por maioria de votos a derrubada da liminar, Abdelmassih terá de voltar à prisão para cumprir a condenação anunciada no último dia 23 pela juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16.ª Vara Criminal de São Paulo.

Ainda assim os advogados de Abdelmassih poderão apresentar novos pedidos de habeas corpus, até que a sentença seja ou não confirmada por uma instância superior da Justiça e considerada definitiva, com o "trânsito em julgado", no jargão jurídico.

O especialista em fertilização in vitro -- cujo registro profisssional foi cassado pelo Conselho de Medicina --   ficou quatro meses preso preventivamente, na maior parte do tempo no Presídio de Tremembé, interior de São Paulo. Nas vésperas do Natal, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, um de seus advogados, obteve a liminar do ministro Gilmar Mendes, então presidente do STF, que estava dando plantão no recesso judicial.

A expectativa é de que Mendes vote à favor da manutenção da liminar concedida por ele. Na interpretação do ministro, réu só poderá ser preso quando se esgotar todos os recursos.

Com informação da Agência Brasil.

> Médico acusado de estupros é condenado a 278 anos de prisão.
23 de novembro de 2010

> Caso Roger Abdelmassih.     > Violência contra a mulher.

Disque-denúncia Padre Pedófilo da Alemanha recebe 664 ligações

O serviço de disque-denúncia que a Igreja Católica da Alemanha criou em março deste ano recebeu até a semana passada 664 ligações de supostas vítimas de pedofilia. Desse total, 432 seriam de abusos cometidos por padres ou monges e 232 por leigos ligados a instituições da igreja, como orfanatos.

A Conferência de Bispos da Alemanha informou que a maioria das pessoas (80%) afirmou ter sido molestada mais de uma vez. Apenas 6% mostrou interesse em receber indenização.

No começo deste ano, a hierarquia da igreja na Alemanha, pressionada por denúncias, admitiu que nas últimas décadas dezenas de sacerdotes, principalmente jesuítas, cometeram abuso sexual contra crianças e adolescentes.

Os bispos pediram desculpas, que foram consideradas insuficientes pelas vítimas e seus familiares.

No auge das denúncias, insinuou-se até que o padre Georg Ratzinzer, 86, irmão mais do papa, estivesse envolvido com a pedofilia.

O padre negou ter cometido abuso sexual, mas admitiu que, quando ficava depressivo, dava surra em garotos do coral da arquidiocese de Regensburg, do qual foi responsável por décadas. Alguns meninos desse coral estão entre as vítimas da violência sexual por sacerdotes e devotos.

O governo da Alemanha também afirmou que pedir desculpas era muito pouco e pressionou fortemente a igreja a tomar providências contra os padres tarados.

Uma das medidas da igreja foi criar o disque-denúncia.

Justiça confirma que estudante de biologia é obrigado a dissecar animal

Bachinski disse que vai recorrer da decisão
O TJ (Tribunal de Justiça) do Rio Grande do Sul confirmou a sentença de primeira instância de que estudantes do curso de ciências biológicas têm de participar das aulas práticas de dissecação de animais. 

Em 2007, Róber Bachinski (foto), então estudante de biologia da Universidade do Rio Grande do Sul, obteve uma liminar (decisão judicial provisória) para que fosse liberado dessas aulas com o argumento de que a sua consciência não permite que sacrifique animais.

Na época, o caso levantou polêmica. Organizações de proteção aos animais deram apoio a Bachinski e dentro da universidade ele foi criticado porque teria escolhido um curso errado.

Um professor disse que o estudante era adepto do criacionismo científico e de ideias obscurantistas político-religiosas. Para ele, Bachinski jamais seria um autêntico biólogo, um cientista, porque tinha abdicado da lógica e da razão.

A universidade entrou com recurso contra a liminar e a derrubou. Bachinski levou a questão para o TJ, onde também, agora, perdeu a causa.

Por conta da morosidade das decisões da Justiça, Bachinski conseguiu concluir o curso, no ano passado, sem  frequentar as aulas de dissecação. Ele chegou a considerar a possibilidade de pedir transferência para o curso de filosofia, mas decidiu se formar em biologia e dar continuidade à sua luta contra a dissecação de animais. Agora formado, ele se dedica à pesquisa de métodos alternativos ao uso de animais no ensino de biologia e na pesquisa científica.

Não existe informação sobre a quantidade de animais sacrificados no Brasil nas universidades e no ensino médico.

Nos Estados Unidos, de acordo com dados citados por Bachinski, seis milhões de animais são mortos por ano e nos países europeus, cerca de 12,1 milhões. Mais de 50% das dissecações são de camundongos e ratos.

Bachinski disse que vai recorrer da decisão do TJ. Ele quer que a questão seja apreciada também pela mais alta instância da Justiça. Uma questão que permanece polêmica, ainda mais neste momento em que ratos estão sendo usados intensivamente em experiência de terapias com o uso de células-tronco, e os resultados têm sido promissores em vários países.

No Brasil, por exemplo, um grupo de pesquisadores está conseguindo recuperar com células-tronco os movimentos de ratos paraplégicos, o que dá uma perspectiva otimista a quem sofre de algum tipo de paralisia física.

Bachinski, certamente, não conseguirá entre os paraplégicos nenhuma adesão a sua causa.

Com informação do site do IHU (Instituto Humanitas Unisinos).

> Mariana se desespera e chora, mas salva cão que dono jogou no rio.
agosto de 2010

> Casos de maus-tratos a animais.

Muitos escravos livres se apressavam em comprar seus escravos

Título original: Arsênico

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Devo estar atravessando um período masoquista. Depois da experiência "2012 retardados", que partilhei com você, caro leitor, na semana passada, no final do feriadão da Consciência Negra assisti na TV a cabo a outro lixo, "O Dia em que a Terra Parou", com Keanu Reeves no papel de um ET. Ele é, claro, melhor do que nós, humanos bárbaros.

Para salvar a Terra, ele deve matar 6 bilhões de pessoas. Mas por quê? Porque nós estamos destruindo o planeta, por isso, devemos morrer para salvar as baleias, as baratas e os sacis. O Keanu-ET é uma espécie de "fundamentalista verde intergaláctico" que, por "ser bonzinho", prefere os percevejos aos humanos.

O ET verde só desiste de nos matar "em nome do bem dos siris" quando provamos pra ele que "yes, we can change" (sim, nós podemos mudar) -mantra obamista. O incrível é que tem gente que acha isso legal: nós somos maus, mas os insetos são dignos de redenção cósmica. Está vendo, caro leitor? A cada minuto nasce um retardado entre nós.

Falando em Consciência Negra, sempre achei essa história do "santo Zumbi" mal contada. O fato é que as mesmas pessoas que criticam as vidas de santos católicos em nome da "verdade histórica" caem na mesma armadilha, produzindo hagiografias (vida de santos) ao sabor de suas próprias manias políticas, como no caso de Zumbi [reprodução ao lado], Lamarca, Che Guevara. Quer saber? Prefiro os santos católicos.

Ouvi dizer que Zumbi tinha seus escravos em meio a sua "Nova Atlântida". Incrível! Já sabia, por fonte segura, que muitos escravos, quando ficavam livres e tinham dinheiro, apressavam-se em comprar também seus escravos. Danadinhos...

Não que eu seja contra o feriado da Consciência Negra, muito pelo contrário, "minha religião" é a favor do maior número possível de feriados, pouco importa em nome da consciência de quem for. Não sou esse tipo de pessoa que discursa contra feriados para fingir que é produtiva. Pelo contrário, quanto mais dias nacionais da preguiça, melhor.

