sexta-feira, 19 de junho de 2009

Rose Leonel diz que fotos de sexo eram fantasia do namorado

por Carla Guedes, do ODiario.com

Vítima de crime cometido pelo ex-namorado - que, inconformado com o fim do namoro, divulgou fotos da ex-companheira nua na internet -, a jornalista e apresentadora de TV Rose Leonel (foto), 40, venceu esta semana uma batalha judicial.

O empresário Eduardo Gonçalves da Silva, o ex-namorado, foi condenado a um ano, 11 meses e 22 dias de detenção. A pena - apesar de branda, na opinião de Rose - significou um "alívio moral".


Justiça condena empresário que pôs na internet fotos íntimas de ex.
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Silva postou as fotos de sexo explicito após o término do namoro de três anos e meio. Desde 2006, quando as primeiras imagens apareceram, Rose luta na Justiça pela condenação do antigo companheiro e por uma indenização milionária. "R$ 1 milhão não pagaria o que ele fez comigo", diz.

As fotos foram mandadas para as caixas de e-mails de vários maringaenses e foram parar em sites pornográficos da Rússia, Holanda e Alemanha. Junto com as fotos, Silva divulgou telefones de Rose e ela passou a receber ligações de homens interessados em agendar programas: "Ele (o Eduardo) me vendia como uma prostituta".

O drama vivido pela apresentadora deve virar livro. Desde 2006 ela escreve crônicas e poesias que contam o sofrimento pelo qual passou. "Eu fui assassinada moralmente e perdi tudo, menos a fé", desabafa Rose, que é evangélica.

"Homens me ligavam para marcar programas. Perdi o emprego, troquei de telefone várias vezes. Eu sofri um assassinato moral. O telefone não parava de tocar, era um inferno"

"Fazer as fotos era uma fantasia dele (do Eduardo) e uma condição para que ficássemos juntos. Eu gostava muito dele e depois de um tempo eu cedi. Pensava: Cada louco com a sua mania, né?"

O Diário - Como você conheceu o empresário Eduardo Gonçalves da Silva?

Rose Leonel - Eu tinha um programa na TV e fui oferecer divulgação do shopping (ele era da diretoria do Shopping Avenida Center). Eu o conheci e começamos a conversar.

Como o relacionamento comercial se transformou em namoro?

O trabalho de divulgação que fazíamos começou a se tornar mais frequente. Eu era casada e fiquei viúva. Passei por um período difícil, sofri muito com a perda do meu marido (ela ficou casada sete anos e o marido faleceu de infecção no coração), e o Eduardo se mostrou bastante prestativo. E assim o relacionamento comercial tornou-se amizade e a gente acabou namorando.

Como era o namoro de vocês?

Ele era uma pessoa muito reservada. Foi um namoro como todos os outros, quase.

Você estava apaixonada?

Sim. Ele apareceu na minha vida em um momento em que eu estava vulnerável e acabei me apegando muito a ele. Namoramos por três anos e meio e tínhamos praticamente uma relação estável. Iríamos casar.

Ele se dava bem com seus filhos?

Com o tempo, a relação dele com meus dois filhos (Rose é mãe de dois adolescentes) ficou difícil e tive dúvidas sobre o namoro. Ele teve divergências com meus filhos. Achei que seria complicado passar o resto da vida com ele. Aí resolvi dar um tempo. Ficamos um mês separados. Depois, falei que não teria volta. Sofri muito em me separar. Disse que embora estivesse sofrendo e o amasse, o melhor a fazer seria terminar. Ele se descontrolou e não aceitou.

Ele ficou muito nervoso com o fim do namoro?

Ficou descontrolado. Eu nunca o tinha visto daquele jeito. Ele me ligou, gritando, dizendo que iria acabar com a minha vida se não voltássemos. Fiquei com medo.

Você disse que seu namoro era quase normal...

