"Ainda não fiz uma avaliação aprofundada desse fato, mas posso dizer que não é algo que me agrade”, disse a professora da Uneb (Universidade do Estado da Bahia) ao Uol Notícias.
O bloco Ilê Aiyê foi criado em 1974 para divulgar a cultura afro-brasileira. Surgiu no Curuzu-Liberdade, bairro de Salvador cuja população de 600 mil pessoas é composta por negros, na maioria. Em seus primeiros anos, chegou a ser acusado de estimular o racismo por não admitir brancos como associados.
A letra do 'Eu sou Ilê', o hino do bloco, se refere ao negro como "o mais belo dos belos".
Na quinta-feira do Carnaval, na abertura oficial da festa, o bloco vai sair com ala de sambistas brancos com o nome de "Eu Também sou Ilê".
Diz Ceres: "Acho tudo muito estranho. Não gosto dessa medida".
Antônio Carlos dos Santos, presidente do bloco, não se abala com o estranhamento de Ceres e de outros militantes negros que se querem de um lado e os brancos, de outro.
Ele disse que o objetivo do bloco é chamar a atenção para as injustiças contra os negros, mas o Ilê Aiyê não é separatista.
"Em nossos projetos sociais, não discriminamos. Atendemos crianças brancas, louras, negras", diz.
Ele tem o apoio de militantes como Ana Rosa Azevedo.
"Sou negra e acho essa decisão maravilhosa. Precisamos caminhar para a igualdade de modo que em breve não haja necessidade de políticas de reparação [aos negros]".
> Casos de racismo.