Mas eu dizia que o feriadão não foi de todo perdido para minha pobre alma filosófica. Entre outras coisas boas, li o "LTI - A Linguagem do Terceiro Reich", de Victor Klemperer, (Contraponto). Magnífico, deveria ser lido por toda essa gente com pendores fascistas que anda à solta por aí. Termos como "construção de um novo homem", "nova consciência", "autoestima nacional", "nova cultura", "a força jovem" e "novo futuro" são de raiz fascista. Ouvi e li muitos deles por ocasião da Consciência Negra.

Entre tantas coisas importantes, uma que me chamou atenção foi o fato de que, segundo Klemperer, a linguagem do Terceiro Reich era pobre no que se refere a descrições da natureza humana.

Sei que tem gente que tem alergia a essa expressão, "natureza humana", mas tomem alguma medicação quando ouvi-la, como eu faço quando ouço coisas que me aborrecem por aí, como "construção social de novas subjetividades".

Dentro de sua mania de "redefinir" os significados das palavras, os nazistas descreviam a natureza humana apenas dentro do modelo que lhes era interessante: força, solidariedade coletiva, pureza, saúde, eficácia, fidelidade ao grupo. O efeito desse processo (comparado a doses homeopáticas de arsênico para o espírito do povo alemão da época) era o estreitamento da visão da natureza humana, visando a exclusão das contradições que nos caracterizam. São essas contradições que os retardados não suportam.

Incrivelmente, diz Klemperer, a Alemanha não parecia ter muitos recursos mentais para resistir à concordância em massa com esse empobrecimento da linguagem.

A pergunta é: teríamos nós hoje? A tendência da linguagem a se tornar pobre é sempre presente quando nos lançamos em campanhas que visam a construção social de comportamentos, pouco importa o sistema de governo, porque uma língua empobrecida é uma língua envenenada. O que nos enriquece são nossas contradições, nossos erros. Por isso, sempre serei contra qualquer tentativa de construir um "novo homem"; prefiro o "velho homem" e suas misérias.

Quer um exemplo de contradição? Se Zumbi, depois de sofrer o horror da escravidão e de ter conseguido fugir desse horror, tiver comprado escravos para seu uso, aí sim, ele é um nosso igual, com o mesmo rosto. O nosso rosto. Sombrio, às vezes corajoso, às vezes cruel, sempre imperfeito.

'Nada mais brega do que acreditar que você tem virtudes'.
dezembro de 2010

A ditadura dos ofendidos.    > Artigos de Luiz Felipe Pondé.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Perito criminal faz piada de cadáver cujo irmão assistia à aula

Em uma aula de medicina legal, o perito criminal Valdecir Figueiredo mostrou uma imagem de um cadáver projetada por um slide de um homem que tinha sido assassinado por um golpe de faca em briga de bar. Ele comentou que o irmão do morto, desesperado e bêbado, chorou diante do corpo para que ele acordasse.

O que Figueiredo não sabia é que o irmão do morto era um dos 40 estudantes que estavam assistindo à aula, e  logo nas primeiras filas da sala, do curso de Direito e Medicina na FURB (Fundação Regional de Blumenau), em Santa Catarina.

O rapaz ficou abalado, primeiro por causa da exposição do cadáver do irmão e, segundo, porque era mentira que ele estava bêbado e tinha pedido para que o morto se levantasse.

O perito, que deu a aula de graça a convite do professor titular Luis Carlos Fonseca de Melo, disse não saber que o irmão do morto estaria ali, até mesmo porque a seleção das fotos do slide foi feita pela escola, não por ele.

Mesmo assim o estudante processou Figueiredo por danos morais.

No começo deste mês, a 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça condenou a FURB a pagar R$ 11,4 mil de indenização ao estudante.

Em primeira instância, Figueiredo e Melo tinham sido condenados a arcar solidariamente com a indenização, mas o Tribunal aceitou o seu argumento de que eles não tiveram culpa pelo dano moral. Para o desembargador Pedro Manuel de Abreu, relator do caso, toda a responsabilidade pelo episódio cabe à FURB.

Com informação do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

> Estudante de enfermagem expõe fotos de cadáver no Orkut.
junho de 2008

Resumo das acusações de abuso de 39 vítimas de Roger Abdelmassih

A opinião pública passou a ter ideia da dimensão do “Caso Roger Abdelmassih” quando no começo do ano passado algumas poucas mulheres tomaram coragem para denunciar na imprensa, incluindo as emissoras de TVs, os abusos sexuais cometidos pelo especialista de fertilização in vitro mais conhecido do país -- o até então poderoso "Dr. Vida". Em um exemplo da gravidade das acusações, uma ex-paciente disse que, ao acordar de uma anestesia, percebeu que o médico tinha colocado o pênis na mão dela.

A sentença da juíza Kenarik Boujikian Felippe, que condenou na terça-feira (23) Abdelmassih a 278 anos de prisão em regime fechado, contém os relatos de vítimas que permaneceram no anonimato que são tão aterradores e até mais do que foi divulgado.

Para preservar a identidade das 39 vítimas arroladas no processo penal, Kenarik, na sentença, numera-as ou cita-as pelas iniciais do nome. Os depoimentos delas, que não se conhecem, evidenciaram o modus operandi de Abelmassih: ele agia sobretudo no momento de maior fragilidade das pacientes: na sala de recuperação da anestesia.

Talvez nunca venha à tona a real dimensão dessa covardia porque é de se supor que outras mulheres tenham sido violentadas sem dar conta disso, porque estavam totalmente inconscientes, sob o efeito anestésico.

De qualquer forma, o que a sentença de Kenarik expõe já é mais do que suficiente para dar asco em qualquer um. Ao final da sentença, a juíza ressalta que se trata de um processo que precisa ser levado ao conhecimento da sociedade por envolver “diversas questões do direito”.

Segue, então, um resumo das acusações das 39 vítimas, compondo, nas palavras de Kenarik, “um conjunto estarrecedor”.


Caso 1
Em 2002, a vítima que na sentença da juíza recebeu o número de “23” acordou de sua tentativa de fertilização para um pesadelo: sob a camisola, o médico estava masturbando-a com os dedos. Na sala de repouso, o abuso continuou:Abdelmassih beijou-a na boca e lambeu os seus seios. Como a paciente estava fragilidade pela anestesia, ele não precisou de muita força para abrir as pernas dela e penetrá-la. Diz a sentença: “[Ele] introduziu o pênis em sua vagina, sendo que antes ele dizia para [a paciente] segurar o pênis dele. [...] Ela ficou parada na cama, chorou, estava zona e não acreditava que aquilo estava acontecendo e não sabia como reagir”.

2
A vítima “39” iniciou o tratamento na clínica no primeiro semestre de 2002. Foi quando sofreu o primeiro ataque deAbdelmassih. Em sua sala, ele a agarrou de surpresa e lhe beijou a boca, empurrou-a contra uma estante, acariciou o corpo dela e forçou que pegasse no seu pênis. Como a paciente queria muito ter filho, continuou o tratamento. Em 2005, foi abusada de novo pelo médico, que, com uso da força, obrigou-a a pegar no seu pênis.