Eu descobri que ele grampeou o telefone da minha casa. Ele era persecutório e essa era uma das coisas que me preocupavam. Por causa disso, brigamos e terminamos. Eu não tinha nada a esconder e me senti muito invadida com a atitude dele. Só que depois nós voltamos. Essas coisas foram tirando a minha paz.

Você flagrou troca de e-mails entre Eduardo e o técnico de informática, né?

Sim. Ele tinha a senha do meu e-mail e eu a do dele. Quando já estávamos separados, vi e-mails que ele mandou para um técnico dizendo que queria divulgar as minhas fotos na internet. Ele queria que a minha vida acabasse. Eu peguei os e-mails e levei a um advogado, que me aconselhou a fazer uma notificação em cartório. Fizemos e o Eduardo assinou. Isso foi no final de 2005. Nesse tempo, sofri e chorei muito. Pedi uma orientação a Deus. Como o crime ainda não tinha acontecido, o que foi possível fazer eu fiz.

Como você ficou sabendo que as fotos foram parar na internet?

Em janeiro de 2006, eu tirei férias e viajei para Foz do Iguaçu. Lá, recebi ligações de amigos dizendo que estava acontecendo uma loucura em Maringá. Todo mundo estava recebendo e-mails com fotos minhas nuas. Foi aí que começou o meu martírio. Eu fiquei arrasada. Ele chegou a mandar as fotos para o e-mail do hotel onde eu estava hospedada. Ele foi sádico e cruel. Fazia capítulos das fotos e soltava as imagens aos poucos. Eu fui sendo torturada com esse sadismo. Como ele divulgava os meus telefones nos e-mails, homens me ligavam para marcar programas. Perdi o emprego, troquei de telefone várias vezes. O telefone não parava de tocar, era um inferno. Sofri um assassinato moral. Ele gravou CDs e distribuiu em prédios, imprimiu as fotos e entregou no comércio.

E os seus filhos?

Meu filho chegou a falar: 'Mamãe, troca de nome'. Um dia, minha filha ligou e disse: 'Mãe, vem me buscar porque eu estou escondida no banheiro. As meninas descobriram as fotos na internet e estou com medo'. (Rose chora). Os dois trocaram de colégio e o meu filho foi morar em Londres (onde está até hoje). O meu filho brigava todo dia na escola. Eu tinha que deixá-lo a um quarteirão do colégio, porque ele não queria que soubessem que eu era a mãe dele.

De quem foi a ideia de fazer as fotos íntimas?

Dele. Ele me pedia insistentemente. Fazer as fotos era uma fantasia dele e uma condição para que ficássemos juntos. Eu gostava muito dele e depois de um tempo eu cedi. Pensava: 'Cada louco com a sua mania, né'? Só que eu quero deixar claro que 70% das fotos que estão na internet não são minhas, são montagens.

Pensou em sair da cidade?

Várias vezes. Sofri processo de exclusão social aqui. Fui banida da sociedade, penalizada, julgada e condenada a ficar longe dela. Eu decidi ficar em Maringá e lutar pelos meus direitos. Eu não era a criminosa, e sim a vítima. Eu queria provar que jamais quis me expor. Depois do escândalo, me reservei, fiquei em casa e parei de ir a eventos.Tinha vergonha.

Está namorando?

Sim, há dois meses.Fiquei esse tempo todo sozinha. É traumatizante amar uma pessoa que se mostrou um canalha.

A sentença foi justa?

De certa forma foi branda porque o cúmplice foi absolvido, mas não deixou de ser um alívio moral. Ele me queimou viva e essa condenação é o meu registro de nascimento.

Muitos dizem que você se aproveitou da exposição. O que tem a dizer sobre isso?

Isso seria uma atitude infeliz, pobre e ignorante da minha parte. Eu jamais gostaria de ter uma publicidade dessas.

Você move processo de danos morais contra o Eduardo. Quanto quer de indenização?

R$ 1 milhão é pouco.

Caso Rose Leonel.    Casos de violência contra a mulher.

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