3
Em 1995, a vítima "A" foi outra da qual Abdelmassih se aproveitou com o uso de sedativo. Ela estava na cama se recuperando da aspiração dos óvulos quando o médico segurou-lhe os braços, acariciou o seu corpo e ‘consumou a conjugação carnal’. Diz a sentença: “Ele a colocou sentada, ficou de frente, apoiou a mão na parede, segurou-a pelo ombro, beijou-a, empurrou-a para a beirada da cama, tirou o pênis, manteve a conjunção carnal e ejaculou. Naquele momento 'ela estava bamba, não teve como ter reação'”.

4
 No dia 16 de janeiro de 2008, Abdelmassih chamou a sua sala uma recepcionista da clínica, a “01”, e a beijou na boca. A funcionária reagiu, mas foi imobilizada pelo médico.

5
Em 1999, a vítima “C”, como outras, foi atacada na sala de recuperação, ainda sob o efeito da anestesia aplicada para a aspiração dos óvulos. Abdelmassih abraçou-a, lhe deu um beijo de língua e pegou a mão dela levando-a até o seu pênis. De acordo com o relato da vítima transcrito na sentença, o médico disse: “Olha como você me deixa excitado, você me excita”. À juíza, a vítima disse: “Comecei a chorar, porque estava voltando dessa anestesia, não estava me sentindo bem”. Ela pediu que ele parasse, que estava lá para ter um filho. Uma coisa que lhe marcou é que sentiu “um mal hálito muito forte que vinha dele, eu tentava empurrar, falando para ele, comecei a chorar muito alto, gritando e falando: “Quero meu marido, quero meu marido”, que estava do lado de fora, ele ouviu e bateu na porta. Foi então que ele [Abdelmassih] parou”.

6
No segundo semestre de 1999, Abdelmassih acariciou a vítima "12" durante um exame de ultrassom. Ele se aproveitou de novo dela na sala de recuperação da anestesia, após a coleta de óvulos: imobilizou-a e a beijou na boca. Ela tentou fugir para o banheiro, mas o médico conseguiu beijá-la de novo.

7
Em novembro de 1999, a vítima "04", após a coleta de seus óvulos, estava na sala de recuperação quando o médico lhe aplicou uma injeção na veia e ela dormiu. A vítima acordou com dor no ânus, que sangrava. Dias depois, um gastroenterologista diagnosticou, pelo tipo de ferimento, que o sangramento tinha indício de ter sido provocado por um coito anal. A vítima nunca tinha tido esse tipo de relação com o seu marido. Ela teve complicação de saúde, precisou ser internada.

8
A vítima "34" sofreu abuso ao final de 1999 e início de 2000. Quando estava na sala de recuperação, após a aspiração de seus óvulos, o médico beijou-a na boca e, sob a camisola, acariciou o seu corpo. Diz a sentença: “O réu estava com a mão nas suas pernas, nas coxas, estava muito próximo e lhe beijava. No primeiro momento, ela pensou que era o marido e assustou-se ao ver que era o réu. Teve um ímpeto de empurrá-lo e foi uma sensação constrangedora, você está meio zonza, não sabe direito o que está acontecendo e tem a sensação de que aquilo não é real. O acusado disse: “Não se assusta, eu vou te ajudar a levantar, você está tonta”, e pegou-a no colo para que se levantasse da cama e ele é uma pessoa grande, alta, e foi colocada de pé perto da porta do banheiro, e deu um “beijo na boca...não selinho, um beijo, beijo mesmo”.

9
A vítima "30" também foi atacada na sala de recuperação da anestesia. Ela estava em posição ginecológica, com as pernas atadas. Quando apareceu, Abdelmassih colocou os dedos em sua vagina para supostamente masturbá-la. Antes, durante uma consulta, o médico já tinha dado um beijo na boca da paciente.

10
M.B. foi atacada em 2001. Após ter recebido óvulos, o que é feito normalmente sem sedação, Abdelmassih imobilizou-a e a beijou na boca, lambeu o seu rosto e seios e, com as mãos, manipulou a sua região vaginal. A vítima tentou gritar, mas o médico tapou a sua boca.

11
A vítima 37 sofreu várias investidas de Roger Abdelmassih de outubro de 2005 a outubro de 2006. Em uma das vezes, na sala de consulta, o médico tentou introduzir o seu pênis ereto na boca da vítima. Ela tentou escapar dele correndo pela sala, em torno da mesa. O médico conseguiu imobilizá-la, acariciou os seus seios, levantou a saia dela e puxou a calcinha. Quando ia estuprá-la, um funcionário bateu na porta da sala, e Abdelmassih teve de se conter.

12
C.A.P. foi atacada por Abdelmassih em duas ocasiões em 1997. Durante uma consulta, o médico agarrou uma de suas mãos e a conduziu até o seu pênis e acariciou os seus seios, além de tentar beijá-la. Na segunda vez, o abuso ocorreu durante o procedimento de transferência de embriões. O médico abraçou-a pelas costas e sussurrou obscenidades.

13
A vítima "40" sofreu cinco ataques de Abdelmassih. Em duas consultas, ele exibiu o pênis ereto e a beijou na boca. Em uma das ocasiões, diz a sentença, o “ réu usou de força e a agarrou forte no corpo dele e [ela] pode sentir o órgão genital, que se encontrava excitado. Uma funcionária abriu a porta, viu que ele a beijava, mas fechou a porta imediatamente, foi quando [o médico] saiu”.

14
A vítima "05" foi atacada em 1997. Após ter sido submetida a uma tentativa fracassada de fertilização, o médico a chamou em seu consultório para consolá-la e a beijou na marra e roçou o seu pênis excitado nela. Diz a sentença: “Ele esfregou o órgão genital na perna e barriga [da paciente] e dava para sentir que ele estava excitado. Ele levava o corpo dele para frente, se debruçando sobre o seu e fazia movimentos e fungava excitado. Um médico bateu na porta e ele pulou para trás e discutiu com o médico. Neste momento, [Abdelmassih] saiu da sala, foi ao lavabo e lavou 'aquela baba que estava na minha cara, aquela baba nojenta' e saiu da clínica.”

15
Em 1999, Abdelmassih se masturbou diante de I.V.C., que estava na sala de recuperação após a retirada dos óvulos, na segunda tentativa de fertilização. Ao final do ato, o médico usou da força para que a vítima pegasse no seu órgão genital.

16
Em outubro de 2001, durante uma consulta para a sexta tentativa de fertilização, Abdelmassih disse obscenidades à vítima “31” e lhe deu um beijo na boca. Em outra ocasião, diz a sentença, o médico segurou fortemente as suas mãos [da paciente] e começou a beijá-la na boca. Ela precisou força para se soltar, pois ele a segurou bem forte, entrelaçou a mão com a sua, segurando-a. [A vítima] ficou totalmente sem reação, até que o empurrou e saiu transtornada da sala. O mundo caiu 'porque eu confiava muito nele... e, de repente, viu...um descaso tão grande comigo, com o meu ex-marido, que confiava, que põe o dinheiro ali, todo o emocional ali e a pessoa faz isso comigo' ele 'acabou comigo emocionalmente'”. A vítima não mais voltou à clínica.

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No segundo semestre de 2006, Abdelmassih segurou a vítima "19" pela cabeça e lhe deu um beijo na boca. Ele conseguiu escapar das garras do médico e saiu correndo do consultório.

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Abdelmassih se aproveitou de "B" no primeiro semestre de 2001. Após a aspiração de óvulos, na sala de recuperação, ele a beijou na marra no rosto na boca e acariciou as suas partes íntimas.

19
A vítima "03" foi abusada quando estava sob o efeito da anestesia da retirada de óvulos. Prevalecendo-se de sua força, a exemplo do que fazia com outras vítimas, Abdelmassih beijou a paciente na boca e levou uma das mãos dela ao seu pênis ereto que tinha colocado fora da calça.

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A vítima (ou “ofendida”, no jargão jurídico) "24" sofreu constrangimento em março de 2007 em duas ocasiões. Na primeira,Abdelmassih a encurralou em seu consultório e a beijou na boca. Na segunda, o médico, na sala de recuperação da anestesia da aspiração de óvulos, o médico acariciou os seios dela e levou uma das mãos da paciente ao seu pênis, aproveitando-se de sua fragilidade física e emocional.

21
Em 1995, o médico aproveitou-se do atordoamento de "D" por causa de uma sedação e a beijou na boca. A sentença afirma que Abdelmassih anulou "a possibilidade de resistência".

22
"E" foi atacada três vezes por Abdelmassih. Em uma delas, quando acabara de coletar sangue, o médico lhe surpreendeu com um beijo na boca. Em outra oportunidade, quando estava na sala de recuperação, a vítima conseguiu empurrá-lo, defendendo-se de uma tentativa de beijo na boca.

23
A "25" também foi atacada quando estava sob o efeito da sedação. Abdelmassih a levou para uma sala de reuniões e a encurralou e beijou na boca. Ocorreu no primeiro semestre de 1997.

24
A vítima “27” oi beijada na boca no dia 29 de novembro de 1999 sem que pudesse reagir. Ela tinha sido submetida a uma transferência de embriões, procedimento que tem de ser feito sem sedação, e estava em posição ginecológica quando o médico apareceu em seu quarto. “Em algumas oportunidades, o acusado lhe deu beijo muito próximo da boca, mesmo que estivesse no local de atendimento, efetuado no corredor, que tinha movimento”, afirma a sentença.

25
A vítima "11" sofreu assédio em 2002. Ela estava na sala de recuperação, após uma coleta de óvulos, a segunda à qual se submeteu, quando foi beijada na boca. Diz a sentença: “A vítima não deixou dúvida de que o réu, aproveitando-se do momento que voltava da sedação, praticou os atos consistentes em beijá-la na boca e passar a mão em seus órgãos genitais”.

26
Em 2003, Abdelmassih avançou sobre a vítima "41" logo na primeira consulta. Ele a beijou nos cantos da boca e a abraçou com força.

27
Abdelmassih constrangeu a vítima "14" em julho de 2003. Ele a pressionou contra uma mesa e, segurando sua cabeça, beijou seu rosto e boca. De acordo com a sentença, “era beijo de “língua meio dura”. [Ela] serrou os lábios, ele beijou fora e ficou toda babada. Estava imobilizada, em razão de sua altura, pois é pequena, 1,58 cm. Ficou contra a mesa e ele ficou encostado no seu corpo, segurando-a. Não tinha como sair e quando ele soltou um braço 'eu empurrei com tudo', disse a vítima. "A minha perplexidade foi tão grande porque houve a quebra de confiança, da relação entre paciente e médico”.

28
Em 27 de abril de 2003, quando a "06" estava em uma sala se vestindo para deixar a clínica, Abdelmassih apareceu e lhe deu um “selinho” na boca. Em seguida, ele a agarrou, “impondo-lhe lascivo beijo na boca”. De acordo com a sentença de condenação, a vítima “estava meio zonza e ele segurou sua cabeça com as duas mãos - e ele tinha mais força, 'e ficou tentando me beijar, enfiar a língua dele em mim', disse a vítima. Ele prendeu seu braço e ficou imobilizada diante daquela situação, não conseguia se desvencilhar. Teve que fazer força porque ele estava segurando a sua cabeça. Acabou por conseguir colocar o punho no peito dele e começou a gritar e saiu assustada”.

29
A vítima “17” foi surpreendida no primeiro semestre de 2006, no momento em que se despedia do médico ao final de uma consulta. Abdelmassih, sem disfarçar que estava excitado, pegou a paciente pelo rosto e lhe beijou. De acordo com a sentença, a vítima disse: "Ele me beijou na boca, uma coisa que me chocou muito, o beijo com a língua, e eu senti o pênis ereto encostado no meu corpo. Isso foi muito chocante”.

30
A vítima “10” foi agarrada por Abdelmassih contra uma mesa do consultório no primeiro semestre de 1995. A sentença transcreve parte de seu relato: “[Ele] começou a lamber o ouvido, o rosto, beijar de língua, lambia, lambia. Nojento! Nojento! Nojento! não tinha como sair, mas quando conseguiu desvencilhar a mão, bateu no réu que estava ofegante, louco...nunca viu uma pessoa assim...ele estava fora de si”.

31
A “02” foi outra vítima dos beijos do médico, que usou sua força para sujeitá-la no dia 8 de agosto de 2006. De acordo com a sentença, a paciente disse que o médico lhe "cumprimentou com um abraço forte, com beijo no rosto e ficou segurando-a. 'Ficou me abraçando várias vezes muito forte, sem que eu conseguisse me afastar. Ele chegou a beijar na minha boca e eu fiquei super constrangida e no momento não sabia o que fazer. Fiquei sem reação e só queria me afastar'. Ele falou algumas coisas e quando se levantou para sair, novamente, a abraçou e beijou do mesmo jeito, de modo que não conseguia se afastar, em razão da força dele. Ela conseguiu em dado momento se desvencilhar e saiu de lá, sem rumo”.

32
A vítima "29" também foi beijada e acariciada quando estava saindo de uma sedação. O ataque correu no primeiro semestre de 2006.

33
Em janeiro de 2006, durante uma consulta, Abdelmassih pediu à vítima “38” um abraço, que, conforme ficou evidente em seguida, foi com intenção libidinosa. Ele aproveitou a aproximação da paciente para beijá-la na boca. Ela tentou escapar, mas o médico a imobilizou. "[Ela] ficou pasma, sem entender a situação, afastou-se, mas ele a beijou novamente." A vítima disse que foi um ”beijo na boca mesmo, com língua”. Ficou parada, sem entender o que estava acontecendo, sem reação”.

34
Na sala de repouso recuperando-se da anestesia – ela tinha passado por uma aspiração de óvulos –, W.L.R. foi surpreendida por Abdelmassih com carícias e beijos na boca. Ocorreu em 1995.

35
Em 1995, a vítima “42” estava deitada em posição ginecológica no centro cirúrgico após ter passado por uma transferência de embriões quando Abdelmassih deitou sobre ela e a beijou na boca. “Beijou de uma forma que... só o marido da gente que beija daquela forma”. “Tinha bastante saliva e, como eu estava de batom vermelho, sujou todo o rosto dele”.

36
Abdelmassih não esperou que G.A. fosse sedada para atacá-la. Quando ela ainda estava na sala dele para ser submetida a uma aspiração de óvulos, Abdelmassih segurou-a pelo pescoço, imobilizando-a, e beijou seu rosto e boca. Aconteceu no primeiro semestre e 2002.

37
Em 1999, a vítima “07”, recuperando-se da anestesia de uma aspiração de óvulos, teve de encontrar forças para se livrar deAbdelmassih, que se sobrepôs sobre ela e, após beijá-la na boca, tentou levantar a sua camisola. A sentença transcreve trecho do depoimento dela: “[O médico passava] “a boca em mim, passando as mãos nas minhas pernas e levantando o avental... passava a mão nas pernas, nos genitais... debruçava na gente” . Ela conseguiu dar um empurrão emAbdelmassih e se fugiu para um banheiro.

38
Em maio de 1999, a vítima “13” foi atacada por Abdelmassih quando se despedia ao final de uma consulta. Ele a imobilizou para beijá-la, mas ela conseguiu escapar. Na sentença, consta que o médico tentou dar um beijo de língua. “[Ela] o afastou a sua cabeça, mas teve com o bigode". A vítima contou que "até hoje eu me lembro do cheiro do bigode dele”.

39
A vítima “28” sofreu ataque em 2007 em duas oportunidades. Abdelmassih se valeu de sua costumeira truculência. Diz a sentença: “Ele pediu um abraço e beijo. [Ela] estranhou, mas deu o rosto". Disse a paciente: e “Aí [ele] começou a me beijar, e eu falei: para, para, para (a depoente se emociona e começa a chorar)....estou sedada, sai daqui”. Ele insistiu. Disse para a vítima que ia ser bom para ela e "meteu a mão dentro da minha roupa e apalpou os seios, desceu a mão e pôs a mão na minha vagina". Ele a lambeu na boca, no peito. “Ele tentou me masturbar, tirou o pênis para fora, tentava muito colocar a minha mão no seus pênis." De acordo com a sentença, o médico também tentou pôr o pênis excitado na boca da vítima.

Com informação da sentença da juíza Kenarik Boujikian Felippe.

> Íntegra da sentença de condenação de Abdelmassih. (pdf)
23 de novembro de 2010

Campanha ateísta pede a celebração da razão neste final de ano


Na entrada do túnel que liga o estado de New Jersey a Nova York (EUA), em um outdoor aparecem três reis magos, guiados por uma estrela de seis pontas, indo rumo a uma manjedoura, onde estão um burrinho e um homem e uma mulher rezando diante de um berço de palha.

Aparentemente, trata-se de propaganda cristã, do Natal. Mas em letras grandes, o outdoor diz: “Você sabe que é um mito. Nesse final de ano, celebre a razão”.

Trata-se de uma campanha de uma entidade ateia fundada em 1963, a American Atheists, que gastou US$ 20 mil (R$ 34,5 mil) para pôr a mensagem naquele local onde passam  milhares de pessoas.

David Silverman, presidente da entidade, informou que a campanha será mantida com certeza até o dia 21 de dezembro ou provavelmente até o Natal.

Como foi noticiada pela imprensa, incluindo os telejornais, a campanha atingiu um público bem mais abrangente que a American Atheists esperava alcançar com o outdoor.

Em uma reportagem da rede Fox, alguns cristãos criticaram os ateus pela ‘pegadinha’ de usar uma tradicional imagem para se desejar “Feliz Natal” em uma campanha de proselitismo.

Silverman afirmou que o outdoor não pretende ‘converter’ cristãos, mas incentivar que ateus se declarem como tais mesmo em época como esta, de celebração religiosa.

Disse também que, como todo ano os ateus, mesmo que fiquem quietos, são criticados por declarar guerra ao Natal, “este ano decidimos dar um gostinho aos religiosos conservadores de que essa guerra é real”.

REAÇÃO - atualização em 2 de dezembro de 2010

A Liga Católica reagiu ao que considerou ser uma provocação dos ateus e, do lado oposto do túnel, colocou  ontem um cartaz que diz: "Você sabe que é real. Neste ano, celebre Jesus".


Com informação do The New York Times.

> Ateus suíços querem proibir a Bíblia às crianças por conter crueldades.
novembro de 2010

>  Campanhas publicitárias polêmicas.     > Mais sobre ateísmo.

Na agonia de diminuir as baixarias, estamos gerando meninos inseguros

Título original: O filósofo Charles Harper

por Luiz Felipe Pondé para a Folha

Adoro televisão! Curto muito o dr. House e sua visão trágica de mundo (aliviada estes dias porque ele está pegando a chefe, a dra. Cuddy, e sempre que pegamos alguém a tragédia da vida se dilui na doçura do sucesso sexual, não?).

Hierarquias de poder são grandes afrodisíacos, seja quando envolve mulheres acima (chefes), seja com mulheres abaixo (secretárias). O cinema explora isso há muito tempo com sucesso de bilheteria.

Calma, cara leitora. Não engasgue. Brinco. Aliás, brinco muitas vezes, mas nunca sabemos até onde vai a brincadeira no mundo, não é? Dúvidas são como neblina numa estrada. Escondem curvas e acidentes mortais ou nada além da própria monótona neblina.

Mas tenho um outro herói na TV: Charles Harper, da série "Two and a Half Men". Tenho um amigo que a deu de presente para seu jovem sobrinho. Acertou em cheio: essa série deveria fazer parte da formação de todo menino hoje em dia, porque vivemos em épocas sombrias. A propósito, deveríamos dar de presente neste Natal a coleção inteira de Monteiro Lobato só para deixar os fascistas da censura das raças bravos. Se vivessem na Alemanha nazista, esses fascistas fariam fogueiras com livros do Monteiro Lobato.

Na agonia de diminuir as baixarias do mundo, estamos mesmo é gerando meninos inseguros e confusos e ainda tem gente por aí que nega isso. Sei que escolas "ensinam" em sala de aula que as "mulheres são oprimidas" já na sétima série! Ouvindo isso, fico feliz que já tenho 51 anos e que pude crescer num mundo onde as mulheres não eram "esse bicho de sete cabeças" que viraram. Pena. Agora sofrem com carinhas medrosos e chorões... e fóbicos que não aguentam compromissos. Ainda bem que a velha seleção natural do Darwin impede que a maioria delas acredite nas baboseiras que falam por aí sobre meninas oprimidas na sétima série. Homens e mulheres se amam para além do "ódio de gênero".

Voltando ao filósofo Charlie. O duo dele e seu irmão Alan é ceticismo puro para com as modas do comportamento "correto". Um estudo do comportamento masculino que deixa muita ciência "das masculinidades" (que nome horroroso!) no chinelo. As "militâncias" transformaram muitas mulheres em zumbis emancipados e agora se preparam para fazer o mesmo com os coitados dos caras.

Alan é o típico homem inseguro, mentiroso, "loser", que se esconde no blá-blá-blá atual da "sensibilidade masculina". Mas sua muito para pegar alguém. Falido, "massagista" que queria ser médico, expulso de casa pela sua ex-mulher, Alan vai morar com seu irmão Charlie e leva seu filho, Jake (uma prova de que corremos risco de extinção por estupidez). Charlie é seu oposto: bem-sucedido financeiramente, ganha muita grana fazendo jingle publicitário (o suficiente para deixar as "freiras feias" da esquerda nervosas) e pega todas.

Claro que estamos no mundo dos tipos superficiais de comédias. A vida dos homens não é nem Alan nem Charlie. A sociedade do sucesso (material, sexual, afetivo) de hoje é um fracasso: tortura meninas para serem magras e meninos para darem dez sem tirar. A verdade é que a série brinca com os sucessos vazios dos dois irmãos e expõe a dura realidade: o sucesso na vida afetiva não existe.

Uma pérola para você: num dado momento, Alan reclama que seu irmão Charlie está ensinando bobagens para seu filho. Os dois conversavam sobre mulheres. Alan diz "uma relação é construída com sinceridade e respeito pelo outro" (mentira, ele é um dissimulado, como todo mundo que diz "respeitar o outro"), ao que seu irmão Charlie responde: "Nada disso, uma relação se constrói com diamante e Viagra". Voilà.

Moral da história: para além do blá-blá-blá da "sensibilidade masculina" e da idealização dos afetos (comum em épocas como a nossa, dominada pela sensibilidade infantil da classe média), a maioria das mulheres quer mesmo é homens com "poder" e seguros, que saibam dizer "não" para elas e "sustentar" um mundo onde elas se sintam amadas. A questão é: tem algum cara que queira pagar a conta? Amor é luxo.
Espero que você ganhe um diamante nesta semana.

> Homem morre de medo de ser fraco diante da mulher.
setembro de 2010

> Artigos de Luiz Felipe Pondé.

domingo, 28 de novembro de 2010

Cabo da elite da PM sequestra jornalista em shopping e mata

Medina escolheu Luciana aleatoriamente
O cabo Rodrigo Domingues Medina (foto), 34, do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), confessou ter matado a jornalista Luciana Barreto Motanhana (foto), 29, porque ela reagiu após ter sido sequestrada. “[Além disso] ela falava muito.”

Medina sequestrou Luciana no dia 11, no Shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo. Ele não conhecia a jornalista. A escolha foi aleatória. Ele algemou a moça e a colocou em seu carro, um Gol. Disse que pegou a moça para obter dinheiro e pagar uma dívida.

Luciana permaneceu dentro do shopping das 18h45 às 21h5. Ela frequentava ali uma academia.

Medina disse aos policiais da Divisão Antissequestro que capturou Luciana dentro do estacionamento do shopping, quando fazia manobra para sair. O Eldorado afirmou que a abordagem foi feita na saída. A gravação das imagens do monitoramento do shopping vai dissipar essa dúvida.

Mesmo tendo matado a jornalista, o PM telefonou de diferentes orelhões nove vezes para o pai da vítima pedindo R$ 500 mil de regaste. Dinheiro que ele não tinha.

O PM foi preso ontem (sábado, 27) quando fazia mais uma ligação. Ele tentou escapar: saiu correndo a pé e pegou um carro. Trocou tiros com os policiais civis e se rendeu quando foi baleado nas costas. Estava com o celular e documentos da jornalista.

Os policiais ficaram surpresos quando souberam que Medina era do Gate. Esse grupo de elite da Polícia Militar é treinado, entre outras coisas, para libertar vítimas de cativeiro.

O delegado Wagner Giudice disse que, desde o começo das investigações, já suspeitava que a jornalista  estivesse morta. Nos contatos telefônicos, o pai de Luciana pedia para falar com a filha e nunca foi atendido. O cabo já tinha jogado o corpo dela na Via Anchieta, perto do km 44, trecho da Serra do Mar.

Luciana trabalhava na empresa de relações públicas Gaspar & Associadas, uma das mais conhecidas do mercado. Ela se formou em jornalismo na PUC e fez MBA na Getúlio Vargas.

Medina está no Gate há dez anos. Em seu prontuário, não havia nada contra sua conduta.

Com informação do Globo, Estadão e emissoras de tv.

Vítimas esperam que a volta de Abdelmassih à prisão ocorra logo

por Humberto Maia Junior, da Época

No início da tarde de terça-feira, a aposentada Teresa Cordioli (foto), de 60 anos, viajava da cidade de Americana para sua casa, em Sumaré, no interior de São Paulo, quando recebeu um telefonema de sua advogada. A notícia a fez gritar de alegria. “Era o grito da vitória”, afirma Teresa. Ela ligou para a dona de casa Helena Leardini (foto), 41 anos, que estava em sua casa no Campo Belo, Zona de São Paulo:

-- E aí, está feliz?

-- Por quê?

-- Liga a TV.

O noticiário anunciava que o médico Roger Abdelmassih, de 67 anos, especialista em reprodução assistida e acusado de 56 crimes sexuais contra 39 mulheres, acaba de ser condenado a 278 anos de prisão. Enquanto Teresa e Helena conversavam ao telefone, Vanuzia Leite Lopes (foto), uma estudante de direito de 50 anos, interrompia os estudos na sala de sua casa na Vila Mariana, em São Paulo, para atender telefonemas de mulheres que, como ela, acusam Abdelmassih de abusos sexuais. Teresa, Helena e Vanuzia choraram.

Abdelmassih também. “Ele me abraçou e chorou, inconformado com a decisão”, diz o advogado José Luís Oliveira Lima, que defende o médico. Um dos trechos da sentença de 195 páginas da juíza Kenarik Boujikian Felippe afirma que os relatos das vítimas “formam um conjunto estarrecedor sobre a conduta do acusado. Uma avalanche de fatos absolutamente repulsivos”, diz um trecho. “Nossa vitória ainda não foi completa”, diz Teresa, uma das vítimas. “Mas já foi o suficiente para deixá-lo de ‘cabeça quente’”.

Mesmo condenado, Abdelmassih continua fora da prisão. Um habeas corpus concedido no ano passado por Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), pôs fim ao período de quatro meses que o médico ficou detido. A decisão do STF garante que ele continue aguardando em liberdade o julgamento dos recursos que cabem no processo. “Esperamos que ele seja preso”, diz Teresa. Vanuzia é mais incisiva: “Ele deve ser encarcerado por ser estuprador. Não é justo com as vítimas nem com os criminosos como ele que estão presos”.

Nesta terça-feira, o STF julgará o habeas corpus que favorece o médico. Para o advogado de Abdelmassih, não há motivos para privar seu cliente de liberdade. “Não há nenhum fato ou postura dele que possam indicar o risco de ele não cumprir uma eventual sanção penal.” Não há risco, segundo o advogado, de Abdelmassih fugir do país ou prejudicar o andamento do processo.

Segundo Oliveira Lima, o médico cumpre uma espécie de prisão domiciliar voluntária. Abdelmassih passar o dia em casa. De manhã e à noite, conversa com o advogado sobre as estratégias de defesa. Só sai para rezar, numa igreja próxima a sua casa, nos Jardins, bairro nobre da capital paulista. “Ele e sua família estão abalados. Sua vida foi desgraçada por esse processo”, afirma o advogado.

Desde junho, Roger Abdelmassih está impedido de clinicar. Seu diploma foi cassado pelo Conselho Regional de Medicina. Oficialmente, sua clínica foi comprada pelo médico de origem coreana San Choon Cha. Doutor e livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP, ele presidente a Sociedade Brasileira de Ultrassonografia e Medicina Fetal.

Cha contratou toda a equipe da clínica, incluindo os dois filhos de Abdelmassih, os médicos Vicente e Soraya. Há rumores de que a venda da clínica tenha sido um negócio de fachada.

À reportagem de Época, doutor Cha nega essa versão. Ela firma que comprou a clínica com o conhecimento de Abdelmassih e de sua equipe. “Tive sorte de poder contar com profissionais com 20 anos de experiência”, afirma. “Apesar do problema, era a clínica de maior sucesso na érea de reprodução assistida”.

Segundo o Conselho Regional de Medicina e juíza que condenou Abdelmassih, não há impedimentos legais para que ele seja dono ou sócio de uma clínica, desde que não clinique.

Enquanto esperam que o médico cumpra a pena a que foi condenado, suas vítimas tentam esquecer o que viveram. “Duas ou três vezes por dia, ele vinha, deitava em cima de mim, me bolinava, me beijava, me lambia”, diz Teresa. “Por que eu não fazia nada? Tentava me defender. Cheguei a morder o lábio dele até sangrar. Mas eu tinha medo de gritar”, afirma. Até o dia em que soube das acusações contra o médico. “Vi que não era a única e contei minha história ao meu marido e a meus filhos.”

Para Oliveira Lima, por mais revoltantes que sejam as histórias como a de Teresa, a decisão da Justiça é “desprovida de amparo jurídico, materialidade e representação”. Sua estratégia de defesa tem sido apelar para a falta de provas. São acusações de 39 mulheres contra a palavra do médico que se tornou um dos mais famosos do país.

No julgamento, sua defensa apresentou testemunhos favoráveis de 170 pacientes agradecidos por terem realizado o sonho da maternidade e paternidade – algo tão forte a ponto de manter em Helena, que diz ter sido assediada no consultório, uma gratidão eterna. “Graças a ele, tenho minhas duas meninas”, diz Helena, referindo-se às gêmeas de 6 anos. “É um sentimento estranho. Poxa vida, precisava ser assim? Uma pessoa que me deu uma das coisas mais importantes da minha vida tinha de fazer algo tão nojento?”

Com informação da revista Época.

> Teresa: 'Fui molestada pelo dr. Roger sem anestésico algum'.

> Vanuzia: 'Quero o dr. Roger na cadeia pelo resto da vida'.

> Caso Roger Abdelmassih.     > Casos de violência contra a mulher.

sábado, 27 de novembro de 2010

Adolescente de 15 anos foge porque mãe insistia que fosse à igreja

Alessandra Cristina Machado, 15, disse que fugiu de casa porque a sua mãe obrigava-a a ir à igreja. A Polícia Civil de Pinhais (PR) encontrou a garota na sexta-feira (26) caminhando em uma rua da cidade. Pinhais tem 118 mil habitantes e fica a 7 km de Curitiba.

Inicialmente, a polícia considerou a possibilidade de a adolescente ter saído de casa para ficar com algum rapaz que conhecera na internet. Mas nos cinco dias em que esteve desaparecida Alessandra ficou na casa de amigos.

Osmair da Silva, chefe da Polícia Civil na cidade, disse que a menina contou que a sua mãe é muito religiosa e insistia para que ele fosse à igreja. “Esse foi o verdadeiro motivo da fuga.”

Ele recomendou aos pais que resolvam os problemas com os seus filhos com o diálogo e não com imposições, “para que não tornem casos de polícia”.

Com informação do odiario.com.

Garoto de 7 anos foge de igreja. De carro


> Garoto de 7 anos foge com o carro do pai para não ter de ir à igreja.
agosto de 2009

> Pais não deveriam impor uma religião aos filhos, afirma Dawkins.
julho de 2009

Ministério Público pede pena maior para o médico estuprador

O promotor José Mário Barbuto, do Ministério Público do Estado de São Paulo, apresentou nesta sexta-feira (26) recurso contra a sentença da juíza Kenarik Boujikian Felippe para que seja aumentada a pena de prisão em regime fechado do médico estuprador Roger Abdelmassih.

A sentença da juíza da 16ª Vara Criminal de São Paulo determinou 278 anos de prisão levando em conta a pena mínima de seis anos para cada um dos casos que compõem a ação penal.

No entendimento de Barbuto, cada um desses casos deve ser reavaliado porque existem agravantes que justificam pena maior, de até 10 anos.

Entre as agravantes, o promotor citou que algumas das pacientes foram atacadas mais de uma vez e que todas estavam em condição de inferioridade porque, na expectativa de engravidar, foram mantidas sob o efeito de medicação. Algumas das vítimas foram abusadas quando estavam inconscientes por causa  da anestesia.

Barbuto alertou que os crimes da condenação podem prescrever se houver demora na decretação da pena definitiva, em instância superior.

“Se a sentença não se tornar definitiva antes de o médico completar 70 anos, o prazo de prescrição cai pela metade, e ele pode não ser preso, livrando-se de qualquer condenação”, disse. Abdelmassih está com 67 anos.

Barbuto pediu ainda, no recurso, que os crimes de Abdelmassih sejam considerados como hediondos porque, nesse caso, não haverá a possibilidade da concessão de  um indulto.

José Luís de Oliveira Lima, um dos advogados de Abdelmassih, também vai recorrer ao TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo para que a sentença de Kenarik seja anulada com o argumento de que a juíza desprezou depoimentos importantes da defesa, inclusive de pacientes.

Com informação do Ministério Público do Estado de São Paulo, G1, Estadão e deste blog.

> Médico acusado de estupros é condenado a 278 anos de prisão.
23 de novembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Padre continua a defender que poção à base de urina cura câncer e Aids

Em sua defesa na ação movida pelo CRM (Conselho Regional de Medicina) do Mato Grosso, o padre Renato Roque Barth (foto) manteve a convicção de que a poção que produz à base de urina do paciente cura câncer e Aids, entre outros males. O conselho o acusa de curandeirismo.

Nesta quinta-feira (25), em audiência no Fórum Criminal de Cuiabá, o padre rejeitou um acordo com o CRM para que a ação fosse retirada da Justiça.  Ou seja, ele manterá o seu atendimento de cura.

Vilson Nery, um dos advogados de Barth, disse que, como não houve consenso, permanece o conflito: “O CRM continuará defendendo que o trabalho desenvolvido pelo padre é errado e o padre tentará provar que não pratica nenhum tipo de crime”.

O jesuíta Barth é adepto da biossaúde (ou o que ele chama de bioenergia) desde 1992, quando, como missionário, esteve na Nicarágua e lá tomou conhecimento dessa suposta forma de cura, que ele afirma ser uma "ciência" desenvolvida nos anos 70 pelo médico japonês Yoshiaki Omura radicado em Nova Iorque (EUA).

Em 1995, com o consentimento da hierarquia da igreja, ele abriu na periferia de Cuiabá um centro para atender doentes. Agora, na cidade, há dois locais de tratamento. Em todo o Mato Grosso, existem quatro unidades, que compõem a Abrasp (Associação Brasileira de Saúde Popular).

O padre disse em um vídeo no Youtube que a biossaúde já cuidou de um milhão de pessoas durante esses mais de 10 anos de implantação no Brasil.

Quem se submeter a essa medicina alternativa não poderá, paralelamente, tomar medicamento químico, incluindo vacinas, ou recorrer à quimioterapia ou à radioterapia. Também terá de suspender o consumo de carne e açúcar.

O padre usa a urinoterapia somente para determinadas doenças graves. Para as outras, há poções feitas com ervas e argila, que combatem, segundo ele, doenças tidas pela “medicina das farmácias” como incuráveis, como a diabetes. No vídeo, ele citou Jesus para afirmar que todas as doenças têm cura.

O CRM tenta impedir que o padre exerça ilegalmente a medicina há mais de cinco anos.

Com informação do site Olhar Direito, do Youtube e da Abrasp.

> Médium terá de pagar pensão à vítima de cirurgia feita por espírito.
maio de 2009

Os milagrentos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Maníaco da Cruz tem sido 'exemplar', afirma diretor de internato

D.F. deixava os corpos em forma de cruz por ser de 'impuros'
D.F. (foto abaixo) tem tido um 'comportamento exemplar', disse Paulo César Vilaverde Torraca, diretor de uma entidade de internação de menores de idade infratores de Ponta Porã (MS). 

O jovem é conhecido por Maníaco da Cruz por ter matado em 2008 três pessoas de sua cidade, Rio Brilhante, por considerá-las impuras e deixar os corpos em forma de cruz para que as almas desses 'falsos cristãos' obtivessem mais rápido o perdão divino.

D.F. aos 16 anos
Ele completou 18 anos e terá de ser colocado em liberdade no próximo ano. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) determina que os jovens infratores fiquem internados no máximo três anos para receber orientação sócioeducativas.

A Justiça poderá manter a internação se D.F. representar perigo à sociedade, na avaliação de psicólogos.  Em 2008, quando foi preso, um laudo atestou que ele não sofria de nenhum distúrbio mental.

D.F. matou o pedreiro Catalino Gardena, 30, por ser alcoólatra e gay, a frentista Letícia Neves de Oliveira, 22, por ser lésbica, e a estudante Gleice Kelly da Silva, 13, por ser usuária de drogas -- sempre de acordo com o seu julgamento. Todos foram mortos por asfixia.

Um dia depois de ter matado Gleice, ele escreveu no perfil do Orkut da adolescente aos que manifestavam luto e solidariedade à família que “mortos não recebem recado”.

Antes de decidir quem matar, D.F. conversava com suas possíveis vítimas para verificar se eram pecadoras.  Carla escapou das garras dele porque lhe pareceu ser uma pessoa correta, além de lembrar fisicamente a sua namorada.

A polícia encontrou no quarto de D.F. uma foto de Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, que na década de 90 matou em São Paulo pelo menos seis mulheres. D.F. afirmou que Pereira era seu ídolo e que ia superá-lo em mortes. "Peguei gosto por matar", disse o jovem a um jornalista.

Na Unei (Unidade Educacional de Internação) de Ponta Porã, D.F. fica em uma área reservada para que não seja atacado pelos demais internos. Ele tem recebido visita de sua mãe, do padrasto e de uma tia pelo menos uma vez por mês.

Torraca informou que D.F. se mantém calado na maior parte do tempo.

“Fica sempre na dele”, disse. “Se todos os internos fosse como ele, seria uma maravilha.”

Com informação do Pantanal News e do arquivo deste blog.

Carla conta por que foi poupada pelo Maníaco da Cruz.
outubro de 2008

Caso Maníaco da Cruz.      Fanatismo religioso.

Pai espanca filha para que seguisse ‘as regras da igreja’, e ela morre

O evangélico José Carlos de Lima, 42, disse que bateu em Larissa Rafaela Kondo de Lima (foto), 15, para o bem dela. “Eu apenas quis corrigir a minha filha dentro das regras de nossa igreja e do respeito à família”, disse ele à polícia.

Por estar namorando na praça da cidade, Cafelândia (SP), no começo da noite de terça-feira (23), Larissa primeiro apanhou da mãe e depois do pai, quando ele chegou do trabalho.

A garota levou chutes no abdômen e na cabeça e apanhou de cinta.

Algumas horas depois, na madrugada do dia 24, a garota passou mal, vomitou. Seus pais levaram-na para Santa Casa. Como piorou, eles a transferiram às pressas, já inconsciente,  para um hospital de Bauru, uma cidade vizinha. Às 6h da manhã Larissa morreu em consequência de um edema pulmonar.

A polícia prendeu Lima em flagrante por lesão corporal dolosa seguida de morte, mas não descartou a possibilidade de ter havido um suicídio -- a jovem, nesse caso, teria tomado algum veneno após ter levado a surra

Morte de jovem agredida por pai para que seguisse igreja foi por suicídio.
março de 2011

Lima foi solto às 20h e não pôde ir ao sepultamento do corpo da filha, às 18h30. Em estado de choque, a mãe também não conseguiu ir ao cemitério. Cafelândia tem 16 mil habitantes e fica a 412 km de São Paulo.

Adilson Carlos Vicentini Batanero, delegado da cidade, disse que a mãe acusou o marido de ter exagerado  no castigo ao chutar a cabeça da filha. Lima nega ter dado o chute. Mesmo assim, disse o delegado, o pai vai ser indiciado e terá de responder na Justiça pela morte da filha.

Colegas de escola de Larissa afirmaram que ela se queixava da rigidez do seu pai, o que que seria uma consequência de seu fervor religioso. “Ela não podia conversar com garotos”, disse uma colega. "O pai não deixava."

Um ex-namorado contou que pretendia falar com Lima, mas Larissa pediu que desistisse. “Se você for, ele te mata e me mata também”, teria dito a adolescente.

Uma professora afirmou que Larissa era alegre e tinha boas notas. “Ela queria ser médica.”

Pai e mãe não puderam ir ao velório e sepultamento
Com informação do jornal Bom Dia.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vídeo denuncia a reincidência da violência contra a mulher




O serviço de disque denúncia contra a violência doméstica dos Estados Unidos  fez uma campanha para que as mulheres denunciem seus agressores, geralmente  seus companheiros.

No vídeo (acima) da campanha mostra uma mulher limpando o rosto de hematomas e sangramento, que voltam a surgir por causa da repetição da violência. A campanha foi criada pela Young & Rubicam de Chicago, com música de Mercy Street, de Paul Gabriel.

Nos Estados Unidos, uma mulher é agredida a cada 15 segundos. No Brasil, a situação é também dramática: em média, a cada duas horas uma mulher é assassinada.

> Tocar bateria à noite incomoda vizinhos, bater em mulher, não. (vídeo)
julho de 2010

Igrejas obtêm autorização da Anatel para vender linhas de celular

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou resolução que permite que as igrejas entrem no negócio de vendas de linhas de celular em parceira com as provedoras Vivo, Claro, Oi e TIM.

A resolução se destina às empresas e às instituições financeiras, mas a Anatel abriu uma brecha para as igrejas, embora elas tenham isenção de impostos, o que constituirá concorrência deslegal. A brecha vale também para os clubes de futebol.

O negócio – que já existe em outros países – funciona assim: empresas e entidades vão poder comprar “créditos” (a prestação de serviço) das provedoras e repassá-los aos seus clientes cativos ou, no caso das igrejas, aos fiéis.

Como a venda desses créditos será feita em grande quantidade, no atacado, os compradores terão descontos, podendo assim cobrar uma taxa de administração e/ou uma margem de lucro de seus clientes ou fiéis.

O UOL informou que já existem igrejas interessadas em oferecer esse tipo de intermediação, cuja sigla em inglês é MVNO (serviço de operadora móvel virtual). O portal, contudo, não revelou o nome de numa delas.

Empresas e instituições como Pão de Açúcar, Carrefour, Banco do Brasil e Bradesco já teriam decidido aderir ao novo negócio. A resolução permite também que as provedoras  aluguem a sua infraestrutura.

Para as operadoras, o negócio é interessante porque, caso alguma delas faça parceria com a Igreja Universal, por exemplo, terá, por tabela, garantida a clientela composta pelos fiéis dessa religião.

A expectativa da Anatel, com esse modelo de negócio, é que aumente a disputa pelos usuários, reduzido, assim, o preço do serviço, que é um dos mais altos do mundo.

Mas existe a possibilidade de o MVNO ser vantajoso somente para os seus parceiros, sem que haja, portanto, o repasse do desconto aos usuários. O Brasil tem 194,439 milhões de celulares, mais de um aparelho por habitante.

A Anatel espera que as primeiras operadoras virtuais de celular entrem em funcionamento nos próximos 60 dias.

Com informação do UOL e da Anatel.

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